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Marinha e Aeronáutica do Brasil auxiliam buscas a submarino argentino desaparecido, diz ministro

Segundo Raul Jungmann, três navios e um avião brasileiros já foram disponibilizados. Última vez que o submarino militar com 44 pessoas a bordo manteve contato com a base foi na quarta-feira (15).
Por G1, Brasília

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, publicou em seu perfil no Twitter neste sábado (18) que três navios da Marinha brasileira "já estão auxiliando" nas buscas a um submarino argentino que desapareceu com 44 tripulantes a bordo.

Ainda segundo o ministro, a Força Aérea Brasileira (FAB) disponibilizou um avião para também ajudar na procura pelo submarino e um segundo avião "será deslocado para apoiar as buscas do submarino argentino desaparecido" a partir deste domingo (19).

O submarino militar ARA San Juan manteve contato com a base pela última vez na manhã de quarta-feira (15), quando estava no sul do Mar Argentino, a 432 quilômetros da costa patagônica do país.

De acordo com a FAB, o primeiro avião disponibilizado pelo Brasil decolou, com 18 tripulantes, às 17…

EUA na Síria: Como construir um estado terrorista

Toni Cartalucci* | New Eastern Outlook
Traduzido por Vila Vudu


Uma nação é suas instituições. Se essas instituições são enfraquecidas, a própria nação é enfraquecida. E se essas instituições são destruídas, a nação, em relação a todos os próprios objetivos e projetos, também será destruída. 


Grupo terrorista financiado pelos EUA em IDLEB-Síria

Exemplo dramático de como destruir uma nação apareceu aos olhos do mundo em 2003 no Iraque, quando o ‘eixo’ comandado pelos EUA invadiu e ocupou o país, atacando e explodindo deliberadamente as instituições e a infraestrutura essencial do Iraque, inclusive Polícia, Forças Armadas e o governo, assim como pontes, usinas geradoras de energia e comunicações.

Nas ruínas que restavam, completadas a invasão e a destruição comandadas pelos EUA, e instalada lá uma “Autoridade Provisória da Coalizão” [ing. Coalition Provisional Authority], empresas norte-americanas e europeias foram convidadas, não só para reconstruir instituições e infraestrutura, mas para fazê-lo de tal modo que o que viesse a existir tornasse o país dependente de, e lucrativo para, os interesses empresariais-financeiros de EUA-Europa, para todo-sempre, até a consumação dos tempos.

A enorme influência que o Ocidente tem hoje no Iraque é efeito desse processo. Embora o Ocidente provavelmente esperasse criar um estado-cliente muito mais cordato e servil aos interesses ocidentais que o Iraque de hoje, a cumplicidade que recebe ali e mesmo por toda a região é muito maior do que foi antes da invasão em 2003.

O Departamento de Estado dos EUA, mediante a Dotação Nacional para a Democracia [ing. National Endowment for Democracy, NED] e a Agência dos EUA para Desenvolvimento Internacional [ing. EUA Agency for International Development, USAID], continua a minar instituições locais independentes e a infraestrutura em favor de instituições financiadas e dirigidas pelos EUA e infraestrutura controlada pelos EUA. Essa é a mecânica do império de nossos tempos modernos.

Enquanto o Iraque é exemplo extremo de o quanto o processo pode ser escancarado e de o quanto pode ser extremado, os EUA repetem o mesmo processo por todo o mundo, com operações militares diretas e indiretas ou mais sutilmente, servindo-se de organizações “não governamentais” (ONGs).

O próspero estado terrorista dos EUA no Levante


Na Síria, os EUA arquitetaram e perpetuaram uma guerra por procuração contra o governo de Damasco e seus aliados russos e iranianos, iniciada em 2011. Antes até do início do conflito armado em 2011, os EUA fizeram jorrar recursos sobre grupos de oposição (ação que os EUA já admitiram), inclusive para a Fraternidade Muçulmana, para preparar o campo para subversão violenta.

Em 2007, o jornalista e Prêmio Pulitzer Seymour Hersh escreveria em artigo de nove páginas, “The Redirection: Is the Administration’s new policy benefitting our enemies in the war on terrorism?“, que:

Para minar o Irã, que é predominantemente xiita, o governo Bush decidiu, com efeito, reconfigurar suas prioridades no Oriente Médio. No Líbano, o governo cooperara com a Arábia Saudita, que é sunita, em operações clandestinas que visavam a enfraquecer o Hezbollah, organização xiita apoiada pelo Irã. Os EUA também participaram em operações clandestinas contra o Irã e sua aliada, a Síria. Subproduto dessas atividades foi o estímulo ao crescimento de grupos sunitas extremistas que abraçam uma visão militante do Islã e são hostis aos EUA e simpáticos à Al Qaeda.


A matéria de Hersh, hoje reconhecida como profética, revelaria também que os EUA apoiavam a Fraternidade Muçulmana:

Há provas de que a estratégia de redirecionamento do governo já beneficiara a Fraternidade. A Frente Síria de Salvação Nacional é uma coalizão de grupos de oposição cujos principais membros são uma facção comandada por Abdul Halim Khaddam, ex-vice-presidente sírio que desertou em 2005, e a Fraternidade. Um ex-funcionário de alto escalão da CIA disse-me: “Os norte-americanos garantiram apoio político e financeiro. Os sauditas estão à frente, em matéria de apoio financeiro, mas os norte-americanos também estão lá’.”


