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Por que negociações entre Washington e Pyongyang estão condenadas ao fracasso?

Em vez de proferir mais ameaças, a administração Trump deve mostrar que é um parceiro de negociação confiável, escreve o The National Interest, acrescentando que é importante enviar sinais claros agora.
Sputnik

O presidente norte-americano Donald Trump continua tratando a sua administração como uma brigada de salvamento para a diplomacia internacional, mas os norte-coreanos não são estúpidos e não confiam em promessas, afirma o autor do The National Interest Doug Bandow no seu recente artigo.


"O desmantelamento nuclear da Líbia, em muito forçado pelos EUA no passado, se revelou um modo de agressão por meio da qual os norte-americanos convenceram os líbios com tais palavras doces como 'garantia de segurança' e 'melhoramento das relações' para desarmar o país e depois destruí-lo pela força", conforme notou o Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Norte, acrescentando que os norte-coreanos percebem as intenções dos EUA.

O autor, lembrando o caso da Líbia, …

Rússia veta criação de tribunal da ONU para caso do voo MH17

Votação do Conselho de Segurança da ONU aconteceu na quarta-feira (29). Principais afetados, Ucrânia e Malásia anunciaram que recorrerão a meios alternativos de ação penal. Embora veto possa prolongar sanções ocidentais contra Rússia, impacto maior será para a ONU, sugerem especialistas.


IEKATERINA SINELSCHIKOVA | GAZETA RUSSA

A Rússia fez uso do seu direito de veto para derrubar a proposta de criação de um tribunal internacional para julgar os suspeitos de derrubar um avião da Malaysia Airlines sobre território ucraniano em julho de 2014. A votação entre os membros do Conselho de Segurança da ONU aconteceu na quarta-feira (29) em Nova York.


Russian Ambassador to the United Nations Vitaly ChurkinSegundo Tchúrkin (à dir.), Rússia tem interesse em “investigação completa, independente e imparcial” Foto:Reuters

“Em princípio, essas questões não são assunto para ser tratado pelo Conselho de Segurança”, disse o representante permanente da Rússia na ONU, Vitáli Tchurkin, em discurso nas Nações Unidas. “A queda do Boeing malaio não pode ser qualificada como uma ameaça à paz e segurança internacional.”

O país foi o único entre os 15 membros do conselho a votar contra a criação do tribunal. Onze membros votaram a favor da medida. China, Venezuela e Angola se abstiveram do voto.

“A posição que estamos assumindo hoje não tem nada a ver com a promoção da impunidade”, acrescentou Tchurkin, ressaltando o interesse da Rússia em uma “investigação completa, independente e imparcial”.

Os países que apoiaram a medida classificaram o bloqueio à criação do tribunal como uma “séria derrota” para o Conselho de Segurança da ONU e uma afronta às famílias das vítimas.

A Ucrânia e a Malásia anunciaram que pensarão em meios alternativos de ação penal, como a criação de um tribunal fora do âmbito das Nações Unidas.

“Não existe nenhuma razão para se opor ao tribunal, a não ser que você tenha cometido o crime”, disse o ministro do Exterior da Ucrânia, Pável Klimkin.

O representante da China na ONU, Liu Jieyi, declarou que se absteve do voto por considerar que o tribunal é “prematuro” e cria uma divisão entre os membros do conselho.

“Isso não ajuda as famílias das vítimas, não ajuda a esclarecer os fatos nem ajuda a garantir que os responsáveis sejam levados à justiça”, disse Jieyi.

O projeto de resolução foi apresentado ao Conselho de Segurança da ONU pela Malásia e assinado também em nome de Austrália, Bélgica, Holanda e Ucrânia.

Amigos da Rússia

A Rússia havia sinalizado há alguns dias que vetaria a proposta por considerá-la incompatível às competências do Conselho de Segurança da ONU. O veto não foi uma surpresa para os membros, assim como a abstenção da China também era esperada.

“Ela [China] nunca vai votar contra a comunidade ocidental, mas conta sempre com o apoio da Rússia, caso seja necessário”, diz o analista político independente Mikhail Korostikov. “Mas isso requer apoio no sentido inverso.”

No caso da Venezuela e da Angola estão envolvidos interesses econômicos em projetos de petróleo e gás. “Isso é diplomacia com Igor Sêtchin [presidente da petroleira russa Rosneft]”, sugere Korostikov.

Exemplo de fracasso

Durante o discurso na ONU, o representante russo Vitáli Tchurkin lembrou que o Conselho de Segurança já havia aberto uma exceção ao dar início à criação de um tribunal para a questão da antiga Iugoslávia e de Ruanda.

“Mas essa experiência dificilmente pode ser considerada bem-sucedida por sua complexidade, susceptibilidade à pressão política, alto custo e morosidade do processo”, acrescentou.

Para o analista político independente Mikhail Korostikov, o caso de Ruanda e da antiga Iugoslávia prova que esse tipo tribunal não traz rapidez nem melhor qualidade à investigação, mas “uma cobertura midiática favorável aos países que criaram essas estruturas”.

Sanções sem fim

Segundo o diretor-geral do Conselho Russo para Assuntos Externos, Andrêi Kortunov, o veto da Rússia terá consequências práticas, como a necessidade de reforçar o regime das sanções ocidentais ou “pelo menos, nesse contexto, seria muito difícil falar na suspensão [das medidas]”.

“Também não se pode excluir a possibilidade de o veto russo reforçar a posição de dirigentes nos EUA e na Europa que apoiam o fornecimento de armas letais à Ucrânia”, acrescenta.

Nesta quinta-feira (30), sete países se uniram à extensão das sanções da UE contra a Crimeia e Sevastopol: Montenegro, Islândia, Albânia, Noruega, Ucrânia, Liechtenstein e Geórgia. Todos eles, exceto a Geórgia, também aderiram à decisão de estender as sanções econômicas da UE contra a Rússia.

ONU fragilizada

A principal consequência da última votação será, entretanto, o declínio da autoridade da ONU e o desgaste do seu papel como grande instituição de segurança internacional, segundo o diretor do Centro para Estudos Internacionais da Escola Superior de Economia, Timofei Bordatchov.

“Ao levarem o assunto até o veto, os membros ocidentais deram um golpe na ONU. Por tradição, eles tentam evitar situações desse tipo”, diz o especialista.

Kortunov, do Conselho Russo para Assuntos Externos, acredita que o Conselho de Segurança está paralisado em relação a uma série de questões delicadas. “Não conseguiram, por exemplo, chegar a acordo quanto à guerra na Síria e o papel do Conselho de Segurança na crise ucraniana”, afirma o especialista.


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