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General brasileiro em forças dos EUA atrapalha laços com Moscou e Pequim, diz especialista

A decisão do Brasil de enviar um oficial para integrar as Forças Armadas dos Estados Unidos deve atrapalhar as relações do país com importantes aliados, como China e Rússia. A avaliação é do especialista em Relações Internacionais Paulo Velasco, que conversou nesta segunda-feira com a Sputnik sobre esse polêmico assunto.
Sputnik

Na última semana, se tornou pública no Brasil a notícia de que o país indicará, até o final do ano, um general para assumir um posto no Comando Sul (SouthCom) dos EUA, que cobre América Central, Caribe e América do Sul, provocando controvérsias.


De acordo com o comandante responsável, o almirante Craig Faller, os interesses norte-americanos na região seriam ameaçados por Rússia, China, Irã, Venezuela, Cuba e Nicarágua, países com os quais o Brasil poderá ter relações prejudicadas por conta dessa situação, conforme acredita Velasco, professor adjunto de Política Internacional do Departamento de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (U…

EUA oferecem “diálogo direto e sem condições prévias” à Coreia do Norte

Proposta representa uma guinada na postura norte-americana, que exigia renúncia ao arsenal nuclear


Jan Martínez Ahrens | El País


Algo se move. O secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, ofereceu nesta terça-feira um “diálogo direto e sem condições prévias” à Coreia do Norte. A proposta, duas semanas após o início da crise provocada pelo último e contundente teste balístico norte-coreano, representa um giro inesperado na postura norte-americana. Deixando de lado a exigência de que Pyongyang renuncie ao seu arsenal nuclear, Washington agora só pede um “período de calma” – uma oferta excepcional em se tratando de um país que ameaçou promover a “destruição total” do rival.

O secretário de Estado Rex Tillerson no Atlantic Council, em Washington
O secretário de Estado Rex Tillerson no Atlantic Council, em Washington | JONATHAN ERNST - REUTERS

“Não é realista dizer que eles só podem conversar se vierem à mesa preparados para renunciar ao seu programa [de armas atômicas]. Eles investiram muito nisso [...]. Estamos dispostos a conversar com a Coreia do Norte no momento em que ela quiser. Estamos dispostos a uma primeira reunião sem condições prévias. Simplesmente nos vejamos, e então poderemos começar a traçar uma folha de percurso”, disse Tillerson em uma conferência no think tank Atlantic Council, onde deu detalhes inéditos sobre as conversações com a China, tão avançadas que já elaboram cenários conjuntos em caso de colapso do regime norte-coreano.

Tillerson vive dias incertos. No fim de novembro, fontes da Casa Branca chegaram a informar que havia um plano para substituí-lo pelo diretor da CIA, Mike Pompeo. Embora o próprio presidente Donald Trump tenha desmentido isso, a figura do seu chanceler ficou abalada. Está evidente que Trump e Tillerson, hoje afastado do núcleo duro da Casa Branca, não concordam quanto a táticas e posicionamentos. A Coreia do Norte é um desses pontos de divergência. “Não perca tempo tentando negociar com o homenzinho-foguete”, chegou a dizer o presidente a Tillerson num tuíte de outubro.

Mas agora é diferente. Naquele momento se tratavam de tentativas informais. Já a oferta lançada nesta terça a Pyongyang é de tal envergadura que dificilmente poderia ser adotada sem o aval do Salão Oval. Não seria uma jogada inédita em se tratando de Trump. Além de ele mesmo já ter flertado com a ideia de um diálogo direto, às vezes o presidente permite que seus colaboradores assumam o risco, e então mantém os pratos girando no ar até o último momento. Foi assim com o pacto nuclear com o Irã e com a retirada dos EUA do acordo contra a mudança climática.

Desta vez, Tillerson tomou um caminho inesperado. Esforçou-se para abrir um canal de diálogo em um momento especialmente tenso e evitou todo o enfrentamento verbal. “Que nos encontremos e, se não tivermos assunto, que falemos do tempo ou se a mesa deve ser redonda ou quadrada, e aí começaremos a traçar um roteiro”, afirmou.

O movimento de Tillerson, com suas concessões ao inimigo número 1 dos Estados Unidos, indica uma mudança de tática destinada a abrir uma via de oxigenação em um conflito cada vez mais envenenado, mas que também pode ter como objetivo agradar ao ator principal: a China. Sabendo que qualquer avanço diplomático depende da colaboração de Pequim, o secretário de Estado demonstrou o quão avançadas estão as conversas com o gigante asiático. Revelou, assim, que em caso de conflito ou de colapso do regime de Pyongyang, os Estados Unidos estão comprometidos com a China a se afastar da fronteira norte-coreana, e deu a entender que seu único interesse seria o futuro das armas nucleares para evitar que caiam “em mãos indesejáveis”.

A oferta de Tillerson ainda não recebeu resposta da Coreia do Norte. A postura tradicional do Líder Supremo, o tirânico Kim Jong-un, tem sido de só dialogar quando completar seu plano de possuir um míssil intercontinental com carga nuclear. Outro ponto de atrito são as próprias manobras militares dos Estados Unidos e da Coreia do Sul, vistas como uma ameaça por Pyongyang.

Superadas todas essas armadilhas, resta a própria inércia da tensão nuclear e balística. Não é só o fato de que o último teste, realizado com um míssil que poderia ter atingido Washington, tenha demonstrado o quão desenvolvido está o programa norte-coreano e irritado o Pentágono em igual proporção. Há também o rancor acumulado entre Trump e Kim Jong-un e que resultou em um insólito espetáculo de insultos. Tudo isso agora precisa ser salvo.

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