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Por que negociações entre Washington e Pyongyang estão condenadas ao fracasso?

Em vez de proferir mais ameaças, a administração Trump deve mostrar que é um parceiro de negociação confiável, escreve o The National Interest, acrescentando que é importante enviar sinais claros agora.
Sputnik

O presidente norte-americano Donald Trump continua tratando a sua administração como uma brigada de salvamento para a diplomacia internacional, mas os norte-coreanos não são estúpidos e não confiam em promessas, afirma o autor do The National Interest Doug Bandow no seu recente artigo.


"O desmantelamento nuclear da Líbia, em muito forçado pelos EUA no passado, se revelou um modo de agressão por meio da qual os norte-americanos convenceram os líbios com tais palavras doces como 'garantia de segurança' e 'melhoramento das relações' para desarmar o país e depois destruí-lo pela força", conforme notou o Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Norte, acrescentando que os norte-coreanos percebem as intenções dos EUA.

O autor, lembrando o caso da Líbia, …

Por que a Turquia está atacando mais os curdos do PKK do que o grupo Estado Islâmico

A ofensiva antiterrorista da Turquia contra os combatentes curdos do PKK está completando uma semana. Nesta sexta-feira (31), cerca de 30 caças atacaram as posições do grupo no norte do Iraque. Em entrevista nos estúdios da RFI, o embaixador da Turquia na França, Hakki Akil, explicou por que o país elegeu como alvo a guerrilha curda, quando o mundo aguardava um combate mais intenso contra outra célula extremista, o grupo Estado Islâmico (EI).


RFI

Segundo Akil, existe uma confusão da opinião pública internacional sobre o episódio. O atentado terrorista do grupo Estado Islâmico à cidade de Suruç, na Turquia, no dia 20 de julho, não teria sido o estopim para o início dos ataques turcos ao PKK.


O embaixador da Turquia na França, Hakki Akil, nos estúdios da RFI em Paris.
O embaixador da Turquia na França, Hakki Akil, nos estúdios da RFI em Paris.

“Os ataques do PKK contra nós começaram a partir de 11 de julho, bem antes do atentado de Suruç”, explica o embaixador. “Com o acordo de paz 2013, os terroristas do PKK deveriam deixar o território turco e eles não o fizeram. Nós havíamos preferido fechar os olhos para isso, achando que era preciso mais tempo”.

O embaixador diz que o PKK teria se aproveitado do atentado de Suruç perpetrado pelo EI. Como a maioria das vítimas era curda, o grupo teria visto no episódio uma oportunidade para voltar a atuar. “Quando eles viram que ganharam a simpatia da opinião pública, acharam que a conjuntura estaria favorável e recomeçaram os ataques contra nós. Ou eles expulsam de nosso território os terroristas que estão entre eles, ou nós não cometeremos o mesmo erro de tentar um acordo de paz novamente”, afirmou Akil.

Por que o PKK e não o EI?

O representante turco na França também utilizou números para legitimar a ação de seu país contra o PKK e comparou a atuação do grupo a do Estado Islâmico, que atua na vizinha Síria. “Foram feitos mais de mil ataques aéreos contra o grupo Estado Islâmico, sendo que eles não mataram mais do que algumas dezenas de ocidentais. Já o PKK matou mais de 30 mil cidadãos turcos. Portanto, é legítimo que Turquia se defenda deles.”

Nestes sete dias de ofensiva contra os curdos, Ancara realizou apenas um ataque contra o EI. A ofensiva desta sexta-feira – a oitava contra as posições curdas do norte do Iraque – deixou vítimas civis: pelo menos cinco pessoas morreram e uma dezena ficou ferida.

Do lado dos rebeldes curdos, o balanço das operações é de 260 mortos, segundo as autoridades turcas, que afirmam ter ferido o irmão de Selahettin Demirtas, vice-presidente do HDP, partido pró-curdo que teve grande progressão nas últimas eleições turcas.

Já o líder do HDP tenta relançar negociações de paz entre Ancara e a rebelião. Ele diz que o PKK estaria pronto para reabrir o diálogo, mas o primeiro-ministro turco promete que sua campanha antiterrorista seguirá “até que a rebelião se renda”.

Entenda a crise:

Quem são os curdos: é um grupo étnico que vive em um território geográfico chamado Curdistão, que não existe de fato como um Estado. O Curdistão se divide em partes de vários países: Iraque, Irã, Síria, Armênia e Azerbaijão, mas a maior parte fica na Turquia.

Quem é o PKK: o Partido dos Trabalhadores do Curdistão é uma organização que, desde 1984, realiza luta armada contra a Turquia, com objetivo de obter mais autonomia para a região curda que fica dentro do território turco. Um acordo de paz foi fechado em 2013, mas a Turquia diz que o PKK não respeita o cessar-fogo.

Quem é o grupo Estado Islâmico: também chamado de Isis ou Daech, o grupo atua principalmente no Iraque e na Síria, próximo à fronteira com a Turquia. No último 22 de julho, realizou um atentado na cidade de Suruç, na Turquia, que vitimou principalmente curdos. O grupo é combatido tanto pelo Estado turco quanto pelos curdos do PKK, que também lutam entre si.


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