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O que acontece quando desaparece um submarino como o argentino ARA San Juan

As autoridades argentinas continuam com as buscas para tentar localizar o submarino ARA San Juan, que estava em uma missão de treinamento e desapareceu na última quarta com 44 tripulantes a bordo.
BBC Brasil


A Marinha argentina revelou que, no último contato, o subcomandante afirmou que a embarcação apresentava um curto-circuito no sistema de baterias.


O submarino fazia o trajeto entre o Ushuaia, no sul do país, e a base naval de Mar del Plata, mais ao norte, quando deixou de se comunicar e sumiu dos radares. Segundo a Marinha, a tripulação teria comida e oxigênio para mais dois dias.

O governo argentino conta com a ajuda de vários países para realizar as buscas, incluindo Brasil e Estados Unidos.

Mas quais são principais dificuldades em uma operação para localizar um submarino? A BBC tenta responder a esta e a outras perguntas sobre o tema.

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Por que a Rússia precisa de uma base militar no Irã

Bombardeiros táticos e de longa distância russos foram enviados esta semana à base aérea de Hamadan, no Irã. Segundo especialistas militares, iniciativa foi motivado por razões econômicas e pela necessidade de mudar o rumo da batalha por Aleppo.


Nikolai Litôvkin | Gazeta Russa

Um grupo de bombardeiros táticos e de longa distância da Rússia foi enviado à base aérea de Hamadan, no Irã, após a assinatura de um acordo entre Teerã e Moscou que permite que a força aérea russa utilize o aeroporto em questão para conduzir missões à Síria. 


Sukhoi Su-34

Os seis bombardeiros Tu-22M3 e os quatro Su-34, que chegaram à base na terça-feira (16), começaram imediatamente a se revezar em operações no nordeste da Síria.

“O ataque aéreo destruiu cinco grandes armazéns com armamento, munições e combustíveis, campos de treinamento nas áreas das comunidades de Serakab, al-Bab, Aleppo e Deir ez-Zor, além de um grande número de militantes”, lê-se em nota divulgada pelo Ministério da Defesa da Rússia.

No dia seguinte ao início das missões, o grupo também destruiu um posto de comando do Estado Islâmico (EI) na província de Deir ez-Zor, matando mais de 150 militantes.

Base em Hamadan

Inicialmente, os bombardeiros de longa distância Tu-22M3 estavam decolando do aeroporto de Mozdok, na Ossétia do Norte. No percurso, voavam sobre o mar Cáspio rumo ao Irã e ao Iraque, e então retornavam à base na Rússia.

No total, cada aeronave percorria uma área de quase 5.000 quilômetros. Com os tanques de combustível cheios, o Tu-22M3 acabava transportando apenas um terço de sua carga máxima, isto é, entre seis e oito toneladas de ogivas.

Segundo o Ministério da Defesa russo, o deslocamento dos aviões para a zona de combate visa a aumentar a eficácia dos voos em missão.

“Aumentamos a eficácia dos voos de longa distância em, pelo menos, três vezes. Agora, cada bombardeiro Tu-22M3 transporta cerca de 20 toneladas de ogivas e ataca de quatro a cinco alvos em cada voo”, explica Leonid Ivachov, coronel-geral aposentado e presidente do Centro Internacional de Análise Geopolítica, em Moscou.

Além disso, Ivachov ressalta que a base aérea de Hmeimim, na Síria, que já vinha sendo usada pela aviação tática da força aérea russa, não combina com o Tu-22M3. “A sua pista é muito curta e falta de infraestrutura necessária”, diz.

Hamadan, porém, não é uma base militar russa no sentido comum da palavra, segundo o diretor do Centro para Análise de Estratégia e Tecnologia, Ruslan Pukhov.

“O termo ‘base’ pode ter vários significados. Pode ser uma cidade militar com plenos direitos, ou dezenas de aviões de combate com militares em serviço. Hamadan não é Hmeimim 2”, esclarece Pukhov.

Retomada de Aleppo

De acordo com Iliá Kramnik, observador militar do site de notícias Lenta.ru, a implantação de bombardeiros russos no Irã mudará significativamente o alinhamento das forças na luta contra o terrorismo.

“Enviar Tu-22M3s e Su-34s para o Irã não significa o retorno das tropas russas para o Oriente Médio. É um movimento tático e um reforço qualitativo das forças aeroespaciais, preservando o número de aviões em operação”, afirma Kramnik.

O principal objetivo hoje da Rússia é, segundo o especialista, permitir que as tropas de Damasco obtenham vitória em Aleppo, uma tarefa que vem sendo dificultada pelas tentativas do EI de inverter o rumo da batalha usando homens-bomba.

“Uma coisa é parar um veículo militar transportando soldados de infantaria que querem sobreviver, outra é quando um veículo blindado está disparando contra você quilos de explosivos e o motorista pretende matar si mesmo e todos os demais”, diz.

Ainda segundo Kramnik, a força aérea russa enfrenta agora o desafio de destruir um acampamento onde homens-bomba são treinados, “algo que vai ajudar o Exército sírio a alterar o curso da batalha por uma das principais cidades na Síria”.

Dividendos políticos e militares

Para os especialistas, a recente iniciativa também demonstra que Moscou e Teerã estão evoluindo do modelo pragmático “fornecedor-comprador de armamento” para uma cooperação militar efetiva. No entanto, ainda é cedo para se falar em uma convergência plena entre os dois países.

“Hoje em dia, é mais fácil contar com os vizinhos com os quais a Rússia não tem problemas do que com aqueles que tem. E agora podemos ver que a Rússia está em paz com o Irã, não só em discurso, mas também na realidade”, diz Pukhov.

O observador destaca também que a operação russa na Síria não tem por objetivo exclusivo dar apoio ao governo do líder sírio Bashar al-Assad e combater o terror, mas também criar uma saída diante do isolamento político e diplomático em que o país se encontrava após o início da crise ucraniana.

“Basicamente, obrigamos nossos parceiros ocidentais a se sentar à mesa e resolver a questão do Oriente Médio juntos. Hamadan é outro sinal de que a Rússia não tem intenção de renunciar a seus interesses”, arremata Pukhov.



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