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Militares dos EUA prometem responder a possível ataque turco contra cidade síria de Manbij

Os militares norte-americanos prometeram responder a qualquer ataque contra a cidade síria de Manbij à luz de uma possível operação turca na área, afirmou o comandante do Conselho Militar de Manbij, que faz parte das Forças Democráticas da Síria (FDS), Ebu Adil.
Sputnik

Em entrevista à Sputnik Turquia, Ebu Adil comentou a resposta dos EUA às preocupações expressas pelos representantes do Conselho Militar de Manbij devido a um possível ataque contra a cidade síria por parte de Ancara.


"Há dois anos, em conjunto com as forças da coalizão liderada pelos EUA, nós limpamos Manbij do Daesh [organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países]. Desde então, na cidade se encontram forças da coalizão. Algum tempo atrás, nós falamos com os militares norte-americanos sobre um possível ataque da Turquia contra Manbij. Os militares dos EUA prometeram responder a qualquer ataque contra a cidade, de onde quer que ele provenha", afirmou o comandante do conselho.

Além disso, ele …

Estamos a caminho da III Guerra Mundial? Onze personalidades respondem ao DN

Há um risco de guerra entre EUA e Rússia, assumiu Vassily Nebenzia, embaixador da Rússia na ONU, admitindo, sobre a hipótese de rebentar uma guerra, que "não podemos excluir qualquer possibilidade". Do lado norte-americano, embora depois tenha recuado, Donald Trump já afirmou que "os mísseis estão a chegar à Síria".


Diário de Notícias

Perante este cenário, há a possibilidade de estarmos a caminho de um terceiro conflito global? Leia aqui as respostas de nove personalidades ouvidas pelo DN.

Reprodução

ALLAN KATZ - Embaixador dos EUA em Portugal entre 2010 e 2013

Embaixador dos Estados Unidos em Portugal entre 2010 e 2013, Allan Katz admite que a ameaça de uma Terceira Guerra Mundial "aumentou exponencialmente com a relação entre os Estados Unidos e a Rússia". O advogado, que desde que deixou a embaixada passa grande parte do ano no seu apartamento da Ajuda, acredita que Donald Trump e Vladimir Putin irão perceber que têm de aclamar os ânimos. "Ainda estou à espera que ambos os líderes expressem, através de palavras e atos, que têm noção de que têm de acalmar as tensões em todo o mundo", disse ao DN.

OLEG CHUMAKOV - Professor de russo na Oxford School e na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Nasceu em 1960 e está em Portugal desde 1999

"Pelo que vejo nas notícias da televisão russa, da parte da Rússia não vejo ameaça nenhuma, ninguém lá, nenhum político ou nenhuma outra pessoa, quer uma guerra, nuclear ou de outro tipo. O desenvolvimento económico, social e político da Rússia implica vontade de continuar sem guerra nenhuma, sem estas perturbações. Agora, da parte da política anglo-saxónica, dos EUA e Inglaterra, vejo uma ameaça concreta. Na opinião de muitas pessoas, e não falo só de russos, mas também de portugueses, é a política anglo-saxónica que representa uma ameaça. Em vez de criar condições para um ambiente de cooperação social, política e económica com a Rússia, criam condições para entrar em conflito com esta potência nuclear, que claramente começa a ficar preocupada e até assustada com a sua segurança nacional."

LEONIDAS CHRYSANTHOPOULOS - Embaixador grego reformado e especialista em assuntos internacionais

"Haverá um confronto entre a Rússia e os EUA na Síria e no Mediterrâneo Oriental porque a situação lá tornou-se demasiado complicada e é praticamente impossível impedir que a situação se deteriore ainda mais. Temos Israel a atuar como agente provocador, o Irão e a Turquia invadiram a Síria, para não falar da Arábia Saudita. A propaganda contra a Rússia nos EUA não está a ajudar e ter [John] Bolton como novo conselheiro de segurança nacional é um desastre. A ONU é inútil e não há ninguém com prestígio para mediar. Mas se o conflito vai evoluir ou não para uma terceira guerra mundial isso ainda está para se ver", afirmou Leonidas Chrysanthopoulos ao DN.

MÁRIO CORDEIRO - Pediatra

"A III Guerra Mundial pode acontecer, até porque os aliados de hoje são inimigos amanhã e o carácter utilitários das pessoas e das nações sobrepôs-se à noção de aliança e de fidelidade e lealdade", diz ao DN Mário Cordeiro. Os tempos são, na opinião do pediatra, "de vingança e mesquinhez, desprezo pela empatia e pela solidariedade, e corre-se o risco de, com vários loucos e psicopatas ocupando lugares de poder, a guerra começar". Considera que "já começou a guerra financeira e informática, e seguir-se-á, eventualmente, a guerra violenta, de uma forma nunca vista e sem obedecer às, mesmo que ridículas e discutíveis, regras militares". Se isso acontecer, prossegue, "o planeta corre risco de sobrevivência". Para si, que se diz um otimista, "os tempos são muito maus e andamos porventura demasiado distraídos relativamente a esta questão".

Mário Cordeiro diz que "os períodos 'entre duas guerras' são sempre muito frágeis e, verdadeiramente, não são de paz, porque há sempre escaramuças e guerrilhas locais, civis ou regionais, apesar de muitas serem ignoradas". Desde que o homem inventou armas, "agora de destruição maciça e sem respeito sequer pela população civil, o risco de hecatombe é real. Muito pior quando quem decide e pode 'carregar no botão' pensa em interesses políticos, financeiros, narcisistas ou racistas ente outros".

