Pular para o conteúdo principal

Postagem em destaque

Quem vai receber 'resposta esmagadora' do Irã pelo atentado em Ahvaz?

No sábado (22), militantes armados abriram fogo contra uma parada militar na cidade de Ahvaz, matando 29 pessoas e ferindo outras 60. O Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica, que perdeu 12 de seus militares no atentado, prometeu que o Irã daria uma "resposta esmagadora" aos envolvidos no ataque. Mas de quem Teerã irá se vingar?
Sputnik

A responsabilidade pelo atentado foi assumida pelo Movimento Democrático Patriótico Árabe de Ahvaz (Al-Ahvazia), ligado à Arábia Saudita.

O líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, comentando a tragédia, afirmou que os atacantes receberam dinheiro da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos e que tinham sido apoiados pelos EUA.

Ex-chefe do Conselho de Cultura da administração presidencial iraniana, doutor Abbas Amirifar, acredita que por trás do ataque em Ahvaz estão países do Ocidente que "têm uma atitude hostil perante o Irã".

"Vale destacar que os terroristas que disseram estar envolvidos no atentado instalaram-se no Oc…

As várias guerras na Síria

Guerra civil dá cada vez mais lugar a um conflito internacional, no qual potências rivais têm interesses opostos que dificultam a paz e acirram ainda mais os confrontos.


Alexandre Schossler | Deutsch Welle

De uma guerra civil que opunha rebeldes e jihadistas ao regime do presidente Bashar al-Assad, o já longo conflito na Síria evoluiu para um enfrentamento internacional no qual potências como Estados Unidos, Rússia, Turquia, Irã e também Israel estão cada vez mais envolvidos.


default
Soldados turcos pouco antes de entrar em território sírio, em operação contra os curdos

A derrota quase total de um dos principais atores do conflito (o grupo jihadista "Estado Islâmico"), o avanço das tropas de Assad, as perdas territoriais do rebeldes e a consolidação do domínio dos curdos no norte levam à constatação de que os destinos dos envolvidos estão mais ou menos selados.

Assim, o que interessa agora, para as potências internacionais, é fortalecer posições para o que seria uma difícil fase de negociações pós-guerra civil. Só que justamente isso faz com que o conflito se acirre e ganhe uma nova dimensão, levando a guerra civil original a dar lugar a várias guerras paralelas.

É o caso, por exemplo, da operação da Turquia em Afrin contra os curdos. O domínio de grandes áreas no norte do país pelos curdos eleva o medo dos turcos de que uma região autônoma ou até mesmo um Estado curdo se consolide no norte da Síria. A Turquia é, a rigor, contra o regime de Assad, mas é ainda mais contra um Estado curdo na sua fronteira.

É verdade que boa parte das potências internacionais já está envolvida no conflito há muito tempo. O Irã entrou na guerra já em 2011, com o objetivo de fortalecer Assad, um aliado. Logo em seguida foi a vez da milícia xiita libanesa Hisbolá, uma espécie de sucursal do regime iraniano.

Em 2014, os Estados Unidos iniciaram bombardeios contra o "Estado Islâmico", posicionando-se ao lado dos rebeldes moderados e dos curdos que tentavam derrubar Assad. A Rússia, por sua vez, iniciou seus próprios bombardeios em 2015, atacando bases jihadistas e também rebeldes, só que em apoio a Assad, que deseja manter no poder. A participação russa foi fundamental para o regime sírio ganhar terreno, às custas dos rebeldes e dos jihadistas.

Tanto Rússia como Irã perseguem o objetivo de se estabelecer como potências capazes de determinar os rumos no Oriente Médio.

Já Israel vê com preocupação a crescente presença iraniana na Síria. O principal temor é a possível presença do Hisbolá nas proximidades das Colinas de Golã, no sul da Síria e na fronteira com Israel, onde a milícia poderia estabelecer uma base militar e assim ameaçar Israel.

O fato de os interesses dos atores envolvidos serem em grande parte opostos complica uma solução de paz. Assad quer se manter no poder e garantir a integridade territorial da Síria. Os curdos vão lutar até os últimos recursos para manter os territórios que conquistaram. A Turquia não quer de jeito nenhum que surja um território autônomo ou mesmo um Estado curdo na sua fronteira. O Irã quer se consolidar como potência regional e manter Assad no poder.

A Rússia também quer manter influência na Síria e garantir a continuidade de Assad. Os Estados Unidos não querem que grupos jihadistas se reagrupem e já indicou que prefere que Assad deixe o poder. Além disso, pretende frustrar os planos iranianos de ampliar sua influência na região. Israel também teme a influência iraniana e a decorrente presença do Hisbolá na sua fronteira.

Esse complicado emaranhado de interesses deixa antever que a guerra na Síria ainda está muito longe do fim.

A coluna Zeitgeist oferece informações de fundo com o objetivo de contextualizar temas da atualidade, permitindo ao leitor uma compreensão mais aprofundada das notícias que recebe no dia a dia.

Postar um comentário

Postagens mais visitadas