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O que acontece quando desaparece um submarino como o argentino ARA San Juan

As autoridades argentinas continuam com as buscas para tentar localizar o submarino ARA San Juan, que estava em uma missão de treinamento e desapareceu na última quarta com 44 tripulantes a bordo.
BBC Brasil


A Marinha argentina revelou que, no último contato, o subcomandante afirmou que a embarcação apresentava um curto-circuito no sistema de baterias.


O submarino fazia o trajeto entre o Ushuaia, no sul do país, e a base naval de Mar del Plata, mais ao norte, quando deixou de se comunicar e sumiu dos radares. Segundo a Marinha, a tripulação teria comida e oxigênio para mais dois dias.

O governo argentino conta com a ajuda de vários países para realizar as buscas, incluindo Brasil e Estados Unidos.

Mas quais são principais dificuldades em uma operação para localizar um submarino? A BBC tenta responder a esta e a outras perguntas sobre o tema.

Por que submarinos não podem ser detectados?


Os submarinos são construídos para serem difíceis de se encontrar. O papel deles é participar, com frequênc…

O escudo que nada protege

Implantação de sistema de defesa antimíssil na Europa ganha novo capítulo após acordo com Irã. Enquanto promessa norte-americana de abandono do projeto cai por água abaixo, jogo político envolvendo escudo antimíssil aumenta ameaças, inclusive para países europeus.


ALEKSANDR TCHEKOV, ESPECIAL PARA GAZETA RUSSA

Ao longo dos últimos seis meses, o chanceler russo Serguêi Lavrov tentou apontar, no mínimo três vezes, para o fato de que Moscou não se esqueceu de como a história da implantação do sistema de defesa antimíssil na Europa começou.




Em entrevista na televisão de Cingapura, na quarta-feira passada (5), Lavrov foi ainda mais enfático: “Antes, o presidente [norte-americano Barack] Obama havia afirmado que se a questão nuclear iraniana fosse resolvida, não haveria mais necessidade de um sistema de defesa antimíssil na Europa. Parece que ele mentiu”.

Enquanto a questão nuclear iraniana vai se tornando coisa do passado, o sistema de defesa antimíssil na Europa está cada mais presente.

Recentemente, a porta-voz da OTAN Oana Lungesku declarou que o progresso das negociações sobre o programa nuclear iraniano não afetaria os planos referentes à implantação do escudo antimíssil. Segundo ela, o objetivo do programa é exclusivamente “combater ameaças ligadas à proliferação de mísseis balísticos”.

Afinal, é realmente necessário?

Para Moscou, a nova justificativa apresentada para a implantação do escudo antimíssil na Europa não parece mais convincente do que o motivo anterior – a questão iraniana.

Hoje, a maioria das potenciais ameaças de mísseis à Europa vem de regiões a sul e leste. Para combater esse tipo de provocação, o ideal seria implantar componentes terrestres do sistema de defesa antimíssil na Grécia ou na Turquia – e não na Polônia e na Romênia.

O componente marítimo do escudo antimíssil, constituído por navios equipados com o sistema de defesa antimíssil Aegis, seria ainda mais eficaz na direção sul.

Por que, então, nos países da Europa Central e Oriental?

Não, essas bases antimísseis não são voltadas contra a Rússia. A quantidade de mísseis russos é tão grande que nenhum sistema de defesa antimíssil seria capaz de dar conta deles.

Mas, se não são voltadas à Rússia, contra quem são? É preciso buscar a resposta na esfera política, e não na militar. Trata-se da motivação dos membros da OTAN oriundos do Leste Europeu.

Para eles, o escudo antimíssil é uma forma de aprofundar a integração no âmbito das estruturas euroatlânticas.

Quanto aos Estados Unidos, há pelo menos três razões para a implantação de elementos terrestres do sistema de defesa antimíssil no Leste Europeu: conservar a presença estratégica dos EUA na Europa, demonstrar que se preocupam com a segurança dos novos aliados e implantar uma base militar completa sem arcar com sua posterior manutenção.

A implantação do sistema de defesa antimíssil na Europa será, portanto, conveniente tanto aos EUA, quanto aos membros europeus da OTAN, mesmo que as potenciais ameaças de mísseis sejam eliminadas. A situação atual só não convém a um único país – a Rússia.

E o que virá depois?

Depois de o acordo nuclear com o Irã ser firmado, nenhuma outra justificativa para a implantação do escudo antimíssil na Europa soará convincente.

A situação é agravada pelo fato de que as relações entre os Estados Unidos e a Rússia já estarem no nível mais baixo desde a época da Guerra Fria. Washington não pode abandonar os planos de implantar um escudo antimíssil na Europa. Isso seria percebido como uma concessão a Moscou e teria um efeito desmoralizante sobre os aliados na OTAN.

Diante das circunstâncias, qualquer negociação sobre a problemática estará fadada ao fracasso, pois as partes se destacam por apresentar visões fundamentalmente opostas.

Enquanto não for elaborada uma abordagem única para a solução dos problemas que envolvem o escudo antimíssil, os EUA ficarão inventando novos pretextos para implantar os sistemas, e Moscou continuará apontando, pela enésima vez, as inconsistências deles.

O resultado disso é uma situação potencialmente perigosa. A infraestrutura do sistema de defesa antimíssil na Europa não garante a segurança, mas cria dificuldades nas relações com a Rússia. Em meio a constantes atritos entre Moscou e o Ocidente, qualquer jogo político com o uso do escudo antimíssil pode levar a um grau de tensão ainda maior.



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