Pular para o conteúdo principal

Postagem em destaque

Quem vai receber 'resposta esmagadora' do Irã pelo atentado em Ahvaz?

No sábado (22), militantes armados abriram fogo contra uma parada militar na cidade de Ahvaz, matando 29 pessoas e ferindo outras 60. O Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica, que perdeu 12 de seus militares no atentado, prometeu que o Irã daria uma "resposta esmagadora" aos envolvidos no ataque. Mas de quem Teerã irá se vingar?
Sputnik

A responsabilidade pelo atentado foi assumida pelo Movimento Democrático Patriótico Árabe de Ahvaz (Al-Ahvazia), ligado à Arábia Saudita.

O líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, comentando a tragédia, afirmou que os atacantes receberam dinheiro da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos e que tinham sido apoiados pelos EUA.

Ex-chefe do Conselho de Cultura da administração presidencial iraniana, doutor Abbas Amirifar, acredita que por trás do ataque em Ahvaz estão países do Ocidente que "têm uma atitude hostil perante o Irã".

"Vale destacar que os terroristas que disseram estar envolvidos no atentado instalaram-se no Oc…

O xadrez das forças que se enfrentam na sangrenta batalha de Ghouta Oriental, na Síria

A região síria de Ghouta Oriental, localizada nos arredores da capital Damasco, é palco de um acirramento da guerra civil. A área está desde 2012 sob o comando de grupos rebeldes. Há cerca de um mês, o governo de Bashar al-Assad e seus aliados intensificaram ofensivas contra os territórios que estão fora de seu controle.


BBC Monitoring

Ghouta Oriental sofreu vários dias consecutivos de bombardeios, que deixaram mais de 700 civis mortos. Segundo a ONU, 76% das residências foram devastadas, e grande parte dos 400 mil moradores se mudou para abrigos subterrâneos. Há restrição à entrada de ajuda humanitária.


Tanque das forças do governo sírio
Tanque em foto divulgada pela Sana, a agência de notícias do governo sírio; acirramento do conflito na região já provocou mais de 700 mortes | EPA

Além disso, há suspeitas de que um ataque químico, com gás de cloro, tenha ocorrido na região. Médicos que atendem a população local disseram ter tratado pessoas com problemas respiratórios sintomáticos de exposição a essa substância após bombardeios aéreos realizados pelo governo sírio - que negou as acusações.

Diversos grupos armados estão presentes em Ghouta Oriental. Além de enfrentarem as forças do governo sírio, os rebeldes também combatem entre si. Saiba mais sobre as partes do conflito, de acordo com informações do BBC Monitoring.

Forças pró-governo sírio

O governo, liderado por Assad, tenta reaver o controle sobre o país. Estima-se que rebeldes controlem 3% do território sírio.

As forças pró-governo têm o apoio da Rússia, que possibilitou vitórias significativas. A maior delas foi a retomada da cidade de Aleppo, um dos principais redutos dos grupos de oposição, ocorrida em dezembro de 2016.

Jaysh al-Islam


O Jaysh al-Islam é o mais forte dos grupos rebeldes islâmicos atuando ali, com cerca de 10 mil recrutas, segundo a Al-Jazeera. É o principal opositor enfrentado pelas forças do governo sírio na região.

Foi formado em 2011 por Zahran Alloush, que morreria em 2015 após um ataque aéreo das forças do governo atingir o local de um encontro do qual ele participava em Ghouta Oriental.

Inicialmente conhecido como Liwa al-Islam, ganhou o nome que tem hoje em 2013, após vários grupos da região se unirem sob a liderança de Alloush.

À medida que a luta com forças pró-governo diminuiu o tamanho da área dos rebeldes, o Jaysh al-Islam ficou com o controle da cidade de Douma, a maior de Ghouta Oriental.

No ano passado, o Jaysh al-Islam assinou um acordo com a Rússia, aliada do governo sírio, para estabelecer zonas de redução de conflitos em Goutha Oriental. Agora, no entanto, o grupo se recusou a negociar uma nova trégua.

Em 21 de fevereiro, publicou um comunicado responsabilizando a Rússia pelo derramamento de sangue na região. Também postou atualizações sobre seus esforços para frustrar as tentativas de forças pró-governo de entrarem na área.

Acredita-se que o grupo receba apoio da Arábia Saudita. Em 2015, esteve representado na primeira conferência que reuniu vários dos opositores ao govervo sírio, realizada na capital saudita, Riad.

Seu líder político, Mohammed Alloush, se tornou então um proeminente integrante das delegações de opositores que têm conversado com enviados russos e sírios em diversos processos de negociação.

Faylaq al-Rahman

O segundo maior grupo rebelde em Ghouta Oriental seria o islâmico Faylaq al-Rahman, também sob forte pressão das forças pró-governo. Segundo a Al-Jazeera, teria 9 mil membros e controlaria cerca de um terço da área sitiada.

O Faylaq al-Rahman tem uma presença forte na linha de frente de combate ao governo sírio no oeste de Ghouta. O grupo também tem uma presença estratégica no distrito de Jobar, que é considerado uma porta de entrada para a região a partir do oeste.

O grupo seria ligado à ideologia da Irmandade Muçulmana, grupo egípcio que está nas origens do fundamentalismo islâmico. É apontado como aliado do jihadista Hayat Tahrir al-Sham, ambos contrários à presença do Jaysh al-Islam na região.

As relações entre o Faylaq al-Rahman e o Jaysh al-Islam ficaram tensas em 2016, quando surgiram as primeiras disputas internas entre os dois lados.

Hayat Tahrir al-Sham

Um terceiro grupo é o Hayat Tahrir al-Sham (HTS), poderoso no norte da Síria e presente em diversas outras áreas rebeldes do país. Era aliado da al-Qaeda, com quem rompeu em julho de 2016.

Acredita-se que tenha cerca de 500 membros em Ghouta Oriental, principalmente no distrito de Jobar. O governo sírio diz que suas tentativas de reconquistar a região estão diretamente relacionadas à presença do HTS no local.

O Jaysh al-Islam também travou batalhas para remover o grupo da região, em 2017.

Nos últimos meses, ocorreram negociações para evacuar militantes do HTS para o norte da Síria, sem sucesso.

Ahrar al-Sham

Esse quarto grupo islâmico tem presença mais expressiva no norte da Síria, mas fez recentemente uma grande ofensiva em uma cidade de Ghouta Oriental chamada Harasta. Hoje, controla parte do território.

Nessa ação, foi apoiado pelo Faylaq al-Rahman e pelo HTS.

Postar um comentário

Postagens mais visitadas