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Turquia acionará judicialmente os EUA, caso entregas dos F-35 sejam bloqueadas

Segundo o porta-voz do presidente turco, Ibrahim Kalin, a Turquia recorrerá a medidas jurídicas caso as entregas dos F-35 sejam bloqueadas pelos EUA.
Sputnik

Ibrahim Kalin citou para a mídia turca que "não é nada fácil rescindir este contrato, somos parte de um contrato multilateral, cumprimos com todas as exigências e pagamos, caso os EUA não cumpram, recorreremos à lei".

O Congresso americano decidiu recentemente suspender as entregas dos caças americanos de quinta geração F-35 à Turquia devido aos planos de Ancara de adquirir o sistema de defesa antiaérea russo S-400, além de ameaçá-la com sanções em diversas ocasiões, como citado em artigo da Sputnik Mundo.

O avançado sistema antiaéreo S-400 Triumph (SA-21 Growler, na classificação da OTAN) é capaz de abater alvos aéreos com tecnologia furtiva, mísseis de cruzeiro e mísseis balísticos táticos e táticos-operacionais, tem um alcance de até 400 km e pertence à geração 4+, sendo duas vezes mais eficaz que seus antecessores.

Os se…

EUA inauguram sua embaixada em Jerusalém; confrontos em Gaza deixam dezenas de mortos

Donald Trump cumpre polêmica promessa de mudar representação diplomática no dia em que Israel completa 70 anos. Confrontos na fronteira com a Faixa de Gaza deixaram mais de 50 palestinos mortos.


Por G1

Os Estados Unidos inauguraram sua embaixada em Jerusalém nesta segunda-feira (14), dia em que o Estado de Israel completa 70 anos e em que confrontos na fronteira com a Faixa de Gaza deixaram dezenas de mortos.

Manifestantes palestinos correm para se proteger de tiros e bombas de gás atiradas por tropas israelenses durante protesto na fronteira entre Israel e Gaza contra a inauguração de embaixada dos EUA em Jerusalém (Foto: Ibraheem Abu Mustafa/Reuters)
Manifestantes palestinos correm para se proteger de tiros e bombas de gás atiradas por tropas israelenses durante protesto na fronteira entre Israel e Gaza contra a inauguração de embaixada dos EUA em Jerusalém (Foto: Ibraheem Abu Mustafa/Reuters)

Os palestinos protestam na fronteira desde o dia 30 de março, na chamada Grande Marcha do Retorno, que evoca o direito dos palestinos de voltarem para os locais de onde foram removidos após a criação do Estado de Israel, em 1948. Nesta segunda, ainda protestam contra a inauguração da representação diplomática dos EUA em Jerusalém.

Até as 13h00, pela hora de Brasília, havia 52 mortos, segundo autoridades palestinas. O Ministério da Saúde palestino informou ao jornal "Haaretz" que há mais de 2200 feridos. De acordo com o embaixador palestino na ONU, entre os mortos há 8 crianças com menos de 16 anos.

Também houve protestos do lado de fora do prédio em que passa a funcionar a embaixada americana. A polícia tentou conter e afastar os manifestantes, e 14 pessoas foram detidas.

A cerimônia de abertura foi conduzida pelo embaixador americano em Israel, David Friedman.

Em uma mensagem gravada em vídeo, o presidente Donald Trump disse que era necessário "admitir o óbvio": que a capital de Israel é Jesusalém. Também afirmou que os EUA estão comprometidos com a paz na região.

"Os EUA continuam totalmente comprometidos em facilitar um acordo de paz duradouro. Os EUA sempre serão um grande amigo de Israel e um parceiro na causa da liberdade e da paz", disse Trump.

O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, disse que estava "profundamente emocionado e profundamente grato".

"Que dia glorioso. Lembrem este dia. Que dia histórico!", afirmou.

"Este é um momento histórico. Presidente Trump, ao reconhecer o que pertence à história, você fez história", disse Netanyahu.

