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EUA criticam bombardeiros russos na Venezuela: "Nós mandamos navio-hospital"

O coronel Robert Manning, porta-voz do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, criticou com veemência nesta segunda-feira o envio de bombardeiros russos à Venezuela e citou o envio de navio-hospital à região como exemplo do compromisso de Washington com a região.
EFE

Washington - "O enfoque dos EUA sobre a região difere do enfoque da Rússia. No meio da tragédia, a Rússia envia bombardeiros à Venezuela e nós mandamos um navio-hospital", declarou Manning durante uma entrevista coletiva realizada hoje no Pentágono.


O militar se referia com estas palavras ao USNS Comfort, que partiu em meados de outubro rumo à América Central e à América do Sul para oferecer ajuda sanitária aos milhares de refugiados venezuelanos amparados por diversos países da região.

"Enquanto nós oferecemos ajuda humanitária, a Rússia envia bombardeiros", lamentou Manning em referência ao envio uma esquadrilha de aviões russos, incluindo dois bombardeiros estratégicos T-160, capazes de carregar bomb…

Até onde a Europa vai para salvar o acordo nuclear?

Manter o tratado com o Irã pode significar colocar em risco as estratégicas relações com os Estados Unidos e se aproximar da Rússia. Os europeus têm poucas opções.


Teri Schultz | Deutsch Welle

O rompimento unilateral do acordo com o Irã, por parte dos Estados Unidos, apesar dos apelos pessoais dos mais poderosos políticos europeus, forneceu mais um exemplo de que o presidente Donald Trump não tem nenhum constrangimento em ignorar os interesses europeus e as questões transatlânticas.

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O ministro iraniano do Exterior, Javad Zarif, durante encontro com a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini

Aos líderes da União Europeia restam duas opções, ambas desagradáveis: enfrentar Trump na tentativa de preservar o acordo – mesmo diante da ameaça de sanções americanas contra qualquer um que faça negócios com o Irã – ou acatar tudo o que Washington fizer, mesmo que isso implique abandonar um acordo por eles fechado e no qual acreditam.

Para salvar o acordo nuclear com o Irã, e a própria dignidade, os signatários europeus do acordo – França, Alemanha e Reino Unido – precisam decidir o quanto querem se aproximar da Rússia, da China e do Irã.

"Trata-se de tentar interagir com os vários participantes do acordo para se chegar a uma situação da qual seja possível extrair algum tipo de concessão dos americanos, para ao menos tentar manter o acordo vivo mesmo sem a participação deles", avalia o especialista Julien Barnes-Dacey, do Conselho Europeu de Relações Internacionais.

"Para o ministro iraniano do Exterior, Javad Zarif, a mensagem será muito clara", afirma. "'Não ouse fazer algo que nos obrigue a reconsiderar e nos afastar dos nossos próprios compromissos com o acordo.' A prioridade imediata será dizer aos iranianos: 'Vamos fazer tudo o que pudermos, vocês devem fazer tudo o que vocês puderem, e vamos tentar buscar um plano de contingência.'"

Barnes-Dacey avalia que encontrar esse equilíbrio será realmente difícil, mas acredita que os líderes europeus vão tentar. "Os méritos do acordo e as desvantagens de um colapso total são tão grandes que, mesmo que os europeus achem que as chances de sucesso são pequenas, ainda assim vale a pena ao menos tentar", acrescentou.

Isso significa posicionar os russos e chineses em torno do Irã, junto com os britânicos, franceses e alemães. "Há um interesse estratégico fundamental na Europa de, de alguma maneira, salvar elementos do acordo nuclear", diz Barnes-Dacey. "A Rússia pode ser parte dessa solução, mesmo em termos de tentar reincluir os americanos."

Isso deixa uma porta aberta para aqueles países europeus que há muito defendem um alívio ou mesmo o fim das sanções à Rússia. "Esse risco existe", concorda o especialista Roland Freudenstein, do Centro para Estudos Europeus Wilfried Martens. Ele avalia que esperanças nesse sentido existem na Áustria, na Grécia e na Hungria, bem como dentro do novo governo da Itália – assim como, é claro, em Moscou. "Eles veem uma grande janela de oportunidades", acrescenta.

O embaixador da Rússia na União Europeia, Vladimir Chizhov, declarou recentemente à DW esperar que, em breve, haja não apenas um retorno à situação de negócios anterior entre a União Europeia e a Rússia, mas também a uma "melhor que o usual".

Barnes-Dacey diz que há várias maneiras de a Rússia tirar vantagem dessa situação delicada. "Uma delas é, claro, exacerbando as divisões entre os europeus e os americanos, e eu acho que levar o acordo para esse lado é claramente do interesse deles. Outro elemento seria qualquer oportunidade, para os russos, de se posicionar com mais força no Oriente Médio, também por meio de sua relação estratégica com os iranianos."

Para ele, a decisão de Trump "fortalece aqueles que, dentro da Europa, dizem que não se pode mais confiar nos americanos, que eles não cumprem nada e, em vez disso, deveria-se criar transações reais com a Rússia, que cumpre seus compromissos."

Entre a Rússia e os EUA

Mesmo assim, Freudenstein afirma que o Kremlin não deveria se encher de esperanças. "Os diplomatas dos três grandes países-membros que estão envolvidos no processo do acordo iraniano podem pensar que é necessário falar com a Rússia", comenta. "Mas isso não vai mudar nada no terreno, lá no Donbass, na Crimeia e no conflito híbrido que a Rússia começou contra nós." Por isso, ele alerta: "Se nós agora ignorarmos nossos problemas com a Rússia, isso vai quebrar a União Europeia."

O especialista Cornelius Adebahr, do Carnegie Europe, diz acreditar que é improvável que haja algo mais do que uma aproximação de interesses com a Rússia. "Não se trata de rebalancear algum tipo de aliança porque não há aliança para se ter com a Rússia, e os europeus logo vão entender isso." O que realmente deve preocupar a Europa, afirma, "é a deterioração da relação com os Estados Unidos".

E é justamente aí que Barnes-Dacey acredita que mesmo um posicionamento firme dos europeus perante as ações americanas resultará em fracasso, fazendo com que a União Europeia se veja confrontada com sua incapacidade de agir sozinha.

"A falta de uma infraestrutura própria de defesa, o pano de fundo da relação agressiva e tensa com a Rússia: tudo isso desempenha um papel e vai acabar obrigando a Europa a aceitar ou ao menos a não desafiar de forma tão hostil o que os americanos estão fazendo", prevê. "Os europeus precisam preservar essa relação estratégica mais ampla mesmo que aquilo que Trump esteja fazendo seja percebido como totalmente ultrajante."

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