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Especialista: exército sírio deteve 300 militares franceses de diversas patentes

O presidente Vladimir Putin, em conversa com o presidente sírio Bashar Assad, em Sochi, declarou que, devido ao sucesso da luta antiterrorista das forças sírias e ao início do processo político, as tropas estrangeiras deveriam se retirar do território da Síria.
Sputnik

"A declaração de Vladimir Putin durante seu encontro com Bashar Assad, sobre a necessidade da retirada dos contingentes estrangeiros da Síria, arruína os sonhos dos agressores, que contam com a tentativa de realizar seus objetivos na região através de mercenários criminosos", disse à Sputnik Árabe Akram al Shalli, analista da Gestão Síria de Crise e Guerras Preventivas.

"Nas mãos do exército sírio há oficiais dos serviços de inteligência dos EUA, Grã-Bretanha, países árabes e Israel. Por exemplo, só o número de militares franceses de diversos escalões é de 300 pessoas. Notamos tentativas de exercer pressão sobre o governo sírio, inclusive para libertar os militares estrangeiros presos. Mas esses sonhos não p…

Jerusalém, o obstáculo onde colidem as tentativas de paz

Reconhecimento da cidade como capital de Israel por Trump ameaça causar explosão de violência


Juan Carlos Sanz | El País


Jerusalém - Não há uma presença policial acima do normal na Cidade Velha, mas há reforços preparados já que nesta quarta-feira começaram os três “dias da ira” convocados pelas forças políticas palestinas. Benjamim Netanyahu mantinha o silêncio horas antes de o presidente norte-americano, Donald Trump, declarar Jerusalém como capital de Israel. “Nossa identidade histórica e nacional recebe reconhecimento”, limitou-se a comentar o primeiro-ministro do Estado judeu. O Consulado-Geral dos EUA em Jerusalém já tinha emitido um alerta de segurança proibindo os funcionários e seus familiares de visitar o centro histórico e a parte oriental da Cidade Santa, sob ocupação israelense há 50 anos. O Pentágono reforçou com pelotões de fuzileiros navais a vigilância das representações norte-americanas nos países islâmicos.

Manifestantes palestinos queimam bandeiras de Israel e dos EUA nesta quarta-feira em Gaza
Manifestantes palestinos queimam bandeiras de Israel e dos EUA nesta quarta-feira em Gaza | IBRAHEEM ABU MUSTAFA REUTERS

Apesar das advertências dos líderes do mundo muçulmano e de seus aliados ocidentais, Trump parece ter entrado em rota de colisão contra os 70 anos de consenso na comunidade internacional sobre o status quo de Jerusalém. Mas todas as tentativas de solução do conflito palestino-israelense se chocaram contra este obstáculo para o plano de partição aprovado pela ONU em 1947, que deixou precisamente a cidade e seu entorno como corpus separatum sob administração internacional. Nenhum mandatário estrangeiro se atreveu desde então a atribuir formalmente a uma das partes a legitimidade sobre a cidade. Estas são alguns dos pontos-chave da disputa.

Israel estabeleceu sua capital em Jerusalém − embora apenas na zona ocidental − após proclamar seu Estado em 1948, e anexou a parte oriental depois da Guerra dos Seis Dias, em 1967, após expulsar as tropas jordanianas. É precisamente em Jerusalém Oriental que os palestinos aspiram a estabelecer algum dia a capital de um Estado independente.

Juntos, mas separados

Israel incorporou ao município de Jerusalém várias localidades da Cisjordânia para expandir a cidade. Atualmente, conta com pouco mais de 800.000 habitantes, dos quais 300.000 são palestinos − quase todos sem nacionalidade israelense − e 200.000 são colonos em assentamentos construídos na parte oriental durante o último meio século. Para complicar ainda mais as coisas, o Governo israelense começou a construir em 2002 um muro que separa cerca de 100.000 moradores, incluindo os do distrito de Abu Dis, do resto da cidade e os situa de fato na Cisjordânia.

Nacionalidade questionada

Os moradores palestinos da Cidade Santa têm permissão de residência permanente e um documento de identidade israelense. Muitos vêm de famílias que viveram em Jerusalém durante gerações, mas caso se ausentem de Jerusalém durante mais de sete anos podem perder o direito de residir na cidade. Em sua maioria, utilizam um passaporte jordaniano ou um salvo-conduto (laissez-passer) emitido por Israel.

