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O que acontece quando desaparece um submarino como o argentino ARA San Juan

As autoridades argentinas continuam com as buscas para tentar localizar o submarino ARA San Juan, que estava em uma missão de treinamento e desapareceu na última quarta com 44 tripulantes a bordo.
BBC Brasil


A Marinha argentina revelou que, no último contato, o subcomandante afirmou que a embarcação apresentava um curto-circuito no sistema de baterias.


O submarino fazia o trajeto entre o Ushuaia, no sul do país, e a base naval de Mar del Plata, mais ao norte, quando deixou de se comunicar e sumiu dos radares. Segundo a Marinha, a tripulação teria comida e oxigênio para mais dois dias.

O governo argentino conta com a ajuda de vários países para realizar as buscas, incluindo Brasil e Estados Unidos.

Mas quais são principais dificuldades em uma operação para localizar um submarino? A BBC tenta responder a esta e a outras perguntas sobre o tema.

Por que submarinos não podem ser detectados?


Os submarinos são construídos para serem difíceis de se encontrar. O papel deles é participar, com frequênc…

Tancos: militares e políticos perplexos com ministro da Defesa de Portugal

Militares e políticos estão perplexos com entrevista do ministro da Defesa, que colocou a hipótese “por absurdo” de não ter havido furto nos paióis de Tancos


Luísa Meireles | Expresso


Já não há a rubrica das “piadas de caserna” mas, se as houvesse, o ministro da Defesa ficava com as orelhas a arder. A entrevista que ontem deu ao Diário de Notícias/TSF – a primeira depois de ter recebido os relatórios que encomendou sobre o assalto aos paióis de Tancos – está a ser alvo de chacota entre os militares, e do Exército em particular.

Ministro Azeredo Lopes declarou-se disponível para ir ao Parlamento | MARCOS BORGA

Nada confortável com o facto de Azeredo Lopes atribuir as culpas, por meias palavras, ao Exército, um militar no ativo deste ramo confessou ao Expresso que, no mínimo “o ministro perdeu uma boa oportunidade para estar calado”. Um outro, que também pediu o anonimato, classificou a entrevista como “uma mão cheia de nada”, porque o ministro lançou várias suposições e não esclareceu nada.

O major-general na reserva Carlos Branco adiantou, por sua vez, que a entrevista se assemelhou mais a “uma conversa de café”, porque “um ministro, com as responsabilidades que tem, não pode levantar meras hipóteses, tem que dar explicações, sob pena de parecer que quis apenas chamar par si o palco mediático”. Para além de que – reiterou – não é aceitável que lance por meias palavras a possibilidade de haver cumplicidades internas, depois de já ter na sua posse os relatórios que pediu, tanto aos ramos como à Inspeção-Geral de Defesa.

De acordo com as fontes militares ouvidas pelo Expresso, “o mais grave é a degradação muito grande das Forças Armadas, onde falta tudo, e o pior é a carência de recursos humanos”. Para um dos oficiais, “as FA cumprem com brilhantismo as missões que lhe são confiadas, como as missões no estrangeiro ou até o combate aos incêndios, mas descurou-se na rotina porque não há verbas para tudo”. Só no Exército, faltam atualmente 3000 efetivos para cumprir as tarefas que lhe estão consignadas.

DEMITE-SE OU NÃO?


Num momento em que se fala da possibilidade cada vez mais premente de uma eventual remodelação governamental, o ministro colocou-se no centro dos holofotes. Os partidos da direita reagiram fortemente, mas também se ouviram vozes discordantes dentro do PS. Só o PCP, pela voz de António Filipe, se manteve “neutro”, ao considerar que “as suposições do ministro não são relevantes”.

O PSD diz-se disposto a “fazer de tudo” para que este assunto fique esclarecido, mas descarta para já o pedido de demissão. Ainda no domingo, na habitual rubrica da RTP1 “Confronto”, Morais Sarmento, embora elogiando a preparação do ministro, exigiu antes de mais explicações.

“Não se pode pedir a demissão sem se saber porquê e para quê”, afirmou, numa farpa à líder do CDS-PP que no mesmo dia pediu a demissão de Azeredo Lopes. “O que importa não é o campeonato das demissões”, destacou Morais Sarmento, que qualificou como “surpreendentes e incompreensíveis” as declarações do ministro, porque “não basta dizer que pode ter havido furto e não explicar”.

Na mesma linha, o deputado e membro da Comissão parlamentar de Defesa Costa Neves disse ao Expresso que Azeredo Lopes “tinha direito de dizer tudo, menos aumentar a confusão já gerada, na medida em que sobre este assunto já paira uma grande nebulosa”. Agora coloca-se a hipótese de nem sequer ter havido furto, depois de já se ter ouvido dizer que “se calhar o material roubado nem constava das existências”, aludindo a declarações públicas feitas pelo coronel Vasco Lourenço.

Para o deputado social-democrata, não está em causa haver um pedido de Comissão de Inquérito, porque esta “é apenas instrumental, não o objetivo”. “É excessivo neste momento falar em Comissão de Inquérito”, disse.

“DE UM MINISTRO ESPERAM-SE RESPOSTAS”

A posição do CDS foi diferente, tendo Assunção Cristas exigido de imediato a demissão do ministro, alegando que “não é admissível a sua postura” e que se “o ministro da Defesa não sabe, acha que não tem de saber, não quer saber, então, que saia do seu cargo”. De um ministro esperam-se respostas e não perguntas, “como um qualquer cidadão”.

Antes, o coordenador da área da Defesa do mesmo partido, João Rebelo, já havia afirmado que a entrevista de Azeredo Lopes era “absolutamente desastrosa”. O deputado centrista também anunciou que o seu partido iria propor esta terça-feira na reunião da mesa e coordenadores da Comissão de Defesa do Parlamento que fosse acrescentado o tópico de Tancos à deslocação agendada pelo ministro à Comissão, no próximo dia 20, propósito em que é acompanhado pelo PSD, segundo Costa Neves.

Sobre esta matéria, o deputado comunista António Filipe disse à Lusa que o PCP também apoia, “como de costume”. os requerimentos para chamar o ministro da Defesa à comissão parlamentar, mas advertiu que “pouco adiantará se o ministro disser o que já disse”.

O ministro já se declarou “naturalmente disponível” para ir ao Parlamento “se for convidado para tal”, segundo uma fonte do gabinete afirmou à Lusa.

PS DESCONCERTADO

“Desconcertante” foi o termo usado por Ana Gomes para qualificar a entrevista do ministro, cuja posição “diletante e displicente” criticou duramente no decurso da sua participação no referido programa Confronto.

A eurodeputada considerou inaceitável que o ministro tenha dito que, segundo os relatórios, a segurança das instalações militares “é razoável, quando nesta matéria tem de ser boa ou muito boa”.

“O ministro tem de explicar o que se fez, seja furto ou não, ou desvio de armas”, adiantou Ana Gomes, para quem toda a situação é fruto do desmantelamento a que as Forças Armadas foram sujeitas nos últimos anos.

Outro membro do PS contactado pelo Expresso que pediu o anonimato afirmou que “o ministro foi infeliz nas suas declarações”.

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