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Super Tucano em teste pela Força Aérea dos EUA sofre acidente

Queda sem causa ainda definida é má notícia para a fabricante brasileira, que disputa concorrência com americanos
Igor Gielow | Folha de S.Paulo

Um turboélice A-29 Super Tucano, fabricado pela Embraer, caiu durante um exercício de ataque leve conduzido pela Força Aérea dos EUA em um campo de provas do Novo México, na sexta (22).

Dois tripulantes conseguiram se ejetar. Segundo comunicado da base de Holloman, um dele se feriu levemente e foi medicado, enquanto não há detalhes do estado do segundo. A causa do acidente não foi divulgada.

O avião participa da fase final da competição para fornecimento de aviões leves para missões de ataque a solo e reconhecimento. Inicialmente, os EUA querem adquirir 15 unidades, para depois expandir a até 120. Elas servirão para substituir o famoso A-10 Warthog (Javali, em inglês), um modelos subsônico a jato fortemente armado e blindado que opera desde 1977.

Os americanos estão procurando opções mais econômicas para a missão. Enquanto um A-10 tem sua hora-voo…

Países entre UE e Rússia em meio a competição e incerteza

Desde o fim da Guerra Fria, Leste Europeu e Ásia Central vivem numa espécie de limbo entre Bruxelas e Moscou. Reunidos na Conferência de Segurança de Munique, especialistas debatem o futuro dessas regiões.


Lewis Sanders IV | Deutsch Welle

O colapso do comunismo e da União Soviética na década de 1990 significou mudanças importantes para o Leste Europeu e para a Ásia Central. Mas os países em ambas as regiões acabaram por se ver numa situação de limbo entre Moscou e Bruxelas.


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Rússia e União Europeia em tempos de relação difícil

Durante a Conferência de Segurança de Munique, que se encerra neste domingo (18/02) na capital bávara, generais de alta patente da Otan, legisladores alemães e as partes interessadas se encontraram para assistir à discussão entre políticos e especialistas sobre o futuro geopolítico do Leste Europeu e da Ásia Central.

Alguns conferencistas disseram estar relativamente otimistas sobre ambas as regiões, não somente sobre os países no meio do caminho, mas também em relação à Rússia e à União Europeia (UE).

O presidente da Armênia, Serj Sargsyan, afirmou que seu país aprendeu que "a competição geopolítica não traz nada de bom", destacando que só é possível garantir progresso a todos os países "combinando interesses" com outras nações.

A questão, disse Sargsyan, não é estar preso entre duas forças políticas. Em vez disso, o que importa é encontrar áreas comuns de interesse entre Armênia, Rússia e UE: "Somente através da cooperação podemos superar as dificuldades circunstanciais".

"Estado de incerteza"

O primeiro-ministro moldavo, Pavel Filip, foi menos moderado em sua avaliação, observando a existência de um "estado de incerteza" no Leste Europeu e na Ásia Central.

Para Filip, reformas domésticas problemáticas, tensões geopolíticas e os diferentes níveis de cooperação militar e econômica com a Rússia estão no cerne dessa incerteza. "Todos os países dessa região enfrentam problemas semelhantes", disse o premiê.

Filip descreveu as tropas russas na região separatista moldava da Transnístria como um empecilho no relacionamento do país com Moscou. "Nós gostaríamos de construir relações equilibradas" com a Rússia, afirmou ele, mas somente após a "retirada das tropas e das munições russas".

Quanto ao oeste, o primeiro-ministro observou desenvolvimentos positivos no relacionamento da Moldávia com Bruxelas, incluindo um acordo de associação com a UE que permitiu o fortalecimento do sistema judiciário e trouxe mais transparência ao país.

O empenho decisivo da Moldávia em direção à UE deu ao país um objetivo: a adesão ao bloco europeu. Mas para outros Estados, ressaltou Filip, continua havendo uma "falta de direcionamento estratégico".

"Rússia é Europa"

Konstantin Kosachev, presidente do comitê de assuntos internacionais na câmara alta do Parlamento russo, aproveitou o evento para criticar a UE por supostamente não cumprir a Carta de Paris de 1990, que estabeleceu as bases para as relações entre a União Soviética e o Ocidente no final da Guerra Fria.

"A era do confronto e da divisão da Europa terminou", declarou Kosachev, citando a Carta. Ele acrescentou, no entanto, que a situação atual se encontra "tão longe" dos princípios da Carta "quanto possível".

O legislador russo também questionou aqueles que posicionam a Rússia fora do continente europeu. "A Europa está fortemente dividida. Mas não posso aceitar [...] que se descreva a Europa em um lugar e a Rússia em outro, fora da Europa. Rússia é Europa", afirmou.

UE e Rússia em competição geopolítica

Kosachev criticou a Otan e a UE pelo reflexo dessa exclusão geográfica da Rússia nas suas relações com Moscou. "Ambas as organizações – com todo o respeito – não são inclusivas, elas são exclusivas", disse ele. "Todo e qualquer país da Europa Central e do Leste Europeu teve a chance de se aliar a essas organizações, mas certamente há uma exceção e essa exceção é a Rússia."

O comissário para Negociações de Ampliação da UE, Johannes Hahn, rebateu a afirmação dizendo que Moscou já teve oportunidade para iniciar o processo de adesão a ambas as organizações.

"Corrija-me se eu estiver errado, mas houve um convite à Rússia no início dos anos 1990 para se aliar à Otan. E houve uma declaração clara da Rússia de que nunca se uniria à UE porque percebeu que o bloco europeu se autobloqueava, e tudo bem – respeitamos isso", disse Hahn.

Ainda não está claro se a Rússia foi convidada a se juntar à aliança militar ou ao bloco regional sempre em expansão. Mas, para Kosachev, passado é passado, e Bruxelas e Moscou agora "têm que reconhecer" que estão em "competição" uma com a outra.

Seguindo o pensamento de Kosachev, Alexey Pushkov, ex-chefe do comitê de assuntos internacionais da câmara baixa do Parlamento russo, disse à DW: "Há uma forte tendência na aliança ocidental de ver a Rússia como adversária".

O diálogo entre Kosachev e Hahn, no entanto, soou franco e honesto. Isso, ao menos, parece um passo na direção certa.

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