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Pequim acha que exercícios dos EUA e da Coreia do Sul escalam situação na região

Os exercícios conjuntos dos EUA e da Coreia do Sul não contribuem para a desescalação na península coreana, acrescentou na segunda (21) a representante oficial Hua Chunying.
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Os exercícios conjuntos Ulchi Freedom Guardian (UFG) se iniciaram na Coreia do Sul na segunda-feira. 


"Os exercícios conjuntos dos EUA e da Coreia do Sul não contribuem para a desescalação da situação na península coreana, bem como para os esforços das partes no sentido de realizar negociações", comunicou Hua Chunying durante o briefing.

Ela chamou os EUA, a Coreia do Sul e os outros países a darem passos construtivos que contribuam para o reinício das negociações e para a regularização racional do problema nuclear da península Coreana.

Cerca de 50 mil militares sul-coreanos e 17 mil norte-americanos participam dos exercícios.

Anteriormente havia sido comunicado que os EUA e a Coreia do Sul acordaram influenciar Pyongyang com o deslocamento de armas estratégicas norte-americanas – submarinos nuclear…

Especialista sobre Coreia do Norte: 'Eles apenas querem que os deixem em paz'

Hoje em dia, se está criando a impressão que o mundo está à beira de uma grande guerra, particularmente no que se trata da tensão existente entre os EUA e a Coreia do Norte. O editor-chefe da revista Natsionalnaya Oborona ("Segurança Nacional" em russo), Igor Korotchenko, revela os principais cenários para o desenvolvimento da situação.


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De acordo com os dados disponíveis, Trump ordenou enviar um grande grupo naval de ataque encabeçado por um porta-aviões nuclear à costa coreana. Mas também há informações de que, e isto é o mais perigoso, para a região teriam sido enviados submarinos americanos portadores de mísseis de cruzeiro Tomahawk.

Uma mulher norte-coreana equilibra um balde na cabeça, enquanto homens fumam na rua no final de um dia de trabalho, na quarta-feira, 22 de junho de 2016, em Wonsan, Coreia do Norte.
Cotidiano em Wonsan, Coreia do Norte © AP Photo/ Wong Maye-E

A Marinha dos EUA possui 4 submarinos desse tipo, sendo que cada um deles porta 154 mísseis Tomahawk de baseamento marítimo. Ou seja, tudo em conjunto isto quer dizer que os EUA dispõem de um potencial que pode ser usado contra a Coreia do Norte, realça o especialista ao serviço russo da Rádio Sputnik.

A avaliação deste potencial mostra que a capacidade conjunta destes submarinos é por volta de 600 mísseis de cruzeiro. Além disso, há um certo número do mesmo tipo de mísseis nos navios militares americanos que se dirigiram à região. Deste modo, "o potencial para um ataque preventivo americano contra a Coreia do Norte conta com mais de 700 mísseis Tomahawk", adianta Korotchenko.

"Se tal operação por parte dos EUA começar em um instante, isto quer dizer que a Coreia do Norte não poderá repelir um ataque tão maciço. Já que 700 mísseis Tomahawk superam até um sistema antiaéreo moderno, enquanto na Coreia do Norte continuam estando instalados sistemas e complexos antiaéreos soviéticos antigos", explica o analista.

Por isso, há um risco, no caso de um ataque contra a Coreia do Norte, que Trump não descarta, pelo menos nas suas declarações públicas, Kim Jong-un autorize o uso de armas nucleares como medida de resposta.

"Ninguém sabe de que modo estas armas nucleares serão utilizadas e aplicadas. Porém, é evidente que o primeiro ataque pode ser efetuado contra a Coreia do Sul, onde existe um grande contingente militar americano", prosseguiu.

Também não se pode descartar a possibilidade de que Kim Jong-un tenha uma equipe especial, cujo objetivo é realizar ações de resposta contra Pyongyang 
caso seja efetuado um ato de agressão. Pode ser que uma ou duas munições nucleares estejam inseridas em submarinos.

"Em seguida, este submarino poderá se dirigir à costa sul-coreana, japonesa ou americana, onde poderá efetuar um ataque nuclear. É um cenário terrível, tudo isso coloca o mundo à beira da Terceira Guerra Mundial. Acredito que durante as conversações [entre o secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, e o chanceler russo, Sergei Lavrov] nós, mais uma vez, fizemos os americanos entenderem todos os riscos da confrontação política e militar que eles estão fomentando hoje, bem como as possíveis consequências tenebrosas e horrorosas", expressou o jornalista.

Korotchenko frisou que, qualquer quer que seja a diferença entre o regime norte-coreano e os padrões da democracia ocidental, Pyongyang também tem sua própria lógica que pode ser entendida.

"Eles não são malucos. Eles apenas querem que os deixem em paz", explicou.

"No entanto, quanto se reúne um tal poderio naval para, provavelmente, efetuar um ataque, deixa de ser possível prognosticar as ações das autoridades norte-coreanas. Assumindo que a Coreia do Norte use armas nucleares contra os mísseis Tomahawk americanos, isto quer dizer que os EUA também começarão uma guerra nuclear se efetuarem um ataque de resposta, já que os navios de guerra americanos têm armas nucleares. Por isso, a situação pode ser pior do que a Crise dos Mísseis de Cuba de 1962. E Trump se deve dar conta que as apostas feitas no jogo que ele começou podem ser terríveis pelas suas consequências catastróficas. Em caso algum se pode permitir que isso aconteça", partilhou.

Há pouco, houve algumas comunicações que Pyongyang estaria evacuando a população, porém, o especialista não se apressou a confiar em tais dados.

"Tenho certeza que a Coreia do Norte nunca será a primeira a atacar. Já que a lógica do seu regime é a lógica de sobrevivência. Se não os tocar, eles nunca vão atacar ninguém. Os EUA, por sua vez, parecem uma pessoa que, se apoderando de uma vara, a enfia em uma toca de urso. E quanto o urso furioso sair de lá, já vai ser tarde demais", disse Korotchenko.

"Pelo visto, os EUA estão inclinados para uma solução de força. Mas, neste caso, serão afetados os aliados mais próximos dos EUA. Já nem falo do risco de uma troca de ataques nucleares entre a Coreia do Norte e os EUA. Isto afetará inevitavelmente os interesses do Japão, outro aliado importante dos EUA. De qualquer modo, já há uma esperança que as autoridades sul-coreanas e japonesas tentem conter Trump de ações aventureiras. E, finalmente, uma ação tão maciça como uma declaração de guerra precisa de um mandato do congresso americano. Espero que ao menos uma parte dos congressistas americanos se manifeste contra esta aventura militar", resumiu.


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