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Moscou revela fotos de material bélico dos EUA nas posições do Daesh

O Ministério da Defesa da Rússia publicou na sua conta no Facebook fotos aéreas de posições do Daesh (organização proibida na Rússia), perto da cidade de Deir ez-Zor, nas quais se vê material bélico dos EUA.
Sputnik

"Graças às fotografias aéreas captadas entre 8 e 12 de setembro de 2017, perto das posições do Daesh foi detectado um grande número de veículos blindados norte-americanos Hummer que estão em serviço das forças especiais dos EUA", informou o ministério.


Segundo o ministério, nas fotos é claramente visível o posicionamento das forças especiais dos EUA em pontos de apoio que anteriormente foram equipados pelos terroristas. Nas fotos não há nenhuns vestígios de ataques, bem como de confrontos com os terroristas ou crateras provocadas por ataques aéreos realizados pela coalizão internacional liderada pelos EUA.

"Embora os pontos de apoio dos destacamentos das Forças Armadas dos EUA estejam nas zonas das atuais posições do Daesh, não existem quaisquer vestígios de pre…

Thierry Meyssan: Simulacro de Paz

Thierry Meyssan | Rede Voltaire

Enquanto o cessar-fogo na Síria, concluído pelo secretário de Estado norte-americano e o seu homólogo russo, parecia durar — descontadas as tentativas israelitas desde o primeiro dia —, o Pentágono atacou pela segunda vez o Exército Árabe Sírio. Ele garantiu que se tratou de um erro, mas a reação da embaixatriz norte-americana na ONU leva pelo contrário a pensar na execução de um plano. Em que joga Washington ?


Samantha Power, embaixatriz norte-americana na ONU

Ao negociar um cessar-fogo com os Estados Unidos a Rússia sabia que não o respeitariam mais que aos precedentes. Mas, Moscou esperava avançar na via do reconhecimento de um mundo multipolar. Washington, pelo seu lado, colocava em primeiro plano o fim do mandato Obama para justificar a assinatura de um acordo de última hora.

Deixemos de lado a tentativa israelita de aproveitar a trégua para atacar Damasco e o Golã. Telavive teve que enfrentar tiros de mísseis de nova geração, perdeu um avião e teve que reparar um segundo. Parece que a Síria está agora à altura de contestar o domínio aéreo de Israel na região.

Deixemos igualmente de lado os chefes de Estado e de governo Europeus que aplaudiram este acordo sem conhecer o conteúdo do mesmo, e se cobriram, assim, de ridículo.

Passemos aos factos: em última análise, o comboio humanitário da ONU estava cheio de armas e munições. Ele espera ainda na fronteira turca, oficialmente porque a estrada não é segura, oficiosamente porque a Síria exige poder revistá-lo antes de o deixar passar. Este modo de atuação das Nações Unidas corresponde às revelações do antigo chefe do Serviço de anti-terrorismo turco, Ahmet Sait Yayla, atualmente em fuga: o Pentágono e a Turquia utilizam os comboios de ajuda humanitária para armar os jihadistas.

Em seguida, o Pentágono atacou uma posição defensiva Síria em Deir ez-Zor. Só parou quando a Rússia o advertiu do seu «erro». E, ele deixou os jihadistas prosseguirem o ataque sobre a via que lhes tinha aberto.

No plano estratégico, impedir o Exército Árabe Sírio de libertar o conjunto da província de Deir ez-Zor é manter o Daesh (E.I.) no seu papel de obstáculo sobre a via Damasco-Bagdad-Teerã. Antes, o Pentágono tinha deixado o Daesh instalar-se em Palmira, a etapa histórica da «Rota da Seda». Atualmente, a estrada continua cortada do lado iraquiano pelos jihadistas, mas poderia ser contornada por Deir ez-Zor se os Iraquianos libertarem Mossul.

De um ponto de vista norte-americano o acordo era apenas um meio de ganhar tempo, de aprovisionar os jiadistas e de retomar a guerra. Invertendo a situação pelo plano diplomático, a Rússia convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança provocando o pânico em Washington. Com efeito, este período não corresponde só ao fim do mandato Obama, mas, também, à realização da sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Manifestamente inquieta, a embaixatriz dos EUA no Conselho de Segurança, Samantha Power, deixou a sala do Conselho em plena sessão para falar com os jornalistas. Ela esperava assim que os primeiros despachos das agências só tratassem do ponto de vista norte-americano. Portanto ela ironizou com «a encenação» russa acerca do que não passaria de um simples «incidente» de ataque (62 mortos e uma centena de feridos!). Depois, lançou-se numa diatribe sobre os crimes muito mais graves do regime de Damasco. Alertado para a manipulação, o embaixador russo, Vitali Churkin, deixou então, por sua vez, a sala do Conselho para vir dar o seu ponto de vista. Prudentes, os jornalistas, aos quais a Câmara dos Comuns britânica acaba de relembrar as mentiras da Srª Power a propósito dos supostos crimes de Muammar Kaddafi, deram notícia de ambas intervenções.

Agora, a Rússia vai aproveitar a sua vantagem diplomática: os Estados Unidos foram apanhados em flagrante delito de traição. Moscou poderia, pois, utilizar a Assembleia Geral para anunciar a sua vontade de acabar com os jihadistas. A manipulação dos EUA iria virar-se contra aqueles que a fabricaram. Washington não teria mais que duas opções: ou envolver-se numa confrontação aberta que não deseja, ou aceitar que os seus protegidos percam a partida.


Thierry Meyssan: Intelectual francês, presidente-fundador da Rede Voltaire e da conferência Axis for Peace.


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