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Análise: Brasil poderia se tornar 'vigilante' dos EUA na América Latina

O presidente norte-americano, Donald Trump, referiu a possibilidade de entrada do Brasil na OTAN. O analista russo Pavel Feldman avaliou a possibilidade de entrada do Brasil na aliança, bem como que papel poderia desempenhar o Brasil no conflito na Venezuela.
Sputnik

Durante a visita oficial do presidente do Brasil Jair Bolsonaro aos EUA, foram discutidos os assuntos internacionais mais importantes, entre eles a cooperação bilateral entre os EUA e o Brasil e a situação na Venezuela.


Uma das declarações mais sensacionais foi a possibilidade de entrada do Brasil na OTAN, referida pelo presidente dos EUA Donald Trump.

O vice-diretor do Instituto de Estudos Estratégicos e Prognósticos da Universidade Russa da Amizade dos Povos, Pavel Feldman, revelou em entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik que os EUA são apenas um dos países da OTAN, há outros países cuja opinião deveria ser levada em conta nesse assunto.

Segundo ele, se o Brasil aderir à OTAN ele vai desempenhar o papel de vigilante d…

Opinião: Protagonistas da guerra na Síria vêm de fora

Há muito os sírios estão fartos da guerra. No entanto seu país virou um joguete de forças externas. E a população civil é quem segue sofrendo, opina Rainer Hermann, do jornal "Frankfurter Allgemeine Zeitung".


Rainer Hermann | Deutsch Welle

A luta na Síria segue inalterada, mesmo após sete anos de derramamento de sangue e sofrimento. Pois essa guerra decide sobre muitas coisas – por exemplo, se no futuro a Rússia e o Irã tomarão o lugar da atual pax americana; se a Turquia vai se desligar da Otan para se aproximar mais ainda da Rússia; se a existência de Israel estará ameaçada pela maciça presença iraniana na Síria; se o "Estado Islâmico" (EI) retornará assim que houver um novo vácuo.


Morte e destruição em Ghouta Oriental
Morte e destruição em Ghouta Oriental

Como vencedores do momento, os russos têm motivo para se alegrar, após sete anos de guerra. Primeiro, o Kremlin salvou o regime de Bashar al-Assad com sua intervenção militar em setembro de 2015; e em seguida, com suas iniciativas políticas, minou o processo de paz das Nações Unidas. Isso desencadeou a tragédia que hoje ocorre em Ghouta Oriental.

Pois nas conferências de Astana, a Rússia desassociou o fim das ações de combate da transição política na Síria. No processo, criaram-se zonas de distensão, para as quais o regime pretendia retirar temporariamente suas tropas. Depois que Assad retomou do EI a região de Deir al-Zor, contudo, Ghouta também deverá voltar às mãos do regime.

Por outro lado, é novo o front de guerra na fronteira entre o cantão curdo de Afrin e a Turquia. Em 20 de janeiro a Turquia lançou contra Afrin a operação com o cínico nome "Ramo de Oliveira". A Rússia foi quem possibilitou essa manobra, ao abrir para a Turquia o espaço aéreo sobre o cantão.

Moscou vem fazendo a corte a Ancara. Por isso o presidente russo, Vladimir Putin, foi o primeiro político de peso a congratular seu homólogo Recep Tayyip Erdogan por abafar a tentativa de golpe de Estado de 15 de julho de 2016. E em seguida seu governo entregou à Turquia o sistema de defesa aérea S400, desencadeando um mecanismo que afasta o país mais ainda da aliança ocidental. Para o Kremlin, muito mais importante do que a Síria é a Turquia, a qual ele quer desligar da Otan.

Nesse ponto, os interesses russos colidem com os de Damasco. Enquanto a Rússia está disposta a entregar Afrin a Erdogan, o regime Assad quer restabelecer seu domínio sobre todo o território nacional. Ele deseja controlar a fronteira com a Turquia em Afrin, e com violência desenfreada tenta reconquistar Idlib, o último reduto dos rebeldes majoritariamente fundamentalistas islâmicos.

O Irã, por sua vez, se mantém firme do lado de Assad. Suas milícias são as principais tropas de solo do ditador sírio, o Irã constrói bases militares e fábricas de armamentos na Síria. A intenção iraniana é que a Síria se transforme no novo front contra Israel. Desse modo, a Rússia constitui uma garantia de existência para os israelenses – o que dá uma ideia de quão poderosos os russos se sentem no Oriente Médio.

A Síria se transformou em joguete das potências mundiais. É certo que há muito os próprios sírios estão fartos da guerra, mas os agentes externos são quem a segue travando no país, e não dão fim a ela enquanto não alcançarem seus objetivos.

Quem sofre não são os protagonistas estrangeiros, mas sim a população civil. Todos os apelos para que cessem as ações bélicas dão em nada, já que não há nenhum dispositivo para trazer a Rússia, o Irã e o regime sírio à mesa de negociações e fazê-los ceder.

O Ocidente decidiu, com bons motivos, não intervir por meios militares. Pois, considerando-se o grau de determinação com que os aliados de Assad travam a guerra, ela só seria vencida – se é que seria – à custa de numerosas vítimas. Na atual constelação, também nos próximos anos todos os fronts retornarão à Síria, e novos fronts se formarão, constantemente.

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