CARLOS COELHO - Eurodeputado do PSD

"Acho que não. Acho que vai prevalecer a abordagem racional, ninguém tem interesse nesse cenário apocalíptico. Não ajuda nada o tipo de comunicação incendiária, pelo twitter, do presidente Donald Trump", afirmou Carlos Coelho ao DN.

CARLOS ZORRINHO - eurodeputado PS

Ao DN, Carlos Zorrinho afirmou que é necessário "defender o multilateralismo". "Os fatores de risco existem e são hoje mais elevados que nunca. A História mostra-nos que os grandes conflitos raramente começam da forma mais óbvia e pode haver um fator que, parecendo menos óbvio, acaba por ganhar grande destaque. O que temos de fazer é continuar a defender o multilateralismo. Não sendo uma garantia, é confortante saber que EUA, França, Inglaterra... que os vários canais diplomáticos continuam ativos. É preciso cumprir aquela velha máxima de fazer a guerra sem armas", acrescentou.

PATRÍCIA MÜLLER - Escritora, autora de "Madre Paula" e "Uma senhora nunca"

"O momento é indefinido. Relações entre EUA/Rússia são nubladas: Trump é posto na presidência por Putin e agora ameaçam-se com mísseis por causa da Síria? Há aqui qualquer coisa que me parece um tremendo bluff e muito jogo político incoerente. A diferença de uma possível terceira guerra para as outras guerras é que, tendo sido o século XX o da solidariedade, algum ensinamento deixou ao presente na sociedade ocidental: o medo de provocar mortes sem fim, de destruir o futuro da humanidade. O passado deixou marcas fortes e não estamos com o espírito da Idade Média. Isto inclui Rússia também, talvez não Síria, China ou Coreia do Norte. A haver uma escalada mundial de violência, acredito que poderá partir daí. A tentativa crescente de se impor da China face aos EUA ou a loucura da Coreia do Norte podem ser um espoletar como foram a morte de Francisco Ferdinando ou a invasão da Polónia. E aqui entra uma nova variável: a tecnologia e a capacidade alargada de impor destruição à distância. Hiroshima será um brinquedo de crianças ao pé do variado arsenal militar que os países dispõem - veja-se o ataque químico na Síria. Por isso, acho que, se for, será também uma batalha de combate à memória. Uma Terceira Guerra não trará resultados novos, sabemos o que comporta. Os principais líderes mundiais arriscam a ressuscitação de fantasmas que ainda não foram enterrados? Acho que farão de tudo para evitar. Mesmo o Trump", afirmou Patrícia Müller ao DN.

ANA RITA CAVACO - Bastonária da Ordem dos Enfermeiros

Diz que não tem "conhecimentos suficientes que permitam dizer que estamos mais perto da terceira guerra mundial", mas a sua "perceção empírica" é de que "já estivemos mais longe". Ana Rita Cavaco considera "é muito preocupante tudo o que vemos nas notícias, a escalada dos conflitos entre os vários países e a falta de bom senso dos líderes mundiais, sobretudo dos EUA". O que dizem, prossegue, "as ameaças que fazem uns aos outros podem ser só parte do jogo político, mas, do ponto de vista do cidadão comum, a perceção é que estamos mais perto. Se é real ou não, não sei responder". O que mais choca a bastonária da Ordem dos Enfermeiros é que "a vida humana parece que não tem valor nenhum. Mata-se como quem bebe um copo de água".

MARISA MATIAS - Eurodeputada do BE

"Na Síria está a jogar-se um braço-de-ferro entre as diferentes potências mundiais, que não tem a ver com a Síria, tem a ver com o Médio Oriente e os interesses das maiores potências. Estamos num cenário de um mundo mais multipolar que bipolar - está neste momento a desenvolver-se um braço-de-ferro EUA/Rússia, mas também entre a Arábia Saudita e a Turquia. Na Síria, ou no Iémen, há muito tempo que estamos numa situação de guerra, não nos termos convencionais que conhecemos, da primeira ou da segunda guerra mundiais, mas não estamos num contexto de paz. Como é que se vai resolver agora não sou capaz de antecipar", disse ao DN.

RUI ALMEIDA - Antigo selecionador nacional de futebol da Síria entre 2010 e 2012

Antigo selecionador nacional sub-23 e AA da Síria entre 2010 e 2012, Rui Almeida diz que o país que conheceu "nada tem a ver com esta Síria". "Vivi em Damasco e nada fazia prever o que está acontecer", acrescentou. "Independentemente das razões de parte a parte, as baixas humanas são mais do que suficientes para travar este conflito. Fico triste porque convivi com as pessoas durante um ano e meio", lamentou o treinador de futebol.

Para o técnico português, "desenvolveu-se um problema político central que cruza vários problemas daquela região do globo". "A Síria não é um pais influente. Estão a falar mais alto os interesses dos países ali à volta. Fico triste", considerou.

VLADIMIR PLIASSOV - Prof. universitário, Centro de Estudos Russos da Fac. Letras da Universidade de Coimbra

"Ninguém quer guerra, toda a gente quer estabilidade. Apesar das ameaças de Donald Trump, não acredito que haja guerra entre Rússia e Estados Unidos", diz ao DN Vladimir Ivanovitch Pliassov, professor universitário, responsável pelo Centro de Estudos Russos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. "Até porque os Estados Unidos nunca fizeram guerra contra uma potência contra a qual correm e também se sentiriam ameaçados", sublinha o professor que foi viver para Coimbra em 1988 e, desde então, se tem dedicado a promover a língua, a história e a cultura russas além-fronteiras.

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