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Pyongyang: 3 porta-aviões perto da Coreia do Norte são uma ameaça de guerra nuclear

A ONU "fecha os olhos aos exercícios de guerra nuclear dos EUA, que estão empenhados em causar um desastre catastrófico para a humanidade", declarou o embaixador norte-coreano na ONU, Ja Song-nam.
Sputnik

As autoridades norte-coreanas classificaram na segunda (13) o deslocamento sem precedentes de 3 grupos de porta-aviões dos EUA para a zona da península da Coreia como uma "postura de ataque".


O representante norte-coreano permanente na ONU, Ja Song-nam, expressou em uma carta enviada ao secretário-geral da ONU o descontentamento do seu governo com os exercícios militares de Seul, Tóquio e Washington. Estes, segundo o diplomata, estão criando "a pior situação para a península da Coreia e seus arredores".

"Os EUA são os principais responsáveis por escalar as tensões e comprometer a paz", declarou Ja Song-nam.

Além da presença de 3 porta-aviões estadunidenses (Nimitz, Ronald Reagan e Theodore Roosevelt), Washington continua realizando voos de bombarde…

Memórias de um piloto invencível

Autobiografia de Kojedub, que abateu 64 aviões e nunca foi atingido, ganha edição brasileira. Para o historiador Aleksandr Korolkov, destino de piloto "cativa mais que qualquer filme policial ou de suspense".


ALEKSANDR KOROLKOV | GAZETA RUSSA

Se listássemos os nomes ligados à aviação de guerra mundial, na primeira linha, certamente estaria o nome do mais eficiente piloto de caça da aviação dos Aliados, Ivan Kojedub.

Seu currículo é impressionante: ele realizou 330 voos de combate, durante os quais conduziu 120 batalhas aéreas e abateu 64 aviões inimigos. No entanto, nunca foi abatido.




O destino do homem soviético comum, que completara apenas 21 anos quando a Segunda Guerra Mundial se iniciou, cativa mais que qualquer filme policial ou de suspense.

“Lealdade à Pátria”: era exatamente assim que se chamava a primeira edição do livro de memórias de Ivan Kojedub, que saiu em 1969 com uma tiragem de 100 mil exemplares.

A obra é uma reinterpretação da experiência de guerra pelo homem já adulto, tenente-general da aviação, ilustre herói e chefe. A obra já era a segunda de Kojedub, após o lançamento das memórias “Sirvo à Pátria”, em 1949.

Um piloto reservado, Kojedub gostava de escrever, mas seus colegas nunca notaram que ele carregava um diário e nele anotava os acontecimentos mais importantes junto a desenhos de acrobacias aéreas e esquemas táticos de guerra.

Ele levava a caderneta de aviação consigo a cada missão, como uma espécie de talismã. Foram justamente essas anotações que se tornaram a base de suas memórias, às quais, 20 anos depois da edição do primeiro livro, ele acrescentou materiais de arquivos que reuniu cuidadosamente dentre seus camaradas de regimento.

Conjuntura e táticas

No segundo livro, o autor lança um olhar mais amplo sobre os acontecimentos, esforçando-se não apenas para transmitir os acontecimentos e suas reflexões à época, mas também para esclarecer a conjuntura do fronte onde combatia e revelar as táticas da guerra aérea, empregando para isso um vasto e autêntico material histórico.

A história de vida do mais ilustre ás da aviação soviética é prosaica e tem destino semelhante ao de muitos de seus contemporâneos.


Após a revolução de 1917, jovens de famílias camponesas simples obtiveram acesso a formação, transformando-se na “geração de ouro” dos anos 1940 e 1950.

O rapaz dos confins da Ucrânia, que nasceu e cresceu em extrema pobreza, pôde então ingressar, após a educação básica, na escola técnica de química e tecnologia, onde muitos se interessaram pela aviação.

Em 1938, aos 18 anos, Ivan ingressou no clube de aviação e conectou, para sempre, sua vida aos aviões.

Ele não concluiu a escola técnica, mas, dois anos depois, formou-se no clube de aviação, e recebeu uma recomendação para a escola militar de aviação Tchugúievskoie, em 1940, onde passou, sucessivamente, por treinamento para as aeronaves UT-2, UTI-4, I-16.

No final desse ano, ele se tornou instrutor. “Se fosse possível, acho que nunca sairia do avião. A própria técnica de pilotagem, a limpeza da manobra, davam-me uma felicidade sem igual”, escreve Ivan sobre aquele tempo.

No outono de 1942 ele foi recrutado para o 240º regimento de caças. Entre os aviões militares de Kojedub, o caça La-5 - que, aliás, ainda apresentava inúmeros defeitos técnicos, além da inexperiência do piloto -, era o mais moderno do seu tempo.

A experiência coincidiu com a convocação para a guerra. Enfim, atuando sob a direção de Stalingrado, o regimento sofreu as mais duras perdas. Em 10 dias de guerra, na tropa permaneceram o comandante I. Soldatenko e ainda alguns pilotos, dentre os quais Kojedub. Finalmente, o regimento foi reorganizado e teve tempo para os preparativos de guerra.

A primeira missão de combate de Kojedub foi mal-sucedida. Além disso, ele só sobreviveu por um milagre. Atacado na composição por uma esquadrilha de bombardeiros alemães, ele sofreu uma emboscada de caças Me-109. Sua vida foi salva pela armadura do encosto do banco, que o protegeu da explosão de um projétil - o qual normalmente carregava um míssil perfurante.

Se o La-5 de Kojedub fosse o próximo na mira do míssil, aquela teria sido sua última missão. Em seguida, seu caça ficou sob o fogo da defesa antiaérea soviética e recebeu mais dois tiros, mas Kojedub conseguiu aterrissar o que restou do avião

Dando a volta por cima

O piloto conquistou sua primeira vitória em março de 1943, nas batalhas em Kursk, abatendo o alemão Ju-87. Depois dessa vitória, sua lista começou a crescer rapidamente. Executando as missões com os odiados caças sob a cobertura terrestre do Exército e de uma escolta, Kojedub conquistou quatro vitórias oficiais.

Provavelmente, foi nesse momento que Kojedub registrou a fórmula do sucesso na guerra, refletida em seu livro de memórias:

“A manobra precisa, a impetuosidade surpreendente da investida e o ataque à menor distância possível.”

É curioso que ele próprio, segundo as recordações dos colegas, raramente a empregava, preferindo atacar o inimigo a 200 a 300 metros de distâncias.

Então, estabeleceu-se definitivamente uma relação entre o piloto e suas máquinas de guerra, como se fossem seres humanos:

“O motor funciona com precisão. O avião obedece a cada um dos meus movimentos. Eu não estou só – comigo está meu companheiro de combate.”

É provável que tenha sido justamente esse sentimento que tenha salvaguardado a máquina para que ela não sofresse avarias.

A partir de então, as vitórias se tornaram cada vez mais frequentes e Kojedub, promovido ao posto de capitão em 1944. Em seguida, torna-se major, quando se prepara com mais cuidado para as missões de guerra e para aperfeiçoar os esquemas táticos na condução da batalha.

O notável piloto registrou detalhadamente tudo isso para a posteridade. E o resultado agora está ao alcance do leitor brasileiro.

Aleksandr Korolkov é doutor em História e especialista em assuntos militares.

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