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EUA confirmam linha estratégica de 'desmembramento da Síria', diz analista

Os EUA declararam que não querem restaurar as regiões na Síria que estão sob o controle de Damasco. O especialista Vladimir Fitin explica na entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik o que busca Washington.
Sputnik

Os EUA não querem ajudar na reconstrução das regiões na Síria que ficam sob o controle do presidente sírio Bashar Assad, declarou um alto funcionário dos EUA após o primeiro dia do encontro dos ministros das Relações Exteriores do G7.


Em janeiro, o Departamento de Estado dos EUA afirmou que Washington não iria ajudar a Rússia, o Irã e Damasco oficial na restauração do país, enquanto a "transformação política" da Síria não se realizasse. Segundo declarou o assistente adjunto do secretário de Estado dos EUA para o Médio Oriente, David Satterfield, a condição da ajuda é a reforma constitucional e eleições sob os auspícios da ONU.

O analista do Instituto dos Estudos Estratégicos da Rússia, Vladimir Fitin, na entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik comentou a decla…

Derrotado na Síria e no Iraque, Daesh pode buscar abrigo no Afeganistão, diz analista

Décadas de instabilidade e forças de segurança enfraquecidas tornam o Afeganistão um dos mais prováveis ​​novos destinos do Daesh após a derrota do grupo terrorista na Síria e no Iraque, disse Nikita Mendkovich, analista político do Conselho de Assuntos Internacionais da Rússia.


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O governo iraquiano anunciou no domingo que o país estava "totalmente liberado" dos terroristas e que a guerra contra o Daesh terminou. No início desta semana, o Estado-Maior da Rússia disse que "todas as unidades terroristas do Daesh em terras sírias foram destruídas e o território foi liberado".


Jihadistas do grupo terrorista Daesh (foto de arquivo)
Terroristas do Daesh (Estado Islâmico ou ISIS) © flickr.com/ Day Donaldson

Os militantes sobreviventes estão fugindo dos dois países, com o Afeganistão se tornando o "mais provável" novo ponto de apoio para o Daesh, afirmou Mendkovich à RT.

"Houve uma longa instabilidade no Afeganistão e um alto nível de atividade terrorista no contexto da fraqueza das agências governamentais de segurança", avaliou. Mendkovich estava se referindo às décadas de luta infrutífera contra os talibãs pelas forças de intervenção lideradas pelos EUA e pelas autoridades afegãs. As tropas dos EUA estão no Afeganistão desde 2001.

"Atualmente, os grupos que lutam sob a bandeira do Daesh estão ativos em muitas regiões do Afeganistão, incluindo a província de Nangarhar e em algumas áreas do norte, como Kunduz", disse Mendkovich. Essas unidades terroristas podem coordenar e cooperar com os militantes migratórios, advertiu.

Os terroristas perderam o acesso às receitas do petróleo que financiaram suas operações no Iraque e na Síria, mas o Afeganistão é capaz de fornecer ao grupo outras fontes de renda, incluindo "tráfico de drogas, extração ilegal de pedras semi preciosas e preciosas, bem como extorsão [defraudação] de projetos humanitários na região, financiados por patrocinadores ocidentais", ressaltou o analista.

Cerca de 200 militantes estrangeiros, alguns dos quais chegaram da Síria, se juntaram a um grupo afiliado ao Daesh na província de Jowzjan, no Afeganistão, em novembro, informou a AFP no domingo. Testemunhas disseram à agência que os militantes recém-chegados, que eram descritos como franceses e argelinos, estavam treinando militantes locais, incluindo, como colocar bombas e o uso de coletes de suicídio.

"Há um risco de retirada de unidades militantes separadas para a Líbia e o Egito, onde há regiões com instabilidade, especialmente na Líbia, onde a guerra civil está, de fato, em curso", disse Mendkovich. "Eles podem se juntar às fileiras de grupos que se associam ao Daesh e lutam por seu lado".

Perigo para Europa

"Eu acho que também é possível que alguns grupos militantes tentem encontrar abrigo no território das nações europeias", advertiu o analista. Os terroristas provavelmente tentarão "criar um mundo islâmico subterrâneo e se envolver em tráfico de drogas, entre outras coisas", disse ele.

Alemanha, Áustria e França são os países do "grupo de risco", acredita Mendkovich. Várias grandes cidades europeias têm distritos inteiros dentro dos subúrbios onde, segundo ele, pode-se facilmente "desaparecer" e "viver sem papéis", completamente "fora do controle das autoridades".

O chefe da agência de inteligência da Alemanha, o BfV, alertou para o regresso de um crescente número de islâmicos, alguns dos quais podem ser propensos a extremismo violento.

Outro país que potencialmente pode atrair jihadistas que fogem da Síria e do Iraque é "curiosamente, a Ucrânia", também por causa do "baixo nível de estabilidade", disse o analista. Há grupos que simpatizam com os extremistas chechenos que lutam no lado do governo de Kiev no conflito na Ucrânia oriental, que os terroristas da Síria e do Iraque podem se juntar também, disse ele.

"Já existem exemplos de migração de grupos de militantes da Síria, incluindo cidadãos russos, que estão escapando da justiça no território ucraniano", concluiu.


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