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Seul celebra decisão de Pyongyang em suspender testes nucleares e de mísseis

Presidente sul-coreano Moon Jae-in e o líder norte-coreano Kim Jong-un irão se encontrar na próxima sexta-feira (27).
EFE

O governo da Coreia do Sul qualificou neste sábado (21) como um "progresso significativo" para a desnuclearização da Coreia do Norte a decisão do regime de Pyongyang de suspender os seus testes atômicos e de mísseis, assim como o fechamento de seu centro de testes nucleares.

Em um comunicado enviado pelo gabinete presidencial sul-coreano, Seul considerou que "a decisão da Coreia do Norte é significativa para a desnuclearização da península coreana" e disse, além disso, que "ajudará a criar um ambiente muito positivo para o sucesso das próximas cúpula intercoreana e entre o Norte e Estados Unidos".

O governo sul-coreano se comprometeu em preparar o iminente encontro entre seu presidente, Moon Jae-in, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, previsto para o próximo dia 27, de modo a "liderar o caminho para a desnuclearização e paz duradour…

De suspeita de ataque químico a aeroporto bombardeado, entenda a escalada da violência na Síria

Os governos da Síria e da Rússia culparam Israel pelo ataque com mísseis que teria matado ao menos 14 pessoas em um aeroporto militar sírio nesta segunda-feira. O ataque atingiu a base aérea de Tiyas - conhecida como T4 -, próxima à cidade de Homs.


BBC Brasil

Israel, que já havia atingido alvos no país, não comentou as acusações.

Mapa mostra área alvo do ataque

Inicialmente, a Síria havia apontado os Estados Unidos como responsáveis.

Os EUA e a França haviam ameaçado retaliar a Síria por um suposto ataque químico que matou dezenas de pessoas no sábado em Douma, cidade controlada por rebeldes. Um helicóptero teria lançado uma bomba de barril (artefato explosivo improvisado consistindo em barris cheios de explosivos) com gás sarin - um agente tóxico que afeta o sistema nervoso de quem é atingido - sobre a cidade.

EUA e a França negam, porém, a autoria do ataque à base aérea.

Aqui, quatro questões para entender o que se passa na região:


1 - O que ocorreu em Douma

Douma é o último bastião rebelde na região síria de Ghouta Oriental, perto da capital síria, Damasco.

Fontes médicas dizem que dezenas de pessoas morreram no ataque, ocorrido no sábado.

Um vídeo gravado por equipes do grupo Capacetes Brancos, organização que resgata vítimas do conflito, mostra vários homens, mulheres e crianças sem vida dentro de uma casa, muitos deles com espuma na boca - um dos sinais de exposição a gás nervoso ou cloro.

No entanto, ainda não há verificação independente do que realmente aconteceu nem do número efetivo de mortos.

O Conselho de Segurança da ONU deve discutir a crise nesta segunda-feira.

Tanto a Síria quanto a Rússia negam que tenha havido um ataque químico na cidade, e dizem que fecharam um acordo para evacuar os rebeldes Jaish al-Islam que estão na em Douma.

Moscou disse que as operações militares foram suspensas na área.

Pelo acordo, 100 ônibus estão transportando 8 mil rebeldes e 40 mil familiares deles para fora da cidade atingida. Reféns que haviam sido detidos pelos rebeldes estão sendo libertados.

Pelo visto, forças pró-governo teriam agora o controle total do leste de Ghouta.

Analistas dizem que este é o maior sucesso militar do presidente Bashar al-Assad desde a queda de Aleppo em 2016. E se segue a uma intensa ofensiva lançada pelo governo em fevereiro - que deixou um saldo de mais de 1,6 mil mortos e milhares de feridos.


2 - O que disseram a comunidade internacional e a Síria

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse, após o ataque químico em Douma, que haveria um "grande preço a pagar" e insinuou que o presidente sírio - a quem chamou no Twitter de "animal" e "doente" - estaria por trás do episódio.

"Muitos mortos, incluindo mulheres e crianças, em um ataque químico irracional na Síria. A região da atrocidade está isolada e cercada pelo Exército sírio, tornando-a completamente inacessível ao mundo exterior. O presidente Putin, a Rússia e o Irã têm culpa por apoiar o Animal Assad", escreveu Trump.

E completou: "Grande preço a pagar. Abra a área imediatamente para ajuda médica e inspeção. Outro desastre humanitário sem motivo algum. DOENTE!"

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse, no entanto, que as acusações de que Assad está por trás do ataque seriam uma "provocação".

Ele acrescentou que Moscou favoreceu uma "investigação honesta" de tais incidentes, mas se opôs a atribuir culpas sem qualquer prova.

Enquanto isso, Ahmet Uzumcu, chefe da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPWC na sigla em inglês) , expressou "grande preocupação" com o suposto ataque. A OPCW está atualmente reunindo informações sobre o possível uso de armas químicas.


Resposta

Trump e o presidente da França, Emmanuel Macron, chegaram a emitir uma declaração no domingo prometendo "coordenar uma forte resposta conjunta" ao suposto ataque.

Mas autoridades dos EUA negaram que essa resposta tenha sido o lançamento dos mísseis.

"Neste momento, o Departamento de Defesa não está realizando ataques aéreos na Síria", disse o Pentágono em um comunicado.

