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Análise: Brasil poderia se tornar 'vigilante' dos EUA na América Latina

O presidente norte-americano, Donald Trump, referiu a possibilidade de entrada do Brasil na OTAN. O analista russo Pavel Feldman avaliou a possibilidade de entrada do Brasil na aliança, bem como que papel poderia desempenhar o Brasil no conflito na Venezuela.
Sputnik

Durante a visita oficial do presidente do Brasil Jair Bolsonaro aos EUA, foram discutidos os assuntos internacionais mais importantes, entre eles a cooperação bilateral entre os EUA e o Brasil e a situação na Venezuela.


Uma das declarações mais sensacionais foi a possibilidade de entrada do Brasil na OTAN, referida pelo presidente dos EUA Donald Trump.

O vice-diretor do Instituto de Estudos Estratégicos e Prognósticos da Universidade Russa da Amizade dos Povos, Pavel Feldman, revelou em entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik que os EUA são apenas um dos países da OTAN, há outros países cuja opinião deveria ser levada em conta nesse assunto.

Segundo ele, se o Brasil aderir à OTAN ele vai desempenhar o papel de vigilante d…

Países entre UE e Rússia em meio a competição e incerteza

Desde o fim da Guerra Fria, Leste Europeu e Ásia Central vivem numa espécie de limbo entre Bruxelas e Moscou. Reunidos na Conferência de Segurança de Munique, especialistas debatem o futuro dessas regiões.


Lewis Sanders IV | Deutsch Welle

O colapso do comunismo e da União Soviética na década de 1990 significou mudanças importantes para o Leste Europeu e para a Ásia Central. Mas os países em ambas as regiões acabaram por se ver numa situação de limbo entre Moscou e Bruxelas.


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Rússia e União Europeia em tempos de relação difícil

Durante a Conferência de Segurança de Munique, que se encerra neste domingo (18/02) na capital bávara, generais de alta patente da Otan, legisladores alemães e as partes interessadas se encontraram para assistir à discussão entre políticos e especialistas sobre o futuro geopolítico do Leste Europeu e da Ásia Central.

Alguns conferencistas disseram estar relativamente otimistas sobre ambas as regiões, não somente sobre os países no meio do caminho, mas também em relação à Rússia e à União Europeia (UE).

O presidente da Armênia, Serj Sargsyan, afirmou que seu país aprendeu que "a competição geopolítica não traz nada de bom", destacando que só é possível garantir progresso a todos os países "combinando interesses" com outras nações.

A questão, disse Sargsyan, não é estar preso entre duas forças políticas. Em vez disso, o que importa é encontrar áreas comuns de interesse entre Armênia, Rússia e UE: "Somente através da cooperação podemos superar as dificuldades circunstanciais".

"Estado de incerteza"

O primeiro-ministro moldavo, Pavel Filip, foi menos moderado em sua avaliação, observando a existência de um "estado de incerteza" no Leste Europeu e na Ásia Central.

Para Filip, reformas domésticas problemáticas, tensões geopolíticas e os diferentes níveis de cooperação militar e econômica com a Rússia estão no cerne dessa incerteza. "Todos os países dessa região enfrentam problemas semelhantes", disse o premiê.

Filip descreveu as tropas russas na região separatista moldava da Transnístria como um empecilho no relacionamento do país com Moscou. "Nós gostaríamos de construir relações equilibradas" com a Rússia, afirmou ele, mas somente após a "retirada das tropas e das munições russas".

Quanto ao oeste, o primeiro-ministro observou desenvolvimentos positivos no relacionamento da Moldávia com Bruxelas, incluindo um acordo de associação com a UE que permitiu o fortalecimento do sistema judiciário e trouxe mais transparência ao país.

O empenho decisivo da Moldávia em direção à UE deu ao país um objetivo: a adesão ao bloco europeu. Mas para outros Estados, ressaltou Filip, continua havendo uma "falta de direcionamento estratégico".

"Rússia é Europa"

Konstantin Kosachev, presidente do comitê de assuntos internacionais na câmara alta do Parlamento russo, aproveitou o evento para criticar a UE por supostamente não cumprir a Carta de Paris de 1990, que estabeleceu as bases para as relações entre a União Soviética e o Ocidente no final da Guerra Fria.

"A era do confronto e da divisão da Europa terminou", declarou Kosachev, citando a Carta. Ele acrescentou, no entanto, que a situação atual se encontra "tão longe" dos princípios da Carta "quanto possível".

O legislador russo também questionou aqueles que posicionam a Rússia fora do continente europeu. "A Europa está fortemente dividida. Mas não posso aceitar [...] que se descreva a Europa em um lugar e a Rússia em outro, fora da Europa. Rússia é Europa", afirmou.

UE e Rússia em competição geopolítica

Kosachev criticou a Otan e a UE pelo reflexo dessa exclusão geográfica da Rússia nas suas relações com Moscou. "Ambas as organizações – com todo o respeito – não são inclusivas, elas são exclusivas", disse ele. "Todo e qualquer país da Europa Central e do Leste Europeu teve a chance de se aliar a essas organizações, mas certamente há uma exceção e essa exceção é a Rússia."

O comissário para Negociações de Ampliação da UE, Johannes Hahn, rebateu a afirmação dizendo que Moscou já teve oportunidade para iniciar o processo de adesão a ambas as organizações.

"Corrija-me se eu estiver errado, mas houve um convite à Rússia no início dos anos 1990 para se aliar à Otan. E houve uma declaração clara da Rússia de que nunca se uniria à UE porque percebeu que o bloco europeu se autobloqueava, e tudo bem – respeitamos isso", disse Hahn.

Ainda não está claro se a Rússia foi convidada a se juntar à aliança militar ou ao bloco regional sempre em expansão. Mas, para Kosachev, passado é passado, e Bruxelas e Moscou agora "têm que reconhecer" que estão em "competição" uma com a outra.

Seguindo o pensamento de Kosachev, Alexey Pushkov, ex-chefe do comitê de assuntos internacionais da câmara baixa do Parlamento russo, disse à DW: "Há uma forte tendência na aliança ocidental de ver a Rússia como adversária".

O diálogo entre Kosachev e Hahn, no entanto, soou franco e honesto. Isso, ao menos, parece um passo na direção certa.

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