Pular para o conteúdo principal

Postagem em destaque

Oficial do Hezbollah: nossos mísseis podem atingir qualquer ponto de Israel

O Hezbollah é capaz de atingir qualquer ponto em Israel com seus mísseis, disse Sheikh Naim Qassem, secretário-geral adjunto do movimento libanês Hezbollah em entrevista ao jornal iraniano al-Vefagh.
Sputnik

"Não há um único ponto nos territórios ocupados fora do alcance dos mísseis do Hezbollah", disse Qassem.


Segundo o alto funcionário, os mísseis servem para impedir Israel de iniciar outra guerra com o Líbano, expondo a "frente israelense".

Qassem comentou também a guerra na Síria, onde o Hezbollah desempenhou um papel ativo na assistência ao governo sírio contra vários agrupamentos terroristas, incluindo o Daesh e Frente al-Nusra (grupos terroristas proibidos na Rússia). O funcionário elogiou as vitórias alcançadas contra os terroristas, mas criticou os EUA por sua suposta obstrução ao processo de paz.

As tensões entre Tel Aviv e o movimento libanês xiita Hezbollah aumentaram em 4 de dezembro depois que as tropas israelenses lançaram a operação Northern Shield, dest…

PESCO vs OTAN: o que esperar do projeto de exército europeu?

Em dezembro de 2017, os países da União Europeia concordaram em lançar o programa de Cooperação Estruturada Permanente (PESCO, sigla em inglês) visando unir seus esforços em vários projetos de defesa.


Sputnik

Para o momento, no âmbito deste programa já foram elaborados mais de 50 projetos conjuntos abrangendo vários campos de defesa. Trata-se da compra de novas armas e sistemas de material bélico que os países da União Europeia não podem comprar sozinhos, da realização de projetos quanto à infraestrutura militar, bem como a elaboração de regras para facilitar o deslocamento de tropas e equipamento bélico entre os países europeus.


Soldados da OTAN (foto de arquivo)
Militares da OTAN © AP Photo/ Mindaugas Kulbis

Dos 28 países integrantes da União Europeia, 25 apoiaram o projeto. Só o Reino Unido, Dinamarca e Malta não aderiram à iniciativa.

Assim, os antigos planos da UE de criar seu próprio exército parece que deram um passo para se tornarem reais.

Quais são os motivos para a criação do novo programa e como a PESCO e a OTAN podem coexistir em se tratando da defesa europeia?

Evitando nova 'comédia de erros'


Vale destacar que nos planos do programa está o aperfeiçoamento da logística e infraestrutura militar dos países europeus. Ele é o resultado de várias falhas de projetos conjuntos da OTAN. Assim, durante as manobras Saber Strike, as tropas da Aliança Atlântica deveriam se deslocar da parte ocidental da Europa à oriental. A transferência ocorreu com muita confusão, que a edição Bloomberg qualificou como "comédia de erros".

Eventos curiosos também vieram à tona. Por exemplo, no meio dos treinamentos foi revelado que vários tanques falharam em atravessar certas pontes, uma vez que estas poderiam não suportar seu peso.

Além disso, durante as manobras militares foi descoberto que numerosas leis locais e procedimentos burocráticos atrapalham o atravessamento das fronteiras pelas tropas.

É por isso que entre as primeiras iniciativas do novo projeto está prevista a conciliação das leis quanto à facilitação do transporte de soldados e equipamento bélico através das fronteiras. É evidente que este assunto é mais fácil de resolver dentro da Europa que a nível intercontinental.

Além disso, a própria ideia da criação de um exército europeu não é nova, já que a unificação da Europa se iniciou com o projeto da Comunidade Europeia de Defesa. Embora esta iniciativa não tivesse sido realizada, a ideia continuou ocupando as mentes dos líderes europeus. É bem conhecido que o atual presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, é um antigo apoiador da criação dos "Estados Unidos da Europa". É óbvio, que tal estrutura tem de ser capaz de assegurar plenamente sua própria defesa.

Alternativa à OTAN?

