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EUA confirmam linha estratégica de 'desmembramento da Síria', diz analista

Os EUA declararam que não querem restaurar as regiões na Síria que estão sob o controle de Damasco. O especialista Vladimir Fitin explica na entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik o que busca Washington.
Sputnik

Os EUA não querem ajudar na reconstrução das regiões na Síria que ficam sob o controle do presidente sírio Bashar Assad, declarou um alto funcionário dos EUA após o primeiro dia do encontro dos ministros das Relações Exteriores do G7.


Em janeiro, o Departamento de Estado dos EUA afirmou que Washington não iria ajudar a Rússia, o Irã e Damasco oficial na restauração do país, enquanto a "transformação política" da Síria não se realizasse. Segundo declarou o assistente adjunto do secretário de Estado dos EUA para o Médio Oriente, David Satterfield, a condição da ajuda é a reforma constitucional e eleições sob os auspícios da ONU.

O analista do Instituto dos Estudos Estratégicos da Rússia, Vladimir Fitin, na entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik comentou a decla…

A arma secreta da Coreia do Norte: uma economia em crescimento

Em alguns bairros da capital multiplicam-se Mercedes e BMW, edifícios de luxo, supermercados modernos e lojas com as últimas tendências da moda.


David Volodzko | Publico

Num momento em que as Nações Unidas acabam de impor um novo pacote de sanções à Coreia do Norte em resposta às suas provocações nucleares, talvez importe tentar perceber o porquê de este tipo de sanções falharem há mais de uma década. E uma delas é que a economia norte-coreana tem crescido mais do que se pensa – e que isso torna significativamente mais difícil o seu bloqueio por intermédio de sanções.


As reformas económicas implementadas em 2011 têm começado a fazer efeito
As reformas económicas implementadas em 2011 têm começado a fazer efeito KCNA/REUTERS

As sanções actuais baseiam-se em parte na premissa de que a economia da Coreia do Norte é um pesadelo socialista, mas esse já não é o caso. Embora o país ainda seja pobre, as estimativas apontam para que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha crescido 3,9% em 2016, estabelecendo-se em cerca de 28,5 mil milhões de dólares, o maior crescimento dos últimos 17 anos. Os salários têm subido rapidamente, e o PIB per capita está agora ao nível do Ruanda, que costuma ser apontado como um exemplo económico em África.

Este progresso deve-se em parte ao comércio permanente com a China que, não obstante os pedidos da comunidade internacional, se tem mostrado relutante em asfixiar ainda mais o país vizinho. Por exemplo, embora a China tenha aceitado em Fevereiro proibir a importação de carvão norte-coreano, a importação de ferro disparou, e as trocas comerciais globais entre os dois países registaram uma subida de 10,5% nos primeiros seis meses do ano, cifrando-se nos 2,55 mil milhões de dólares.

Nos últimos anos, as reformas económicas implementadas em 2011 têm começado a fazer efeito, permitindo aos gestores das fábricas estabelecerem salários, escolherem os próprios fornecedores e contratarem e despedirem funcionários. A agricultura em colectividade foi substituída por um sistema de gestão familiar, o que tem permitido colheitas muito mais substanciais. E o governo tem até tolerado alguma iniciativa privada.

Os resultados são surpreendentes. Os vendedores de rua, antes uma raridade, são agora uma visão comum em Pyongyang. Em alguns bairros da capital multiplicam-se Mercedes e BMW, edifícios de luxo, supermercados modernos e lojas com as últimas tendências da moda. Embora o governo negue ter abandonado o tradicional sistema socialista, as provas são irrefutáveis: há estimativas que afirmam que o sector privado já representa quase metade do PIB.

Há que tomar em conta, contudo, que a pobreza generalizada em que o país ainda está mergulhado faz com que pequenas melhorias, sejam na agricultura ou na gestão dos desastres naturais, originem subidas acentuadas do crescimento económico. O impressionante crescimento do PIB no último ano deveu-se, em grande parte, à recuperação de uma grave seca que afectou a Coreia do Norte em 2015.

Para a população, a subida do nível de vida é obviamente uma boa notícia. O problema é que a economia ainda tem uma grande margem de crescimento antes que o progresso necessite do levantamento das sanções comerciais. Tal significa que pode demorar anos até que as novas sanções obriguem a uma mudança radical de comportamento. Até lá, a manutenção da ideologia nacional de auto-suficiência, conhecida por juche, parece uma possibilidade plausível.

O ditador Kim Jong-un parece querer seguir as pisadas do sul-coreano Park Chung-hee ou do chinês Deng Xiaoping, ou seja, tornar-se num reformista económico com mão de ferro. Não obstante as repetidas violações dos direitos humanos, Park continua bem vivo na memória dos sul-coreanos por ter conduzido o país ao progresso económico. E Deng ficou para a História como um dos maiores responsáveis por tornar a China no gigante económico que é hoje. É fácil imaginar que, se o arsenal nuclear de Kim conseguir manter o poderio militar americano ao longe durante tempo suficiente, o líder norte-coreano pode deixar um legado parecido.

É claro que Kim enfrenta ainda enormes desafios, a começar pelas sanções que afastam a Coreia do Norte do mercado global. Os apparatchiki mais ortodoxos podem opor-se a novas reformas, uma população mais próspera pode começar a questionar a legitimidade de um governo comunista num país cada vez mais capitalista, e as bolhas de mercado podem desestabilizar a economia. Mas mesmo a braços com uma pressão exterior excruciante e recursos limitados, a Coreia do Norte tem conseguido nos últimos anos atingir os seus objectivos. E mais crescimento económico só pode ajudar.


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