"No entanto, continuamos a observar a situação de perto e apoiamos os esforços diplomáticos em curso para responsabilizar aqueles que usam armas químicas, na Síria e de outras formas."

A França também negou oficialmente responsabilidade sobre o ataque.

A agência estatal de notícias da Síria, Sana, inicialmente chamou o lançamento dos mísseis no aeródromo de Tiyas de "suspeita de ataque dos EUA", mas depois retirou a referência ao país.

Em abril de 2017, os EUA dispararam 59 mísseis de cruzeiro Tomahawk sobre o aeródromo militar sírio de Shayrat em resposta a um ataque com armas químicas contra Khan Sheikhoun, uma outra cidade então controlada por rebeldes.


3 - Acusações contra Israel

Citando uma fonte militar, a agência de notícias estatal síria Sana informou que as defesas aéreas repeliram um ataque de mísseis israelenses contra o T4 - dizendo que os mísseis foram disparados por jatos F15 israelenses no espaço aéreo libanês.

O Ministério da Defesa da Rússia disse que, de oito mísseis, cinco foram abatidos e três atingiram a parte oeste do aeródromo.

Israel raramente reconhece a realização de ataques, mas admitiu ter atingido alvos na Síria dezenas de vezes desde 2012. Seu ataque aéreo mais pesado no país, em fevereiro deste ano, incluiu a base aérea de T4.

Esses ataques ocorreram após a incursão de um drone iraniano em Israel e depois de a defesa aérea síria ter abatido um caça F16 israelense.

Israel disse que não permitirá que o Irã, seu arqui-inimigo, crie bases na Síria ou organize, a partir de lá, atividades que Israel vê como ameaças à sua segurança.

O Exército israelense disse que o Irã e sua Guarda Revolucionária têm atuado há muito tempo na base de Tiyas e a estavam usando para transferir armas, inclusive para o grupo militante xiita libanês Hezbollah, que é hostil a Israel e aliado às tropas sírias.

Eles também disseram que o drone foi lançado a partir da T4.

A TV al-Manar, do Hezbollah, descreveu o ataque desta segunda-feira como uma "agressão israelense".

O grupo de monitoramento Observatório Sírio para os Direitos Humanos disse que combatentes de várias nacionalidades estavam entre os mortos na base - provavelmente iranianos ou libaneses membros de milícias xiitas apoiadas pelo Irã.

Segundo Jonathan Marcus, analista da BBC para assuntos de Segurança e Diplomacia, este ataque pode ser parte do esforço crescente de Israel para conter o fortalecimento militar iraniano na Síria e para interromper o fornecimento de avançados mísseis iranianos ao Hezbollah.


4 - Que guerra é essa na Síria?

A guerra civil na Síria começou há sete anos com um levante pacífico contra o presidente do país - que em questão de meses escalou para uma guerra civil.

Mais de 350 mil pessoas já morreram no decorrer do conflito, cidades foram devastadas e outros países acabaram se envolvendo.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) calcula que mais de 5 milhões deixaram o país até agora.

Mesmo antes do conflito começar, muitos sírios reclamavam dos altos índices de desemprego, corrupção e falta de liberdade política sob o presidente Bashar al-Assad, que sucedeu seu pai, Hafez, após sua morte, em 2000.

Em março de 2011, protestos pró-democracia eclodiram na cidade de Deraa, ao sul do país, inspirados pelos levantes da Primavera Árabe em países vizinhos.

Quando o governo empregou força letal contra dissidentes, houve manifestações em todo o país exigindo a renúncia do presidente.

O clima de revolta se espalhou, e a repressão se intensificou. Simpatizantes da oposição pegaram em armas, primeiro para defender a si mesmos e depois para expulsar forças de segurança das áreas onde viviam. Assad prometeu acabar com o que chamou de "terrorismo apoiado por estrangeiros".

Seguiu-se uma rápida escalada de violência, e o país mergulhou em uma guerra civil, entre grupos contra e a favor de Assad.

Os principais aliados do governo são a Rússia e o Irã, enquanto os Estados Unidos, a Turquia e a Arábia Saudita apoiam os rebeldes.


EUA

O editor para América do Norte da BBC, Jon Sopel, lembra que "quase um ano atrás" também foram divulgadas "imagens horríveis de crianças sufocando até a morte", e que o presidente Trump insistiu, na ocasião, que isso não ficaria sem resposta.

"Então, em poucos dias, o Exército americano disparou mísseis de cruzeiro sobre um aeródromo sírio, onde o ataque de gás sarin havia sido lançado. Então, quando Donald Trump diz que haverá um preço a pagar, não é uma ameaça vazia", analisa.

Desta vez, entretanto, os russos estão alertando para terríveis consequências se o Ocidente usar esse suposto ataque de arma química como pretexto para intervir na Síria.

Durante o fim de semana, os principais conselheiros de segurança nacional do presidente americano se reuniram para estudar qual seria a resposta adequada, e Trump tem conseguido apoio internacional - a exemplo da França.

"Há uma semana, Trump disse que queria retirar as tropas americanas da Síria, mas agora ele pode estar à beira de ordenar uma resposta militar, o que poderia arrastar ainda mais os EUA para este conflito difícil", acrescenta Sopel.


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