Deste o início das conversas sobre o projeto, surgiram várias opiniões se o novo programa poderia ou não substituir a Aliança Atlântica e, por conseguinte, diminuir a presença dos EUA na região, já que é conhecido que são os norte-americanos que mandam na OTAN e não os europeus.

Em novembro, o secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, afirmou que a Aliança Atlântica apoia o reforço do potencial militar da União Europeia.

"Eu saúdo esta decisão, já que acredito que ela contribui para o reforço da defesa europeia. É bom para a Europa, bem como para a OTAN", assinalou Stoltenberg.

Contudo, outros veem o novo programa como uma provável alternativa à Aliança. A edição britânica The Times assinalou que os países da UE estão tentando substituir a OTAN: "A separação entre a Alemanha e os EUA continua e já abrange não só o espaço econômico e político, mas também o espaço militar."

Ou seja, a Europa vem elaborando um sistema que no futuro vai levantar a questão de desnecessidade da Aliança, bem como a presença militar dos EUA na Europa.

Vale destacar também, que o processo de afastamento da União Europeia da OTAN já começou fazendo com que os países europeus ganhem mais independência e resistam às tentativas de serem controlados por parte dos EUA.

Assim, as negociações entre a UE e os EUA quanto ao Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (mais conhecido como TTIP), que deveriam ter sido concluídas ainda em 2014, fracassaram. O vice-chanceler da Alemanha, Sigmar Gabriel, explicou que europeus não desejam aceitar as exigências norte-americanas:

"De fato, as negociações com os EUA fracassaram porque nós, os europeus, não desejamos obedecer às exigências estadunidenses."

Além do mais, os últimos passos de Donald Trump revelam que as ambições dos EUA passaram todos os limites. Vale recordar a recente situação em torno de Jerusalém. A Assembleia Geral da ONU, incluindo a maior parte dos países europeus, rejeitou o reconhecimento de Jerusalém como a capital de Israel, iniciativa proposta pelos EUA. Antes da votação, Donald Trump ameaçou que os EUA iriam deixar de prestar ajuda financeira aos países que votassem contra sua decisão quanto a Jerusalém. Mas, pelos vistos, os países europeus não tiveram medo e demonstraram sua verdadeira postura quanto ao assunto.

Um passo pequeno para uma ideia ambiciosa?

Não é surpreendente que os veículos da mídia mais influentes dos EUA se apressaram a qualificar o programa europeu como ilusório. Entre elas está The National Interest, que publicou um artigo intitulado "Um passo em direção a uma má ideia: o exército europeu".

"A PESCO parece ser grande em promessas e fanfarras, mas é pouco provável que ela consiga contribuir muito para o fortalecimento das capacidades militares [da Europa]. O projeto não vai aumentar os gastos com defesa. Na verdade, pode fazer com que algumas nações europeias gastem menos com ela. A única coisa que a PESCO é capaz de fazer é criar uma barreira de burocracia adicional da UE", escreveu o autor do artigo.

Contudo, é preciso levar em consideração que por enquanto trata-se de apenas um programa de colaboração no campo de defesa que foi lançado há pouco. Sabe-se que nem todas as iniciativas da União Europeia foram completamente realizadas, outras falharam de todo, mas o projeto tem perspectivas ambiciosas.

A PESCO foi apoiada por larga maioria dos integrantes da União Europeia, a influente postura do Reino Unido, que em breve vai abandonar o bloco de integração, perderá seu valor. Além do mais, a Europa tem todos os recursos necessários para sua realização.

Talvez, tal como outras iniciativas no campo de defesa, que tradicionalmente se "atrasam" em relação à colaboração econômica entre os países europeus, a PESCO poderia enfrentar vários obstáculos, tanto internos como externos, já que a OTAN não aceitaria facilmente a competição.

Aparentemente, o sucesso do projeto vai depender de vários fatores, inclusive da vontade política dos líderes europeus e dos recursos com que eles podem contribuir para a realização do planejado.


Postar um comentário

NOTÍCIAS MAIS LIDAS

Postagens mais visitadas