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Por que negociações entre Washington e Pyongyang estão condenadas ao fracasso?

Em vez de proferir mais ameaças, a administração Trump deve mostrar que é um parceiro de negociação confiável, escreve o The National Interest, acrescentando que é importante enviar sinais claros agora.
Sputnik

O presidente norte-americano Donald Trump continua tratando a sua administração como uma brigada de salvamento para a diplomacia internacional, mas os norte-coreanos não são estúpidos e não confiam em promessas, afirma o autor do The National Interest Doug Bandow no seu recente artigo.


"O desmantelamento nuclear da Líbia, em muito forçado pelos EUA no passado, se revelou um modo de agressão por meio da qual os norte-americanos convenceram os líbios com tais palavras doces como 'garantia de segurança' e 'melhoramento das relações' para desarmar o país e depois destruí-lo pela força", conforme notou o Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Norte, acrescentando que os norte-coreanos percebem as intenções dos EUA.

O autor, lembrando o caso da Líbia, …

Por que chegou o tempo para se preparar para o pior com Coreia do Norte?

O fracasso é uma opção, especialmente quando se trata da política dos EUA sobre a Coreia do Norte, expressa o The National Interest.


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De acordo com o autor do artigo publicado no The National Interest, Matthew Costlow, os EUA perderam décadas tentando desnuclearizar e pacificar o regime de Kim Jong-un, mas, entretanto, os EUA continuam provocando a Coreia do Norte com sanções e ameaças.


Líder norte-coreano Kim Jong-un observa teste de um míssil
Kim Jong-un © REUTERS/ KCNA

Os fracassos anteriores dos EUA na política de dissuasão e na diplomacia levaram a dezenas de mortos e à perda de milhões de dólares. Os fracassos do futuro podem levar à morte de milhares de pessoas e perdas de trilhões de dólares, opina Costlow. Por isso, de acordo com ele, as autoridades dos EUA devem preparar-se para o fracasso.

A dificuldade da dissuasão é que ela não funciona da mesma forma universalmente, devido às diferenças dos valores culturais que cada líder possui. Para demonstrar isso, os psicólogos mostraram as mesmas imagens para cidadãos da Ásia Oriental e ocidentais. Os dois grupos de interrogados, que observaram as mesmas imagens, deram respostas bem diferentes respondendo às questões de psicólogos.

A mesma dinâmica, de acordo com o autor, parece existir na península de Coreia. Há pouco tempo, os EUA decidiram não utilizar seus bombardeiros nos exercícios com a Coreia do Sul para mostrar à Coreia do Norte a sua vontade de desescalar a situação. Mas depois disso a Coreia do Norte testou a sua maior arma nuclear. De acordo com o comandante das Forças dos EUA na Coreia do Sul, Vincent Brooks, "aparentemente as alterações nos exercícios não tiveram efeito". Ambas as partes observaram a mesma imagem, mas as respostas foram diferentes.

De fato, há uma forte evidência que os líderes norte-coreanos possuem valores culturais radicalmente diferentes dos EUA. Os países do Sudeste Asiático, e em particular a Coreia do Norte, avaliam grandemente a honra e estão dispostos a muito para defendê-la.

Tomando em consideração o fracasso possível da política de dissuasão e da diplomacia, de acordo com Costlow, os EUA devem tomar medidas políticas e militares para diminuir os efeitos do fracasso.

Assim, de acordo com ele, os EUA devem ter capacidade de interceptar quaisquer mísseis nucleares norte-coreanos. Isso, por sua vez, significa que o Congresso deve gastar mais no desenvolvimento dos sistemas de defesa antimíssil, reforçar o desenvolvimento tecnológico conjunto com o Japão e melhorar a capacidade de detecção dos seus radares e satélites.

Se a diplomacia fracassar, finaliza ele, os EUA devem alargar as sanções, abrangendo qualquer país que apoie economicamente a Coreia do Norte. Além do mais, os EUA devem apoiar o maior uso de missões de interdição marítima no âmbito da Iniciativa de Segurança contra a Proliferação e exortar os países que não são parte dela à cooperação no âmbito da segurança.


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