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Erdogan diz que Turquia continuará operação na Síria, pactuada com Moscou

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou nesta segunda-feira que seu país não interromperá sua operação militar lançada no sábado contra as milícias curdas aliadas dos Estados Unidos no norte da Síria e insistiu que esta operação está pactuada com a Rússia.
EFE

"Não vamos retroceder em Afrin. Falamos com os russos e há consenso", disse o político islamita em relação à região do norte da Síria nas mãos das milícias curdas Unidades de Proteção do Povo (YPG), que Ancara considera terroristas e aliadas da guerrilha curda da Turquia, o PKK.


Erdogan voltou a acusar os EUA de armar e apoiar as YPG, aliadas de Washington contra o grupo jihadista Estado Islâmico.

"Não são honestos conosco. Continuaremos o nosso caminho no marco das conversações que mantemos com a Rússia", apontou.

"Queríamos comprar armas (com os EUA). Não nos deram e entregaram as mesmas armas a organizações terroristas. Que tipo de aliança estratégica é essa?", afirmou o presidente da T…

OTAN fará surgir aliança entre Rússia, Turquia e Irã devido a seus próprios erros?

Ultimamente, muitos eventos internacionais parecem tão absurdos que nos perguntamos: estamos perante o quê – uma infeliz combinação de circunstâncias, a prova de defeitos do sistema ou manipulações dos adversários?


Sputnik

A colunista da Sputnik, Irina Alksnis, relembra o recente caso relacionado com a Aliança Atlântica: na sexta passada, em 17 de novembro, se revelou que durante as manobras da OTAN na Noruega, no mapa de posições do "inimigo convencional" foram colocados os retratos do fundador da República da Turquia, Mustafa Kemal Ataturk, e do presidente atual do país, Recep Tayyip Erdogan.


Os chanceleres iraniano, turco e russo durante uma reunião trilateral na Turquia, em 19 de novembro de 2017
Chanceleres iraniano, turco e russo © Foto: MFA Russia

"Foi um enorme escândalo. Os turcos retiraram 40 militares que estavam participando dos treinamentos. Os chefes da OTAN, tentando amenizar a confusão, pediram todas as desculpas possíveis ao presidente turco", escreve a jornalista, adiantando que a culpa foi atribuída a um funcionário civil, com o qual o exército norueguês já rompeu todos os contratos.

Entretanto, sublinha Alksnis, isto não ajudou muito, já que Erdogan se recusou a aceitar as desculpas e comentou o acontecido em frases bem duras:

"Há erros que se cometem não apenas por idiotas, mas por canalhas. Esta questão não pode ser resolvida só com desculpas."

Na sequência, o secretário-geral da OTAN reiterou as desculpas.

"Mesmo atuando de propósito, é pouco provável que se possa imaginar um método mais astuto e eficiente de desferir um golpe contra as relações entre a Turquia e a OTAN do que insultar o presidente e o fundador do atual Estado turco de modo tão refinado", realça a colunista.

Vale ressaltar que as relações entre a Turquia e a Aliança (bem como todo o Ocidente) têm se agravado ao longo dos últimos anos. O número de fatores que geram discordância é cada vez maior, sendo cada vez mais difícil ultrapassá-los.

"Ademais, a Rússia e o Irã, antagonistas tradicionais da OTAN, aderiram à luta pela Turquia, ou seja, aos esforços para a atrair para o seu campo. De referir que ambos os países demonstram sucessos cada vez maiores nesse sentido", escreve Alksnis.

Em resultado, não é de surpreender que o escândalo tenha provocado uma onda de declarações indignadas e o agravamento ainda maior da situação.

Por exemplo, em uma das suas entrevistas recentes, Erdogan duvidou da possibilidade de confiar na OTAN, citando a retirada dos mísseis estadunidenses Patriot no período de maior risco de ataques a partir do território sírio. Ao mesmo tempo, ele destacou a "hipocrisia" de alguns países ocidentais que se indignaram com a compra por Ancara dos complexos russos S-400.

Ao mesmo tempo, em 19 de novembro, na Turquia se deu um encontro trilateral entre os chanceleres russo, turco e iraniano, nas vésperas de um encontro semelhante em 22 de novembro, desta vez entre os próprios líderes dos países.

Deste modo, assinala a colunista, ficam cada vez mais claros os contornos de uma nova coalizão na região, entre países tradicionalmente rivais. Tal cenário parecia absolutamente irrealista apenas alguns anos atrás. Por isso, em tal contexto, um pequeno erro por parte da Aliança Atlântica será fatal.


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