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Por que negociações entre Washington e Pyongyang estão condenadas ao fracasso?

Em vez de proferir mais ameaças, a administração Trump deve mostrar que é um parceiro de negociação confiável, escreve o The National Interest, acrescentando que é importante enviar sinais claros agora.
Sputnik

O presidente norte-americano Donald Trump continua tratando a sua administração como uma brigada de salvamento para a diplomacia internacional, mas os norte-coreanos não são estúpidos e não confiam em promessas, afirma o autor do The National Interest Doug Bandow no seu recente artigo.


"O desmantelamento nuclear da Líbia, em muito forçado pelos EUA no passado, se revelou um modo de agressão por meio da qual os norte-americanos convenceram os líbios com tais palavras doces como 'garantia de segurança' e 'melhoramento das relações' para desarmar o país e depois destruí-lo pela força", conforme notou o Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Norte, acrescentando que os norte-coreanos percebem as intenções dos EUA.

O autor, lembrando o caso da Líbia, …

Armada nuclear enviada por Trump à Coreia do Norte tomou o rumo contrário

Frota que os EUA anunciaram em direção à Península Coreana fez manobras conjuntas com a Austrália


Jan Martínez Ahrens | El País


Washington - Todos participaram da narrativa do engano. Os almirantes, o secretário de Defesa e até o presidente. A Administração Trump viveu nesta terça-feira um momento constrangedor ao se descobrir que a frota nuclear de dissuasão que supostamente se dirigia à Península da Coreia para mostrar os dentes ao regime de Pyongyang nunca tomou essa direção, mas navegou no sentido contrário. O disparate, mantido durante 10 dias sem retificação e finalmente revelado pela mídia norte-americana, enlameia a credibilidade da cúpula militar, incluindo o secretário de Defesa, Jim Mattis, e põe em dúvida o rigor de sua estratégia em um dos conflitos mais voláteis e delicados do planeta. 


O porta-aviões Carl Vinson, no Golfo Pérsico.

O porta-aviões Carl Vinson, no Golfo Pérsico. AFP

A ordem era clara. O almirante Harris Harris anunciara que o porta-aviões nuclear Carl Vinson e seu poderoso grupo de combate se dirigiam de Cingapura para a Coreia. Era 8 de abril e dois dias antes os Estados Unidos haviam bombardeado o regime sírio. Energizados pelo ataque às tropas de Bashar al-Assad, os militares explicaram que o deslocamento naval tinha como objetivo responder à Coreia do Norte, cuja corrida “temerária, irresponsável e desestabilizadora” para conseguir um míssil intercontinental com capacidade atômica a havia transformado no “perigo número um da região” Em 11 de abril, o antigo tenente-general Mattis confirmou publicamente a missão e no dia seguinte o próprio presidente insistiu em que havia sido “enviada uma poderosa armada”. A possibilidade de um ataque preventivo se agigantou.

O mundo começou a tremer. A escalada da tensão era alimentada por Washington e Pyongyang. As armas estavam sobre a mesa. Tudo se encaixava. Exceto um detalhe: o porta-aviões, segundo The Washington Post e The New York Times, se achava naquele momento a 5.600 quilômetros da Península Coreana e navegava em direção contrária, especificamente no rumo do Índico para participar de manobras conjuntas com a Marinha australiana.

Ninguém teria sabido se a própria Armada não tivesse divulgado na segunda-feira uma série de fotografias tiradas no dia anterior do navio cruzando o Estreito de Sunda, entre Java e Sumatra. A mais de 5.000 quilômetros de seu teórico destino.

Agora, algumas fontes militares afirmaram que não se corrigiu a tempo o itinerário da frota, prefixado para as manobras conjuntas, e outras indicaram que se quis dar tempo à China para que pressionasse a Coreia do Norte. De qualquer modo, o porta-aviões, desta vez, sim, se dirige à Península Coreana. E chegará a seu destino na semana que vem. Supostamente.


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