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General brasileiro em forças dos EUA atrapalha laços com Moscou e Pequim, diz especialista

A decisão do Brasil de enviar um oficial para integrar as Forças Armadas dos Estados Unidos deve atrapalhar as relações do país com importantes aliados, como China e Rússia. A avaliação é do especialista em Relações Internacionais Paulo Velasco, que conversou nesta segunda-feira com a Sputnik sobre esse polêmico assunto.
Sputnik

Na última semana, se tornou pública no Brasil a notícia de que o país indicará, até o final do ano, um general para assumir um posto no Comando Sul (SouthCom) dos EUA, que cobre América Central, Caribe e América do Sul, provocando controvérsias.


De acordo com o comandante responsável, o almirante Craig Faller, os interesses norte-americanos na região seriam ameaçados por Rússia, China, Irã, Venezuela, Cuba e Nicarágua, países com os quais o Brasil poderá ter relações prejudicadas por conta dessa situação, conforme acredita Velasco, professor adjunto de Política Internacional do Departamento de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (U…

Opinião: Ataques de Erdogan contra Israel não convencem

Na disputa em torno de Jerusalém, o presidente turco tenta em vão se impor como líder de uma coalizão muçulmana. Porém suas injúrias contra Israel são hipócritas e até maçantes, opina o jornalista Daniel Heinrich.


Daniel Heinrich | Deutsch Welle

Ele está de volta: Recep Tayyip Erdogan, o valentão, agitador e eterno politiqueiro. Logo na abertura da cúpula de emergência da Organização de Cooperação Islâmica (OIC), nesta quarta-feira (13/12), em Istambul, o presidente turco abriu o verbo, afirmando que Israel é um "Estado de terror e ocupação" e convidando "todos os países" a reconhecerem Jerusalém como "a capital ocupada do Estado palestino".


Türkei Sondergipfel der Organisation für Islamische Kooperation (OIC) (Reuters/K. Ozer)
Presidente da Turquia Recep Tayyip Erdogan

Erdogan está zangado, e é preciso que todos o saibam. Quase parece que, após uma pausa nos xingamentos, o líder turco volta com disposição redobrada para a baderna. Enquanto alguns meses atrás seus ataques se dirigiam aos "métodos nazistas" da Holanda ou da Alemanha, alternadamente, preferiu dirigir sua indignação a um alvo bem conhecido, castigando Israel.

Pode-se, certamente, acreditar que Erdogan, que ostenta regularmente sua fé muçulmana, tenha se sentido atingido pela decisão do presidente americano, Donald Trump, de reconhecer Jerusalém como capital de Israel. A cidade carregada de história tem um significado especial não só para judeus e cristãos, mas também para os muçulmanos.

Por outro lado, as acusações de "Estado terrorista" e "infanticida" contra Israel acabam soando robóticas, recitadas de cor e, devido ao tom imutável, quase maçantes. Além disso, as injúrias anti-israelenses são hipócritas, até mesmo porque há anos o volume comercial entre a Turquia e Israel cresce constantemente.

Apesar disso, Recep Tayyip Erdogan não consegue deixar de vociferar contra o Estado judaico. Permanece inesquecível sua aparição no Fórum Econômico Mundial de 2009, em Davos, quando ofendeu em pleno palco seu homólogo israelense Shimon Peres, praticamente cobrindo-o de injúrias.

Sua interjeição "One minute!", com a qual Erdogan, ébrio de pura testosterona e num inglês com forte sotaque turco, prolongou, minuto após minuto, sua invectiva, há muito se tornou um sucesso da internet, com quase 3 milhões de cliques no Youtube.

Antes mesmo da conferência extraordinária da OIC, Erdogan exercitara seus músculos retóricos, prometendo que "com esta cúpula nós vamos colocar em movimento o mundo islâmico". No entanto, o mais tardar no princípio do evento, a declaração do líder conservador turco provou ser uma bobagem.

Dos 57 membros da OIC, só 20 enviaram seus chefes de governo. Aqueles que, juntamente com a Arábia Saudita, iniciaram um embargo contra o Catar, meio anos atrás, só mandaram a Istambul emissários de escalão mais baixo, tipo "vice-ministro do Exterior".

Portanto estamos longe de poder falar de "coesão" entre os Estados islâmicos, e isso não só no tocante à crise do Catar. Além dos conflitos entre os big players Arábia Saudita e Irã, estão também altamente tensas as relações entre os conservadores religiosos de Ancara e a liderança militar do Egito.

Fiel ao slogan "O importante é estar nas manchetes", tudo isso parece ser indiferente a Erdogan, pelo menos externamente. Sua mensagem foi clara, também na cúpula da OIC: Israel é o "Estado terrorista" e "força ocupadora", e assim por diante. Assim é o jeito dele, o brutamontes, o valentão, o agitador, o eterno politiqueiro.


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