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EUA confirmam linha estratégica de 'desmembramento da Síria', diz analista

Os EUA declararam que não querem restaurar as regiões na Síria que estão sob o controle de Damasco. O especialista Vladimir Fitin explica na entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik o que busca Washington.
Sputnik

Os EUA não querem ajudar na reconstrução das regiões na Síria que ficam sob o controle do presidente sírio Bashar Assad, declarou um alto funcionário dos EUA após o primeiro dia do encontro dos ministros das Relações Exteriores do G7.


Em janeiro, o Departamento de Estado dos EUA afirmou que Washington não iria ajudar a Rússia, o Irã e Damasco oficial na restauração do país, enquanto a "transformação política" da Síria não se realizasse. Segundo declarou o assistente adjunto do secretário de Estado dos EUA para o Médio Oriente, David Satterfield, a condição da ajuda é a reforma constitucional e eleições sob os auspícios da ONU.

O analista do Instituto dos Estudos Estratégicos da Rússia, Vladimir Fitin, na entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik comentou a decla…

EUA oferecem “diálogo direto e sem condições prévias” à Coreia do Norte

Proposta representa uma guinada na postura norte-americana, que exigia renúncia ao arsenal nuclear


Jan Martínez Ahrens | El País


Algo se move. O secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, ofereceu nesta terça-feira um “diálogo direto e sem condições prévias” à Coreia do Norte. A proposta, duas semanas após o início da crise provocada pelo último e contundente teste balístico norte-coreano, representa um giro inesperado na postura norte-americana. Deixando de lado a exigência de que Pyongyang renuncie ao seu arsenal nuclear, Washington agora só pede um “período de calma” – uma oferta excepcional em se tratando de um país que ameaçou promover a “destruição total” do rival.

O secretário de Estado Rex Tillerson no Atlantic Council, em Washington
O secretário de Estado Rex Tillerson no Atlantic Council, em Washington | JONATHAN ERNST - REUTERS

“Não é realista dizer que eles só podem conversar se vierem à mesa preparados para renunciar ao seu programa [de armas atômicas]. Eles investiram muito nisso [...]. Estamos dispostos a conversar com a Coreia do Norte no momento em que ela quiser. Estamos dispostos a uma primeira reunião sem condições prévias. Simplesmente nos vejamos, e então poderemos começar a traçar uma folha de percurso”, disse Tillerson em uma conferência no think tank Atlantic Council, onde deu detalhes inéditos sobre as conversações com a China, tão avançadas que já elaboram cenários conjuntos em caso de colapso do regime norte-coreano.

Tillerson vive dias incertos. No fim de novembro, fontes da Casa Branca chegaram a informar que havia um plano para substituí-lo pelo diretor da CIA, Mike Pompeo. Embora o próprio presidente Donald Trump tenha desmentido isso, a figura do seu chanceler ficou abalada. Está evidente que Trump e Tillerson, hoje afastado do núcleo duro da Casa Branca, não concordam quanto a táticas e posicionamentos. A Coreia do Norte é um desses pontos de divergência. “Não perca tempo tentando negociar com o homenzinho-foguete”, chegou a dizer o presidente a Tillerson num tuíte de outubro.

Mas agora é diferente. Naquele momento se tratavam de tentativas informais. Já a oferta lançada nesta terça a Pyongyang é de tal envergadura que dificilmente poderia ser adotada sem o aval do Salão Oval. Não seria uma jogada inédita em se tratando de Trump. Além de ele mesmo já ter flertado com a ideia de um diálogo direto, às vezes o presidente permite que seus colaboradores assumam o risco, e então mantém os pratos girando no ar até o último momento. Foi assim com o pacto nuclear com o Irã e com a retirada dos EUA do acordo contra a mudança climática.

Desta vez, Tillerson tomou um caminho inesperado. Esforçou-se para abrir um canal de diálogo em um momento especialmente tenso e evitou todo o enfrentamento verbal. “Que nos encontremos e, se não tivermos assunto, que falemos do tempo ou se a mesa deve ser redonda ou quadrada, e aí começaremos a traçar um roteiro”, afirmou.

O movimento de Tillerson, com suas concessões ao inimigo número 1 dos Estados Unidos, indica uma mudança de tática destinada a abrir uma via de oxigenação em um conflito cada vez mais envenenado, mas que também pode ter como objetivo agradar ao ator principal: a China. Sabendo que qualquer avanço diplomático depende da colaboração de Pequim, o secretário de Estado demonstrou o quão avançadas estão as conversas com o gigante asiático. Revelou, assim, que em caso de conflito ou de colapso do regime de Pyongyang, os Estados Unidos estão comprometidos com a China a se afastar da fronteira norte-coreana, e deu a entender que seu único interesse seria o futuro das armas nucleares para evitar que caiam “em mãos indesejáveis”.

A oferta de Tillerson ainda não recebeu resposta da Coreia do Norte. A postura tradicional do Líder Supremo, o tirânico Kim Jong-un, tem sido de só dialogar quando completar seu plano de possuir um míssil intercontinental com carga nuclear. Outro ponto de atrito são as próprias manobras militares dos Estados Unidos e da Coreia do Sul, vistas como uma ameaça por Pyongyang.

Superadas todas essas armadilhas, resta a própria inércia da tensão nuclear e balística. Não é só o fato de que o último teste, realizado com um míssil que poderia ter atingido Washington, tenha demonstrado o quão desenvolvido está o programa norte-coreano e irritado o Pentágono em igual proporção. Há também o rancor acumulado entre Trump e Kim Jong-un e que resultou em um insólito espetáculo de insultos. Tudo isso agora precisa ser salvo.

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