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Análise: Brasil poderia se tornar 'vigilante' dos EUA na América Latina

O presidente norte-americano, Donald Trump, referiu a possibilidade de entrada do Brasil na OTAN. O analista russo Pavel Feldman avaliou a possibilidade de entrada do Brasil na aliança, bem como que papel poderia desempenhar o Brasil no conflito na Venezuela.
Sputnik

Durante a visita oficial do presidente do Brasil Jair Bolsonaro aos EUA, foram discutidos os assuntos internacionais mais importantes, entre eles a cooperação bilateral entre os EUA e o Brasil e a situação na Venezuela.


Uma das declarações mais sensacionais foi a possibilidade de entrada do Brasil na OTAN, referida pelo presidente dos EUA Donald Trump.

O vice-diretor do Instituto de Estudos Estratégicos e Prognósticos da Universidade Russa da Amizade dos Povos, Pavel Feldman, revelou em entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik que os EUA são apenas um dos países da OTAN, há outros países cuja opinião deveria ser levada em conta nesse assunto.

Segundo ele, se o Brasil aderir à OTAN ele vai desempenhar o papel de vigilante d…

Erdogan promete limpar terroristas do leste do Eufrates até ao Iraque

Presidente turco diz que as suas tropas têm cercada a cidade síria de Afrin e que, depois, podem ir mais longe. Comboio de veículos com ajuda humanitária conseguiu, no meio dos combates, levar alimentos até Douma, em Ghouta


Patrícia Viegas | Diário de Notícias

"Hoje estamos em Afrin, amanhã estaremos em Manbij. E a seguir garanto que iremos limpar todos os terroristas desde o leste do Eufrates até à fronteira com o Iraque". A promessa foi ontem deixada pelo presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, ao dar conta dos progressos dos militares do seu país na Síria, no âmbito da Operação Ramo de Oliveira (contra as milícias curdas).


Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, enviou tropas para a Síria para tentar afastar curdos sírios da fronteira com a Turquia | REUTERS/UMIT BEKTAS

Segundo afirmou ontem à tarde o chefe do Estado turco, os militares turcos conseguiram cercar a cidade de Afrin, no noroeste da Síria, podendo assumir o controlo da mesma a qualquer momento. "O centro de Afrin está cercado agora e a nossa entrada está iminente. Estamos a remover os últimos obstáculos que existem ao nosso cerco", disse Erdogan num discurso televisivo.

A Operação Ramo de Oliveira, que começou há sete semanas, visa afastar da fronteira turca as Unidades de Proteção Popular (YPG), forças curdas que o regime da Turquia vê como um grupo terrorista e uma extensão do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). Ilegalizado após décadas de violência, o PKK é considerado uma organização terrorista pelos EUA e pela UE.

Os norte-americanos têm apoiado, no entanto, os curdos sírios das YPG na luta ao Estado Islâmico. Um apoio que enfurece Ancara. As ameaças constantes de Erdogan de que, depois de Afrin, as forças turcas vão para Manbij, poderão chocar precisamente com os EUA, que têm tropas mobilizadas naquela parte do território sírio.

Antes de ontem falar Erdogan, já o ministro turco dos Negócios Estrangeiros, Mevlut Cavusoglu, indicara que a operação em Afrin seria terminada até maio e que depois disso seria levada a cabo uma operação conjunta com o governo iraquiano contra os curdos no Iraque. O chefe da diplomacia turca precisou que essa operação poderia começar após as eleições legislativas de 12 de maio no Iraque, assinalando que, depois da Síria, as forças turcas seguirão para solo iraquiano.

Numa altura em que a guerra na síria vai entrar no seu sétimo ano (a revolta contra o regime do presidente Bashar al-Assad começou a 15 de março de 2011), há diferentes atores no terreno: o regime sírio, os seus opositores, o Estado Islâmico, as milícias curdas, o Hezzbollah, a Rússia, os EUA, etc... Perante a situação de caos, alguns analistas admitem já que esta pode servir também para redesenhar o mapa do Médio Oriente.

"Esta é a altura para um novo mapa no Médio Oriente que reflita os diferentes povos. Esta iniciativa deve envolver as grandes potências, os EUA, também a Europa. Temos os alauitas, 13%, que vivem na costa síria, temos a grande maioria de sunitas, 70%, que vivem no centro, ao longo do rio, temos os xiitas no Iraque e temos os curdos", declarou recentemente ao DN o ex-militar israelita Aviv Oreg.

O papel dos russos tem sido posto em evidência, por exemplo, na região de Ghouta, onde a ofensiva do regime de Assad contra os opositores que diz serem terroristas já fez mais de mil mortos desde meados de fevereiro, segundo dados dos Médicos sem Fronteiras. Perante a indignação mundial causada pelas imagens de destruição e de morte em Ghouta (e novas suspeitas de ataque químico), o presidente russo Vladimir Putin ordenou uma trégua para permitir a entrada de ajuda humanitária.

Um comboio de 13 camiões transportando alimentos conseguiu ontem entrar em Douma , a principal cidade de Gjouta, indicou à Reuters o Comité Internacional da Cruz Vermelha. O comboio não conseguira fazer a entrega na segunda-feira por causa do reinício dos combates entre as forças de Assad e os opositores do regime.

Mesmo assim, ontem, os veículos voltaram a ser ameaçados. Segundo a Cruz Vermelha, os combates estiveram "muito perto". Segundo o coordenador residente da ONU, Ali al-Zaatari, "os bombardeamentos nas proximidades de Douma, leste de Ghouta, puseram o comboio em risco. Os combates ressurgiram apesar das garantias de várias partes, incluindo da Federação Russa".

Segundo o Comité Internacional da Cruz Vermelha, as 2400 parcelas de alimentos ontem distribuídas podem sustentar 12 mil pessoas durante um mês. Citado pela Reuters, Bilal Abu Salah, um dos residentes de Douma, disse que a escassez de alimentos está a tornar a vida ainda mais difícil (para além da guerra em si mesma). "Famílias inteiras só fizeram uma refeição em vários dias".

O governo sírio diz ter aberto passagens seguras para os habitantes que quisessem sair, mas segundo a reportagem daquela mesma agência internacional não há notícia de pessoas a sair. Damasco e Moscovo acusam os rebeldes de disparar contra os civis para os impedir de fugir para as zonas controladas pelo governo. Os rebeldes desmentem e afirmam que as pessoas não saem por medo de serem perseguidas pelo regime.

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