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General brasileiro em forças dos EUA atrapalha laços com Moscou e Pequim, diz especialista

A decisão do Brasil de enviar um oficial para integrar as Forças Armadas dos Estados Unidos deve atrapalhar as relações do país com importantes aliados, como China e Rússia. A avaliação é do especialista em Relações Internacionais Paulo Velasco, que conversou nesta segunda-feira com a Sputnik sobre esse polêmico assunto.
Sputnik

Na última semana, se tornou pública no Brasil a notícia de que o país indicará, até o final do ano, um general para assumir um posto no Comando Sul (SouthCom) dos EUA, que cobre América Central, Caribe e América do Sul, provocando controvérsias.


De acordo com o comandante responsável, o almirante Craig Faller, os interesses norte-americanos na região seriam ameaçados por Rússia, China, Irã, Venezuela, Cuba e Nicarágua, países com os quais o Brasil poderá ter relações prejudicadas por conta dessa situação, conforme acredita Velasco, professor adjunto de Política Internacional do Departamento de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (U…

ISIS, Estado Islâmico ou Daesh? Um grupo extremista, muitos nomes

O grupo extremista que ocupou as manchetes nos últimos três anos - e que hoje vem perdendo suas posições na Síria e no Iraque - tem sido chamado por nomes diferentes por governos e meios de comunicação de todo o mundo. Isto fica claro em enunciados em inglês e português, por exemplo.


Faisal Irshaid | BBC Monitoring


Para autoridades da ONU e dos Estados Unidos, o grupo é o "Isil", um acrônimo em inglês para "Estado Islâmico do Iraque e do Levante" - que tem a versão também em português, "EIIL".


Propaganda do Estado Islâmico mostra militantes com armas
Propaganda do Estado Islâmico mostra militantes com armas na Síria

O próprio grupo não usa esse nome desde junho de 2014, quando declarou a criação de um califado e reduziu seu nome para "Estado Islâmico" (com as siglas "IS" em inglês e "EI" em português), refletindo suas ambições expansionistas.

Desde então, a BBC adotou esse termo, mas caracterizando-o como o "grupo Estado Islâmico" ou o "autodenominado Estado Islâmico" e usando siglas em citações posteriores.

Outros veículos da imprensa continuaram a usar o termo "Isil" ou "Isis" - que se baseia em outras traduções, em inglês, do antigo nome do grupo, "Estado Islâmico do Iraque e da Síria" ou "Estado Islâmico no Iraque e al-Sham". Neste caso, a sigla correspondente em português, ainda que não muito usada, é "EIIS".

Mas o termo "Daesh" (ou Da'ish) também ganhou espaço, tanto no Oriente Médio como em lugares mais distantes - tem sido usada como uma forma de desafiar a legitimidade do grupo devido às conotações negativas da palavra.

"Daesh" é essencialmente uma sigla em árabe formada a partir das letras iniciais do nome anterior do grupo, também em árabe - "al-Dawla al-Islamiya fil Iraq wa al-Sham". Embora não signifique nada como uma palavra, militantes do grupo se opõem ao seu uso.

Daesh também soa semelhante a um verbo árabe que significa pisar ou esmagar algo.


EI e Isis

A raiz das diferenças entre "Isil" e "Isis" está na palavra árabe "al-Sham".

No começo, os meios de comunicação não tinham certeza de como traduzi-lo para o inglês, pois não estava imediatamente claro a que o grupo se referia.

Al-Sham tem diversas traduções possíveis: "Levante", a "Grande Síria", "Síria" ou até "Damasco".

O termo foi comumente usado também nos governos dos califas muçulmanos do século 7 para descrever a área que envolve o Mediterrâneo, o Rio Eufrates, parte da atual Turquia e o Egito.

Ele foi usado até a primeira metade do século 20, quando a Grã-Bretanha e a França desenharam as novas fronteiras do Oriente Médio e criaram os Estados-Nação.

Já o termo "Levante" foi usado por séculos na língua inglesa para descrever a parte oriental do Mediterrâneo, com suas ilhas e os países adjacentes.

Após a Primeira Guerra Mundial, as potências coloniais passaram a chamar assim a área que hoje inclui Síria, Jordânia, Líbano, Israel, os territórios palestinos e parte do sudeste da Turquia.

No entanto, o passado colonial do termo indica que haveria resistência de seu uso pelos extremistas. Eles também provavelmente se oporiam a usá-lo como uma referência apenas à Síria, pois isto sugeriria limitação de suas aspirações às fronteiras deste país. Vários especialistas, portanto, disseram que a palavra al-Sham não deveria ser traduzida.

Mobilização por um outro termo

No mundo da língua árabe, onde o uso de siglas não é incomum, "Daesh" é amplamente usada, mas com um tom pejorativo.

O termo ganhou força apesar - ou talvez como consequência direta - da irritação que seu uso causa ao grupo. Agora, ele é amplamente usado em todo o mundo pelos políticos e pela mídia.

"Francamente, este culto perverso à morte não é uma representação verdadeira do Islã, nem é um Estado", disse o ex-primeiro-ministro britânico David Cameron ao Parlamento, em dezembro de 2015, ao anunciar que seu governo se uniria à França ao chamar o grupo de "Daesh" em vez de "Isil".


Como está o grupo extremista hoje


Nos últimos meses, o autodenominado Estado Islâmico perdeu dois dos seus mais importantes redutos na Síria: as cidades de Deir al-Zour e Raqqa.

Raqqa, considerada a "capital" do autoproclamado "califado", foi retomada por uma coalizão internacional liderada principalmente pelos sírios e americanos.

O Estado Islâmico também perdeu posições no Iraque.

Em ambos os países, os extremistas já haviam perdido 60% de seu território em junho, conforme apontou um estudo da consultoria IHS Markit.

Apesar destas perdas, o grupo ainda oferece riscos, com seguidores espalhados em outros países do Oriente Médio e do mundo. É o que aponta o correspondente da BBC Paul Adams.

"Não, o Estado Islâmico ainda não foi derrotado. O sonho de um califado ou Estado Islâmico acabou. Mas o EI ainda pode provocar estragos", alerta. "Sim, ainda haverá ataques no ocidente. Londres, Barcelona e Paris. Não podemos sempre afirmar que esses ataques foram, de fato, planejados e financiados pelo grupo. Mas esse não é o ponto".

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