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Adeus a tecnologias 'stealth': novo radar russo pode detectar aviões furtivos

Tecnologias russas capazes de detectar aviões furtivos do inimigo podem vir a fazer parte do sistema da defesa antiaérea unida da OTSC – Organização do Tratado de Segurança Coletiva, declarou o chefe do Estado-Maior Conjunto da aliança, Anatoly Sidorov.
Sputnik

Inovações russas capazes de desativar tecnologias furtivas do inimigo podem vir a ser usadas na criação do sistema de defesa antiaérea unida da OTSC, declarou militar, citado pelo jornal Rossiyskaya Gazeta. Sidorov comentou que essas inovações seriam eficazes tanto contra aviação do inimigo como contra ataques com mísseis.



O sistema Rezonans-NE funciona graças ao princípio de reflexão ressonante de ondas de rádio da superfície de aparelhos aéreos, facilitando vigilância de aeronaves e mísseis do inimigo, explicou Aleksandr Scherbinko, vice-diretor executivo da empresa de design Rezonans.

"Este modelo pode ser de grande interesse, levando em consideração criação do sistema de defesa antiaérea unida da OTSC, cuja inauguração est…

Aos 101 anos, ex-combatente lembra participação na Revolução de 1932

Benedito Monteiro lutou nas trincheiras contra a ditadura Vargas.

Para ele, memória da luta é que mantém a honra de quem se foi.


Poliana Casemiro | G1 Vale do Paraíba e Região

Benedito Monteiro carrega uma memória valiosa. Ele é um dos poucos combatentes da Revolução de 1932 ainda vivos. Há 84 anos, ele estava nas trincheiras lutando contra a ditadura do então presidente Getúlio Vargas. Aos 101 anos, o morador de Cruzeiro, no Vale do Paraíba, se empenha em manter viva a memória do combate daquele 9 de julho.


Combatente de 32 (Foto: Tucandira Monteiro/ Arquivo Pessoal)
Benedito Monteiro participou da Revolução de 1932 (Foto: Tucandira Monteiro/ Arquivo Pessoal)

A Revolução Constitucionalista de 32 começou depois do golpe de Estado que colocou Getúlio Vargas na presidência. Os paulistas não o reconheciam e queriam uma constituinte, o que motivou o conflito. Foram três meses de conflito entre São Paulo e o resto do país.

Benedito tinha quatro meses de farda e menos de 18 anos quando foi chamado para o combate. Inexperiente, contou que à época a emoção de representar um ideal era o que o encorajava. “Nós lutávamos contra uma ditadura. Não sabia muita coisa ainda, mas eu me orgulhava do uniforme e da causa”, afirmou.

O militar viveu momentos de tensão nas trincheiras, viu muitos de seus amigos morrerem, mas se diz de consciência tranquila. “Acredito piamente que não matei ninguém nesse combate. Reconhecia a importância da causa, mas nada me fazia entender matar um amigo, outro brasileiro como eu. Colocava minha arma para cima e atirava para afugentar os inimigos, mas não matei ninguém”, garantiu.

Monteiro lutou em várias cidades do Estado, entre elas Cruzeiro. A cidade faz fronteira com Minas Gerais por um túnel ferroviário. Para evitar que as tropas inimigas invadissem São Paulo pelo local, a cidade foi palco de vários combates.

A historiadora Claudia Ribeiro, responsável pelo museu em memória da revolução, explica que a cidade perdeu cerca de 600 combatentes no local. “O túnel trouxe muitos militares para Cruzeiro para impedir invasão de tropas. O local foi palco de tiroteios e explosões. A história da cidade é marcada com o sangue derramado de uma causa legítima”, conta.

Além dos confrontos, foi em Cruzeiro que, depois de três meses de revolução, foi assinado o armistício que colocou fim ao conflito e o compromisso da constituinte.

Lendas


Benedito tinha menos de 18 anos quando foi chamado para o combate (Foto: Arquivo Pessoal/Benedito Monteiro)Na cidade, a revolução deixou, além dos fatos, lendas urbanas. Uma das histórias conta que do túnel é possível ouvir os brados de guerra e tiros dos combatentes. Nas paredes, quem toca os sulcos pode ouvir os gritos de socorro dos que perderam a vida no combate. “A revolução é parte da história da população local, são espaços e lendas urbanas fazem parte da cultura popular. Elas remontam a história da época até hoje”, disse Claudia.

Monteiro viu muitos combatentes morrerem e presenciou momentos de risco, mas acredita que ele e outros sobreviveram para não deixar essa história morrer.

“A revolução é triste por quem se foi, mas não podemos nos esquecer de onde ela nos levou. Não quero que essa memória morra, isso é o que mantém a honra de quem se foi”, diz. Benedito Monteiro é autor do livro ‘A farda e a partitura’, em que traz memórias da época.
  Benedito tinha menos de 18 anos quando foi
chamado para o combate
(Foto: Arquivo Pessoal/Benedito Monteiro) 

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