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General brasileiro em forças dos EUA atrapalha laços com Moscou e Pequim, diz especialista

A decisão do Brasil de enviar um oficial para integrar as Forças Armadas dos Estados Unidos deve atrapalhar as relações do país com importantes aliados, como China e Rússia. A avaliação é do especialista em Relações Internacionais Paulo Velasco, que conversou nesta segunda-feira com a Sputnik sobre esse polêmico assunto.
Sputnik

Na última semana, se tornou pública no Brasil a notícia de que o país indicará, até o final do ano, um general para assumir um posto no Comando Sul (SouthCom) dos EUA, que cobre América Central, Caribe e América do Sul, provocando controvérsias.


De acordo com o comandante responsável, o almirante Craig Faller, os interesses norte-americanos na região seriam ameaçados por Rússia, China, Irã, Venezuela, Cuba e Nicarágua, países com os quais o Brasil poderá ter relações prejudicadas por conta dessa situação, conforme acredita Velasco, professor adjunto de Política Internacional do Departamento de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (U…

O que está por trás da decisão de Trump sobre Jerusalém?

Atitude do presidente americano de reconhecer cidade disputada como capital de Israel e transferir embaixada gerou críticas em todo o mundo. Para especialistas, decisão tem motivação política, além de fator psicológico.


Michael Knigge | Deutsch Welle

O coro de críticas contra a decisão do presidente americano, Donald Trump, de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel e de transferir a embaixada americana, atualmente em Tel Aviv, tem ganhado cada vez mais força nos Estados Unidos e no mundo desde o anúncio feito na quarta-feira passada.


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Protesto contra decisão de Trump em Jerusalém Oriental

Nesta sexta-feira, enquanto o Conselho de Segurança das Nações Unidas se reunia em Nova York para discutir a ação unilateral dos EUA, protestos tomaram as ruas de países árabes e muçulmanos.

Ao fim do encontro, diplomatas de cinco países europeus – Reino Unido, França, Alemanha, Suécia e Itália – emitiram um comunicado conjunto afirmando que a decisão de transferir a embaixada americana em Israel para Jerusalém não contribui para as "perspectivas de paz na região".

Em meio a tamanho criticismo após Washington ter quebrado um precedente de décadas, a questão que surge é por que a administração Trump decidiu criar tamanha crise, ignorando, inclusive, os alertas de seus aliados próximos na região e na Europa.

Agradar aos evangélicos

Para Martin Indyk, ex-enviado especial dos EUA para as negociações entre israelenses e palestinos e ex-embaixador americano em Israel, a lógica por trás da decisão de Trump é estritamente doméstica e pode ser facilmente explicada.

"Foi um apelo à sua base cristã evangélica, pura e simplesmente", diz Indyk, que é hoje vice-presidente da Instituição Brookings.

Steven Spiegel, diretor do Centro para o Desenvolvimento do Oriente Médio da Universidade da Califórnia, concorda que agradar à base evangélica de Trump e aos que apoiam os judeus conservadores foi um elemento-chave na decisão.

Durante a campanha presidencial, Trump prometeu repetidas vezes reconhecer Jerusalém como a capital de Israel e transferir a embaixada americana para a cidade disputada.

Com o anúncio, Trump, que tem enfrentado dificuldades para vencer batalhas legislativas nos EUA apesar de os republicanos controlarem ambas as casas do Congresso, cumpriu uma promessa de campanha e o fez de maneira relativamente fácil.

Poucos esforços

Ao contrário dos vários esforços de Trump para cumprir suas promessas eleitorais, como a revogação da reforma de saúde do ex-presidente Barack Obama e a restrição de entrada de refugiados no país, reconhecer Jerusalém como capital de Israel não foi difícil por depender apenas de um decreto presidencial.

Mas há outro fator que ajuda a explicar a decisão de Trump de mudar a política externa americana em rigor há décadas: a inclinação do presidente em agitar o cenário, opina Spiegel. É uma propensão do líder republicano, e que não é necessariamente uma má ideia.

"Isso se ele agitar as coisas e aparecer com uma ideia nova, é claro. Mas essa não foi a intenção dele, especialmente se ele não menciona que Jerusalém Oriental será a capital palestina", analisa.

Decisão desequilibrada

Ambos os especialistas discordam da decisão de Trump, bem como da forma com que ela foi tomada, principalmente por prejudicar a abordagem americana para o Oriente Médio, uma das poucas áreas onde a política do presidente vinha sendo aceita de forma positiva, observa Spiegel.

"As coisas pareciam, de fato, ter melhorado", diz o especialista. "Em geral, eles não gostavam de Obama no Oriente Médio, e parecia que ele [Trump] tinha tirado vantagem disso."

Para Indyk, a decisão sobre Jerusalém vai contra a ampla estratégia dos EUA para o Oriente Médio. "Os assessores dele tentaram ajustar [a decisão] à estratégia de pacificação, mas ela é muito desequilibrada para aliviar a ira palestina", avalia.

Spiegel acrescenta que a atitude de Trump é como uma bomba no processo de paz na região e vai manchar a imagem de Washington no Oriente Médio e no mundo.

"É muito simbólico, especialmente porque a embaixada não será movida por muitos anos", diz Indyk, referindo-se ao longo processo burocrático envolvendo uma transferência de sede diplomática. "Mas o conflito no Oriente Médio é repleto de símbolos."


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