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Radicais sírios estariam recebendo armamento dos EUA através da fronteira com Jordânia

Enquanto o exército sírio parece estar pronto para uma grande ofensiva na província de Daraa, os grupos radicais que operam na região estariam recebendo grandes remessas de material bélico "Made in USA".
Sputnik

Os grupos militantes que atuam no sul da Síria receberam uma grande quantidade de armas e munições fabricadas nos EUA, incluindo mísseis antitanque TOW, informou a agência de notícias FARS.

De acordo com a FARS, o armamento foi entregue através da fronteira com a Jordânia no âmbito de um novo plano dos EUA para assegurar mais apoio a estes grupos na Síria.

A agência informou também que os grupos militantes na província de Daraa começaram a se preparar para impedir a ofensiva do exército sírio.

No início deste mês, o exército sírio intensificou as ações no sudoeste do país, controlado por radicais, perto da fronteira com a Jordânia e as Colinas de Golã, ocupadas por Israel.

O Ministério da Defesa da Rússia acrescentou que as forças do governo sírio, apoiadas por um grande a…

Opinião: Protagonistas da guerra na Síria vêm de fora

Há muito os sírios estão fartos da guerra. No entanto seu país virou um joguete de forças externas. E a população civil é quem segue sofrendo, opina Rainer Hermann, do jornal "Frankfurter Allgemeine Zeitung".


Rainer Hermann | Deutsch Welle

A luta na Síria segue inalterada, mesmo após sete anos de derramamento de sangue e sofrimento. Pois essa guerra decide sobre muitas coisas – por exemplo, se no futuro a Rússia e o Irã tomarão o lugar da atual pax americana; se a Turquia vai se desligar da Otan para se aproximar mais ainda da Rússia; se a existência de Israel estará ameaçada pela maciça presença iraniana na Síria; se o "Estado Islâmico" (EI) retornará assim que houver um novo vácuo.


Morte e destruição em Ghouta Oriental
Morte e destruição em Ghouta Oriental

Como vencedores do momento, os russos têm motivo para se alegrar, após sete anos de guerra. Primeiro, o Kremlin salvou o regime de Bashar al-Assad com sua intervenção militar em setembro de 2015; e em seguida, com suas iniciativas políticas, minou o processo de paz das Nações Unidas. Isso desencadeou a tragédia que hoje ocorre em Ghouta Oriental.

Pois nas conferências de Astana, a Rússia desassociou o fim das ações de combate da transição política na Síria. No processo, criaram-se zonas de distensão, para as quais o regime pretendia retirar temporariamente suas tropas. Depois que Assad retomou do EI a região de Deir al-Zor, contudo, Ghouta também deverá voltar às mãos do regime.

Por outro lado, é novo o front de guerra na fronteira entre o cantão curdo de Afrin e a Turquia. Em 20 de janeiro a Turquia lançou contra Afrin a operação com o cínico nome "Ramo de Oliveira". A Rússia foi quem possibilitou essa manobra, ao abrir para a Turquia o espaço aéreo sobre o cantão.

Moscou vem fazendo a corte a Ancara. Por isso o presidente russo, Vladimir Putin, foi o primeiro político de peso a congratular seu homólogo Recep Tayyip Erdogan por abafar a tentativa de golpe de Estado de 15 de julho de 2016. E em seguida seu governo entregou à Turquia o sistema de defesa aérea S400, desencadeando um mecanismo que afasta o país mais ainda da aliança ocidental. Para o Kremlin, muito mais importante do que a Síria é a Turquia, a qual ele quer desligar da Otan.

Nesse ponto, os interesses russos colidem com os de Damasco. Enquanto a Rússia está disposta a entregar Afrin a Erdogan, o regime Assad quer restabelecer seu domínio sobre todo o território nacional. Ele deseja controlar a fronteira com a Turquia em Afrin, e com violência desenfreada tenta reconquistar Idlib, o último reduto dos rebeldes majoritariamente fundamentalistas islâmicos.

O Irã, por sua vez, se mantém firme do lado de Assad. Suas milícias são as principais tropas de solo do ditador sírio, o Irã constrói bases militares e fábricas de armamentos na Síria. A intenção iraniana é que a Síria se transforme no novo front contra Israel. Desse modo, a Rússia constitui uma garantia de existência para os israelenses – o que dá uma ideia de quão poderosos os russos se sentem no Oriente Médio.

A Síria se transformou em joguete das potências mundiais. É certo que há muito os próprios sírios estão fartos da guerra, mas os agentes externos são quem a segue travando no país, e não dão fim a ela enquanto não alcançarem seus objetivos.

Quem sofre não são os protagonistas estrangeiros, mas sim a população civil. Todos os apelos para que cessem as ações bélicas dão em nada, já que não há nenhum dispositivo para trazer a Rússia, o Irã e o regime sírio à mesa de negociações e fazê-los ceder.

O Ocidente decidiu, com bons motivos, não intervir por meios militares. Pois, considerando-se o grau de determinação com que os aliados de Assad travam a guerra, ela só seria vencida – se é que seria – à custa de numerosas vítimas. Na atual constelação, também nos próximos anos todos os fronts retornarão à Síria, e novos fronts se formarão, constantemente.

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