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EUA confirmam linha estratégica de 'desmembramento da Síria', diz analista

Os EUA declararam que não querem restaurar as regiões na Síria que estão sob o controle de Damasco. O especialista Vladimir Fitin explica na entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik o que busca Washington.
Sputnik

Os EUA não querem ajudar na reconstrução das regiões na Síria que ficam sob o controle do presidente sírio Bashar Assad, declarou um alto funcionário dos EUA após o primeiro dia do encontro dos ministros das Relações Exteriores do G7.


Em janeiro, o Departamento de Estado dos EUA afirmou que Washington não iria ajudar a Rússia, o Irã e Damasco oficial na restauração do país, enquanto a "transformação política" da Síria não se realizasse. Segundo declarou o assistente adjunto do secretário de Estado dos EUA para o Médio Oriente, David Satterfield, a condição da ajuda é a reforma constitucional e eleições sob os auspícios da ONU.

O analista do Instituto dos Estudos Estratégicos da Rússia, Vladimir Fitin, na entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik comentou a decla…

O que está por trás da decisão de Trump sobre Jerusalém?

Atitude do presidente americano de reconhecer cidade disputada como capital de Israel e transferir embaixada gerou críticas em todo o mundo. Para especialistas, decisão tem motivação política, além de fator psicológico.


Michael Knigge | Deutsch Welle

O coro de críticas contra a decisão do presidente americano, Donald Trump, de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel e de transferir a embaixada americana, atualmente em Tel Aviv, tem ganhado cada vez mais força nos Estados Unidos e no mundo desde o anúncio feito na quarta-feira passada.


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Protesto contra decisão de Trump em Jerusalém Oriental

Nesta sexta-feira, enquanto o Conselho de Segurança das Nações Unidas se reunia em Nova York para discutir a ação unilateral dos EUA, protestos tomaram as ruas de países árabes e muçulmanos.

Ao fim do encontro, diplomatas de cinco países europeus – Reino Unido, França, Alemanha, Suécia e Itália – emitiram um comunicado conjunto afirmando que a decisão de transferir a embaixada americana em Israel para Jerusalém não contribui para as "perspectivas de paz na região".

Em meio a tamanho criticismo após Washington ter quebrado um precedente de décadas, a questão que surge é por que a administração Trump decidiu criar tamanha crise, ignorando, inclusive, os alertas de seus aliados próximos na região e na Europa.

Agradar aos evangélicos

Para Martin Indyk, ex-enviado especial dos EUA para as negociações entre israelenses e palestinos e ex-embaixador americano em Israel, a lógica por trás da decisão de Trump é estritamente doméstica e pode ser facilmente explicada.

"Foi um apelo à sua base cristã evangélica, pura e simplesmente", diz Indyk, que é hoje vice-presidente da Instituição Brookings.

Steven Spiegel, diretor do Centro para o Desenvolvimento do Oriente Médio da Universidade da Califórnia, concorda que agradar à base evangélica de Trump e aos que apoiam os judeus conservadores foi um elemento-chave na decisão.

Durante a campanha presidencial, Trump prometeu repetidas vezes reconhecer Jerusalém como a capital de Israel e transferir a embaixada americana para a cidade disputada.

Com o anúncio, Trump, que tem enfrentado dificuldades para vencer batalhas legislativas nos EUA apesar de os republicanos controlarem ambas as casas do Congresso, cumpriu uma promessa de campanha e o fez de maneira relativamente fácil.

Poucos esforços

Ao contrário dos vários esforços de Trump para cumprir suas promessas eleitorais, como a revogação da reforma de saúde do ex-presidente Barack Obama e a restrição de entrada de refugiados no país, reconhecer Jerusalém como capital de Israel não foi difícil por depender apenas de um decreto presidencial.

Mas há outro fator que ajuda a explicar a decisão de Trump de mudar a política externa americana em rigor há décadas: a inclinação do presidente em agitar o cenário, opina Spiegel. É uma propensão do líder republicano, e que não é necessariamente uma má ideia.

"Isso se ele agitar as coisas e aparecer com uma ideia nova, é claro. Mas essa não foi a intenção dele, especialmente se ele não menciona que Jerusalém Oriental será a capital palestina", analisa.

Decisão desequilibrada

Ambos os especialistas discordam da decisão de Trump, bem como da forma com que ela foi tomada, principalmente por prejudicar a abordagem americana para o Oriente Médio, uma das poucas áreas onde a política do presidente vinha sendo aceita de forma positiva, observa Spiegel.

"As coisas pareciam, de fato, ter melhorado", diz o especialista. "Em geral, eles não gostavam de Obama no Oriente Médio, e parecia que ele [Trump] tinha tirado vantagem disso."

Para Indyk, a decisão sobre Jerusalém vai contra a ampla estratégia dos EUA para o Oriente Médio. "Os assessores dele tentaram ajustar [a decisão] à estratégia de pacificação, mas ela é muito desequilibrada para aliviar a ira palestina", avalia.

Spiegel acrescenta que a atitude de Trump é como uma bomba no processo de paz na região e vai manchar a imagem de Washington no Oriente Médio e no mundo.

"É muito simbólico, especialmente porque a embaixada não será movida por muitos anos", diz Indyk, referindo-se ao longo processo burocrático envolvendo uma transferência de sede diplomática. "Mas o conflito no Oriente Médio é repleto de símbolos."


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