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Radicais sírios estariam recebendo armamento dos EUA através da fronteira com Jordânia

Enquanto o exército sírio parece estar pronto para uma grande ofensiva na província de Daraa, os grupos radicais que operam na região estariam recebendo grandes remessas de material bélico "Made in USA".
Sputnik

Os grupos militantes que atuam no sul da Síria receberam uma grande quantidade de armas e munições fabricadas nos EUA, incluindo mísseis antitanque TOW, informou a agência de notícias FARS.

De acordo com a FARS, o armamento foi entregue através da fronteira com a Jordânia no âmbito de um novo plano dos EUA para assegurar mais apoio a estes grupos na Síria.

A agência informou também que os grupos militantes na província de Daraa começaram a se preparar para impedir a ofensiva do exército sírio.

No início deste mês, o exército sírio intensificou as ações no sudoeste do país, controlado por radicais, perto da fronteira com a Jordânia e as Colinas de Golã, ocupadas por Israel.

O Ministério da Defesa da Rússia acrescentou que as forças do governo sírio, apoiadas por um grande a…

O emprego das VBC Fuz e das VBTP em área humanizada

Thales Ferreira da Silva - Cap Instrutor da SEOB do CI Bld
Ádamo Luiz Colombo da Silveira – TC Comandante do CI Bld 

DefesaNet

1. INTRODUÇÃO

O emprego de blindados em área humanizada está inserido no contexto atual de operações de amplo espectro no manual de campanha EB 20 – MF 10.103 (Operações). O manual destaca a participação da tropa blindada em operações ofensivas, defensivas e de estabilização.


Foz do Iguaçu (PR) – Exercício de Experimentação Doutrinária - Foto: Seção de Comunicação Social do 34º BIMec

A análise dos tipos de operações com blindados em área humanizada é muito abrangente, carecendo de uma limitação teórica. Limita-se pois o estudo nas viaturas blindadas de combate fuzileiro (VBC Fuz) ou blindadas de transporte de pessoal (VBTP) em área humanizada.

Na análise das VBC Fuz e das VBTP, destaca-se as limitações impostas pelo material ao emprego tático da fração e as capacidades destacadas do pelotão nesse tipo de operação, particularmente no combate desembarcado, limpeza de instalações e reduções das posições de armas anticarro furtivas e para destruição de viaturas blindadas leves.

A seguir, será analisado o emprego de blindados dentro do escopo da função de combate movimento e manobra, nas operações ofensivas em área humanizada, destacando os principais meios blindados empregados nesse contexto operativo.

2. DESENVOLVIMENTO

O largo emprego de tropas de fuzileiros no combate confinado da localidade é uma premissa quase universal aos planejadores militares nos dias atuais. No conflito da Segunda Grande Guerra os combatentes deslocavam-se pelas ruas, muitas vezes sob a proteção oferecida pelos carros de combate, num conflito onde ainda não se tinha popularizado o emprego das armas anticarro.

O pós 2ª Guerra Mundial foi marcado pela escalada armamentista e pelo desenvolvimento de novas tecnologias, onde pode-se reforçar o surgimento e desenvolvimento de potentes armas anticarro para fazer face aos blindados. Essa tecnologia revolucionou a tática de combate na localidade, exigindo das tropas blindadas uma maior proteção contra essa ameaça.

As tropas de fuzileiros, particularmente nos conflitos árabe-israelenses, como o do Líbano em 1982, utilizaram-se de viaturas blindadas de transporte de pessoal – VBTP M113 – para prover uma maior mobilidade e proteção às suas tropas no interior das localidades. Essa proteção era dada essencialmente contra disparos de armas de pequeno calibre, não sendo suficiente contra a nova ameaça anticarro dos mísseis e lança-rojões.

As vulnerabilidades das VBTP, como baixa blindagem e poder de fogo limitado a metralhadoras como armamento principal, ficaram evidentes principalmente quando as VBTP eram dissociadas dos carros de combate (CC), faltando-lhe um maior apoio de fogo para a manobra dos fuzileiros dentro das cidades.

Nesse contexto, surgiram principalmente no final dos anos 70 e 80 do século passado, as viaturas blindadas de combate de fuzileiros. Normalmente dotadas de um canhão de grande cadência de tiro de calibre superior a 20mm, sistemas optrônicos de direção e controle de tiro e blindagem maior que as VBTP da geração anterior, incrementaram o poder de combate das tropas de fuzileiros.

Aliadas aos CC, as VBC Fuz alteraram a balança do poder relativo de combate, já que agora as tropas de fuzileiros podiam combater a maior parte do tempo embarcadas sob a proteção da viatura.

Para contrabalançar essa inovação, as tropas regulares e insurgentes passaram a incrementar seu poder de defesa anticarro (AC), aprimorando principalmente as táticas de combate. Tornou-se comum, como foi verificado no conflito da Chechênia em 1994, a realização de tiros de emboscada dos pontos mais elevados, largo uso de obstáculos nas vias de acesso para barrar o avanço das viaturas.

Nos conflitos mais recentes, como no Iraque, Afeganistão e Síria, essa tática de combate de emboscada AC sofreu o incremento do emprego de dispositivos explosivos improvisados com alto poder de destruição, mesmo para as viaturas blindadas agora dotadas de maior proteção.

Para minimizar os efeitos anteriormente mencionados, verifica-se a necessidade de empregar as VBTP / VBC Fuz em estreita coordenação com os CC. As viaturas blindadas devem ser os elementos de apoio, emassando os fogos em prováveis postos de tiro e posições fortificadas do inimigo, além de combater viaturas blindadas inimigas no interior da localidade.

Esse apoio cerrado irá proporcionar a cobertura necessária aos fuzileiros blindados para as ações de limpeza das instalações no combate ofensivo. Em contrapartida, os fuzileiros desembarcados realizam a limpeza de posições de armas anticarro e a designação desses alvos para eliminar essa ameaça aos blindados.

3. CONCLUSÃO

O combate moderno, particularmente em área edificada, exigiu uma rápida evolução dos meios e também das táticas de combate com blindados. Nesse cenário, surgiram as VBTP/VBC Fuz, dotados de maior blindagem, grande poder de fogo, potentes optrônicos para detecção e engajamento de alvos e, sistemas de comando, controle e comunicações flexíveis.

Essas viaturas blindadas com maior poder de fogo, blindagem e mobilidade, fizeram surgir armas anticarro mais potentes e a adoção de novas táticas de combate defensivo em localidade, como o emprego combinado de obstáculos e dispositivos explosivos improvisados.

Aos comandantes militares, impõem-se a adoção de uma tática agressiva e de iniciativas que visem suplantar essas ameaças. Assim, o emprego combinado de fuzileiros desembarcados apoiados pelas VBTP/VBC Fuz e coordenados até o nível pequena fração, fará com que as tropas atacantes de uma localidade obtenham sucesso no combate ofensivo.

O ambiente de combate em localidade é complexo e de múltiplas ameaças para a tropa blindada. Somente o emprego coordenado de todas as potencialidades da viaturas blindadas com seus fuzileiros desembarcados, farão com que a tropa atacante de uma localidade obtenha sucesso na conquista de seus objetivos.

Nesse sentido, conclui-se que o Centro de Instrução de Blindados (CI Bld), é peça fundamental na difusão e padronização do conhecimento tático para as pequenas frações da tropa blindada, através de seus estágios táticos.


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