Qual é a posição de Israel?

O Ministério de Relações Exteriores de Israel afirma sem rodeios que “Jerusalém é a capital do povo judeu há 3.000 anos e a do Estado há 70 anos”. Qual Jerusalém? A lei que anexou a parte oriental em 1980 declara a cidade “capital eterna, única e indivisível” de Israel. Entretanto, há vozes no Governo que pretendem entregar à Autoridade Palestina os bairros que ficaram separados pelo muro.

E o que dizem os palestinos?

Eles veem como uma condição inalienável que a parte da cidade situada a leste da Linha Verde fixada no armistício de 1949 − que inclui toda a parte histórica murada −, que dividiu a cidade até 1967, seja a capital de seu próprio Estado.

E o resto do mundo?

O status final de Jerusalém deverá ser pactuado no âmbito de um acordo de paz duradouro entre ambas as partes. Esse tem sido até o momento o mantra unânime repetido em coro pela comunidade internacional.

Uma ou duas Jerusaléns


Vários ministérios e centros oficiais do Estado judeu se instalaram na parte oriental, do outro lado da Linha Verde que dividia a cidade, a partir de 1967. Os governantes e representantes dos 160 países que mantêm relações com Israel, que não fazem objeções na hora de visitar as instituições situadas na parte ocidental, não costumam ir a atos organizados em Jerusalém Oriental. Neste mesmo setor se localiza grande parte dos consulados-gerais, que atuam de fato como Embaixadas ante a Autoridade Palestina. Também é em um dos bairros orientais que fica a Orient House, o edifício histórico que serviu como sede da Organização de Libertação da Palestina em Jerusalém até ser fechado por Israel em 2001.

Palavras e ações

O ministro da Segurança Interna de Israel, Guilad Erdan, foi nesta quarta-feira uma das poucas vozes do Governo que se atreveram a romper a lei do silêncio imposto por Netanyahu ante a “declaração histórica” de Trump, informa Lucía Abellán de Bruxelas. Erdan acredita que a declaração simplesmente “reconhece o que ocorre no terreno”, embora espere que se transforme em ações. Em um encontro com jornalistas durante uma visita à sede da UE, ele advertiu: “Ficaríamos muito mais felizes se fosse marcada uma data para transferir a embaixada”.

Três vezes santa

A história da cidade está manchada de sangue. O Império Romano a destruiu no ano 70 de nossa era o templo de Jerusalém e desencadeou a diáspora do povo judeu. Cristãos e muçulmanos lutaram por seu lugares sagrados durante dois séculos nas cruzadas. Árabes e judeus estão há mais de sete décadas aspirando a que toda ela ou parte dela seja sua capital. O Muro das Lamentações, chamado de Muro Ocidental do Templo pelos israelenses; a Esplanada das Mesquitas, ou Nobre Santuário para a fé islâmica; e o Santo Sepulcro, basílica que agrupa o lugar da crucificação, sepultura e ressurreição de Jesus Cristo para a tradição cristã, são uma concentração sem paralelo de recintos sagrados em menos de um quilômetro quadrado. Tudo que envolve Jerusalém é observado com atenção por mais de 3 bilhões de fiéis das três religiões monoteístas.

Carta dos patriarcas

Os líderes das Igrejas cristãs da Cidade Santa publicaram uma carta aberta a Trump pedindo que mantivesse o “atual status internacional de Jerusalém”, já que “qualquer mudança repentina poderia causar danos irreparáveis”. A carta, reproduzida pelo jornal israelense Haaretz, foi firmada por 13 líderes religiosos, incluindo os dos patriarcados latino, ortodoxo grego e armênio.

Batalha de Al-Aqsa


Uma alteração do status quo − a instalação de detectores de metais e câmeras de vigilância − no acesso ao complexo da mesquita de Al-Aqsa e do Domo da Rocha desencadeou violentos distúrbios em julho em Jerusalém. Para os palestinos, Al-Aqsa é o principal símbolo de identidade nacional e religiosa, tanto para os laicos da Fatah como para os fundamentalistas islâmicos do Hamas. Para o mundo islâmico, é também o terceiro lugar mais sagrado, depois de Meca e de Medina, na Arábia Saudita. O pronunciamento de Trump a favor de Jerusalém como capital de Israel pode provocar uma explosão de violência semelhante a uma Intifada durante as orações do meio-dia desta sexta-feira na Esplanada.

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