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General brasileiro em forças dos EUA atrapalha laços com Moscou e Pequim, diz especialista

A decisão do Brasil de enviar um oficial para integrar as Forças Armadas dos Estados Unidos deve atrapalhar as relações do país com importantes aliados, como China e Rússia. A avaliação é do especialista em Relações Internacionais Paulo Velasco, que conversou nesta segunda-feira com a Sputnik sobre esse polêmico assunto.
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Na última semana, se tornou pública no Brasil a notícia de que o país indicará, até o final do ano, um general para assumir um posto no Comando Sul (SouthCom) dos EUA, que cobre América Central, Caribe e América do Sul, provocando controvérsias.


De acordo com o comandante responsável, o almirante Craig Faller, os interesses norte-americanos na região seriam ameaçados por Rússia, China, Irã, Venezuela, Cuba e Nicarágua, países com os quais o Brasil poderá ter relações prejudicadas por conta dessa situação, conforme acredita Velasco, professor adjunto de Política Internacional do Departamento de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (U…

Salvar a face: para que EUA querem se apropriar da vitória da Rússia na Síria

Para o representante do Pentágono Eric Pahon, não existiram as dezenas de assaltos, os milhares de voos realizados, as dezenas de milhares de bombas e mísseis lançados e cidades libertadas. Segundo ele, o papel da Rússia na operação antiterrorista não foi tão significativo assim.


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E quem é o principal libertador da Síria segundo o Pentágono? Claro que são os EUA e seus parceiros da coalizão. Andrei Kots, colunista da Sputnik, relembra como foi a operação norte-americana na Síria.


Pilotos militares russos na base aérea de Hmeymim na Síria
Militares russos em base aérea na Síria © Sputnik/ Dmitriy Vinogradov

Ataques seletivos

A aviação dos EUA começou recolhendo dados sobre as posições do Daesh (grupo terrorista, proibido na Rússia) em 26 de agosto de 2014. Os drones e caças se ingeriam no espaço aéreo sírio permanentemente e sem pedir autorização. Apenas em 10 de setembro de 2014 o então presidente Obama anunciou sobre a intervenção militar direta, prometendo combater o Daesh e treinar os rebeldes para a luta contra o pseudocalifado. Os primeiros ataques foram efetuados já em 22 de setembro. A coalizão agia apenas de noite.

Analistas militares destacam aqui um detalhe importante: a coalizão nunca atacava diretamente os jihadistas, mas quando a Rússia entrou no jogo, passaram a bombardear a infraestrutura petrolífera, usinas elétricas, fortificações — tudo o que o Exército Árabe da Síria poderia usar durante o contra-ataque.

Além disso, desde o início da operação, os norte-americanos apoiaram seus principais aliados no "terreno", ou seja, as unidades curdas, a "oposição moderada" e outras formações.

Já em outubro de 2014, a Força Aérea dos EUA começou entregando medicamentos, armas e munições à cidade assediada de Kobane. Foi precisamente nessa altura que surgiram os primeiros vídeos e fotos com terroristas eliminando blindados do inimigo usando sistemas de mísseis TOW e TOW-2 de fabricação norte-americana. Obviamente que se tratou de um processo bem organizado — a interceptação de cargas aéreas destinadas à oposição.

"Antes da nossa intervenção, os EUA e seus aliados já tinham efetuado milhares de voos. Hoje é evidente que eles não conseguiram prevenir o alastramento do Daesh pelo país. Muitas bombas foram lançadas literalmente no deserto", comenta para a Sputnik Sergei Sudakov, cientista político e especialista em estudos americanos.

Parada nos curdos

Após o início da operação antiterrorista da Rússia na Síria, em setembro de 2015, a coalizão se tornou mais passiva. Mas em outubro o Pentágono decidiu enviar 30 instrutores americanos aos campos da oposição síria para criar formações mais ou menos combativas. Os conselheiros militares conseguiram um certo êxito, com a participação deles foram formadas as Forças Democratas da Síria (FDS), unidades de aliados curdos e sírios dos EUA.

Este pequeno exército começou no verão de 2016 sua primeira grande ofensiva contra Manbij. Mais tarde, as FDS participaram da batalha por Raqqa, a chamada "capital" do Daesh. A tomada dessa cidade é considerada pelos americanos como seu principal êxito na luta antiterrorista.

"Prestem atenção a como eles 'libertaram' Raqqa. Sobre a cidade foram lançados 'tapetes de bombas', tal como anteriormente em Mossul. Em ambas as cidades os americanos não deixavam os jornalistas passar para evidenciarem o quadro de destruição total pouco vantajoso para o Pentágono", apontou Sudakov.

Ele sublinhou que, ao contrário dos EUA, as tropas sírias e forças russas criaram corredores humanitários para civis. Enquanto os EUA por várias vezes foram detectados deixando sair de Raqqa assediada apenas "terroristas moderados" com suas armas. Surge a questão: que moderados, se esta é a capital do Daesh?

Salvar a face

Na realidade, o Pentágono e coalizão podem inscrever no seu ativo a expulsão do Daesh do norte do país, a tomada de Raqqa e alguns êxitos locais em outras províncias. Por sua vez, o exército sírio apoiado pela aviação russa limpou dos terroristas toda a parte ocidental do país, restabeleceu o controle sobre campos petrolíferos de Palmira, libertou Aleppo e Deir ez-Zor, bem como dezenas de outras povoações.

Para Sergei Sudakov, a Rússia fez muita coisa, tanto para a libertação da Síria, quanto para o restabelecimento da paz no país.

"Bashar Assad agradeceu aos nossos militares pela abnegação com que eles ajudaram seu povo. Esta não era uma guerra nossa. Mas ajudamos e o fizemos bem. A nossa vitória foi uma ajuda aos civis. Os americanos medem suas vitórias pela ajuda aos seus aliados e se preocupam apenas com a geopolítica e seu prestigio", destacou.

Segundo Sudakov, o último fracasso dos EUA quanto à Coreia do Norte os faz quererem salvar a face pelo menos em uma parte do mundo. Pois para eles é muito doloroso pensar que estão perdendo a capacidade de pressionar Pyongyang e é isso que demonstram os lançamentos de mísseis norte-coreanos.

"EUA são capazes de tudo para manterem sua imagem pública de 'policial global', até de roubar as vitórias dos outros", resumiu o analista.


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