Os EUA, mediante o apoio que davam a uma grande frente de oposição, já estavam adiantados no processo em 2007, rumo a criar um estado paralelo dentro da Síria, que com o tempo minaria e derrubaria, antes de eventualmente absorvê-la, a nação síria.

Com as hostilidades começando, os EUA aumentaram os contatos políticos por procuração com fronts de oposição na mídia e com grupos militantes – essencialmente, para criar uma mídia de massas e um exército para o seu já então crescente estado terrorista paralelo.

O New York Times em 2013 admitiria num artigo intitulado Arms Airlift to Syria Rebels Expands, With Aid From CIA [Cresce entrega aérea de armas a rebeldes sírios, com ajuda da CIA] que:

Com ajuda da CIA, governos árabes e a Turquia aumentaram muito a ajuda militar para a oposição síria nos meses recentes, expandindo a entrega secreta, por via aérea, de armas e equipamentos para os rebeldes contra o presidente Bashar al-Assad, segundo dados do tráfego aéreo, entrevistas com oficiais em vários países e relatos de comandantes rebeldes.


Com a guerra prosseguindo, os EUA e seus aliados árabes e europeus passaram a construir outras instituições para aumentar as capacidades políticas, militares e midiáticas de seu já então próspero estado terrorista, incluindo hospitais operados em território controlado pela Al-Qaeda e mantidos por ONGs ocidentais; e, claro, os chamados “Capacetes Brancos”, descritos como segue no próprio website:

Os voluntários socorrem pessoas dos dois lados do conflito – jurando respeitar os princípios de “Humanidade, Solidariedade e Imparcialidade”, como expostos pela Organização de Defesa Civil Internacional. Esse compromisso guia cada resposta, cada ação, cada vida salva – de tal modo que em tempos de destruição, todos os sírios tem esperança de ajuda e salvação.


Na verdade, os “Capacetes Brancos” só operam em território controlado por terroristas, dado que o estado sírio tem organização de defesa civil efetiva, profissional e de alta qualificação. Os “Capacetes Brancos” parecem ser “intencionalmente atacados” apenas porque trabalham lado a lado com várias organizações terroristas, inclusive a Frente Al Nusra que é, literalmente, Al-Qaeda na Síria.

Num vídeo (aqui excluído), esses “Capacetes Brancos” auxiliares da Al Qaeda são vistos ao lado, literalmente assistindo à cena, quando terroristas da Frente Al-Nusra executa um prisioneiro; na sequência, os “Capacetes Brancos” correm para remover o corpo. Se aviões sírios ou russos atacassem esses terroristas no momento em que cometiam crimes de guerra, esses “Capacetes Brancos” seriam fatalmente liquidados, muito justamente, ao lado dos terroristas com os quais colaboram, como cúmplices.

Apesar de os “Capacetes Brancos” serem auxiliares dos terroristas da Al-Qaeda, EUA e USAID e mais recentemente o governo alemão, continuam a alimentar com milhões de dólares essa falsa ONG.

O vice-porta-voz do Departamento de Estado dos EUA Mark Toner, admitiria em abril de 2016,segundo transcrição oficial do Departamento de Estado dos EUA:

Bem, posso dizer que demos, através da USAID, cerca de $23 milhões em ajuda para eles [os “Capacetes Brancos”].


Toner respondia perguntas de jornalistas sobre as ONGs que receberiam milhões de dólares a título de ajuda, mas cujo líder está proibido de entrar em território dos EUA. Toner tentou argumentar que a situação era “complicada”, mas, na verdade, é simples caso de os EUA, mais uma vez, estarem armando e financiando terroristas no exterior, ao mesmo tempo que, para efeito doméstico, mentem que estariam combatendo contra eles.

Mais recentemente, a agência AP noticiou, num artigo intitulado “Alemanha aumenta a quantia de apoio financeiro para os ‘Capacetes Brancos’ na Síria”, que:

Ministério de Relações Exteriores da Alemanha diz que está aumentando o apoio financeiro que dá ao grupo de Defesa Civil na Síria, também conhecido como “Capacetes Brancos”.

O Ministério disse em declaração na 6ª-feira que esse ano aumentou a contribuição que dá ao grupo, de 5 milhões de euros ($5,61 milhões) para 7 milhões de euros ($7,85 milhões).


Com um partido político sectário extremista como a Fraternidade Muçulmana, uma força armada constituída de al-Qaeda e outros grupos extremistas e uma rede de ONGs cúmplices, entre as quais os “Capacetes Brancos”, os EUA e aliados tentaram criar um estado paralelo dentro da Síria – estado paralelo que os EUA esperam que, eventualmente, herdará todo o território sírio, assim como violentas facções sectárias terroristas assumiram o controle sobre toda a Síria – desconstruindo um estado-nação plenamente operante e lançando o povo líbio num estado de catástrofe perene, que reverbera por todo o planeta, sob a forma de crises de terrorismo e de migrantes condenados a vagar pelo mundo.

Os EUA e parceiros dizem que estariam combatendo terroristas, enquanto desmontam nações para entregar as ruínas à al-Qaeda e afiliados, seja na Líbia, no norte da África, seja na Síria, no Levante. É uma política exterior que na realidade desmente toda a retórica criada com o objetivo de promovê-la e perpetuá-la no cenário global, especialmente no cenário da ONU.*****

*Tony Cartalucci, que vive em Bangkok, é escritor e pesquisador em geopolítica, colaborador especialmente da revista online New Eastern Outlook”.


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