Entre as personalidades israelenses também estavam presentes o presidente de Israel, Reuven Rivlin, e o prefeito de Jerusalém, Nir Barkat. Entre a delegação americana, Ivanka Trump e Jared Kushner, filha e genro e conselheiros do presidente americano, e Steven Mnuchin, secretário de Tesouro dos EUA.

A nova embaixada está no bairro de Arnona, em Jerusalém Ocidental, num prédio construído em 2010. Parte do terreno era considerada, até a Guerra dos Seis Dias (1967), terra de ninguém.

Em uma primeira fase, a embaixada ficará dentro da seção de vistos do consulado-geral dos EUA em Jerusalém. O imóvel sofreu adaptações para receber o embaixador David Friedman e sua equipe. Em até um ano, um novo anexo será construído para ampliar o espaço da embaixada. O objetivo é construir uma sede própria para a representação diplomática em até dez anos.

Confrontos em Gaza


Na fronteira com a Faixa de Gaza, milhares de palestinos se reuniram em diversos pontos e pequenos grupos se aproximaram da cerca de segurança vigiada por soldados israelenses. Os grupos tentaram avançar contra a barreira e lançaram pedras na direção dos soldados, que responderam com tiros.

Após os confrontos, o Exército de Israel anunciou que lançou bombardeios contra alvos do Hamas, o movimento islâmico palestino que governa a Faixa de Gaza. "Os aviões atacaram os postos militares do Hamas perto de Jabalia, depois que as tropas receberam disparos vindos do norte da Faixa. Nenhum soldado ficou ferido", indicou o exército em comunicado.

A Autoridade Palestina acusou Israel de cometer um "massacre horrível" na fronteira. A Anistia Internacional pediu a Israel o fim da "abominável violação" dos direitos humanos na Faixa de Gaza. A OLP (Organização para a Libertação da Palestina) anunciou uma greve geral nos territórios palestinos para esta terça, em luto pelo "martírio" na Faixa de Gaza.

A União Europeia pediu "máxima moderação" depois das mortes em Gaza.

Decisão polêmica

A decisão de Trump de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel e de transferir a representação diplomática de Tel Aviv para essa cidade é muito polêmica e foi criticada pela União Europeia e por países árabes porque rompe com o consenso internacional de não reconhecer a cidade como capital da Palestina ou de Israel até que um acordo de paz seja firmado entre as duas partes.

A liderança da Autoridade Palestina se recusa a conversar com os representantes do governo Trump desde o anúncio da transferência da embaixada, nem sequer com o genro do presidente, Jared Kushner, que havia sido designado para estimular o processo de paz.

Nesta segunda, o governo do Reino Unido ressaltou seu desacordo em relação à transferência da embaixada americana e deixou claro que a delegação britânica continuará em Tel Aviv.

A Rússia expressou o temor de que a tensão aumente em toda a região do Oriente Médio. O Líbano classificou a mudança como uma "nova catástrofe" para os palestinos.

O Irã condenou a mudança da embaixada e advertiu que esta medida só fortalecerá "a determinação da nação palestina oprimida para resistir à ocupação" de Israel.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse estar "profundamente preocupado" e pediu uma "necessária contenção" perante as notícias sobre a morte de um "número significativo" de pessoas.

Entenda a disputa

No conflito entre Israel e palestinos, o status diplomático de Jerusalém, cidade que abriga locais sagrados para judeus, cristãos e muçulmanos, é uma das questões mais polêmicas e ponto crucial nas negociações de paz.

Israel considera Jerusalém sua capital eterna e indivisível. Mas os palestinos reivindicam parte da cidade (Jerusalém Oriental) como capital de seu futuro Estado.

Apesar de apelos por parte de líderes árabes e europeus, e de advertências que a decisão poderia desencadear uma onda de protestos e violência, Trump resolveu adotar uma nova abordagem sobre o tema, considerando que mesmo com a postura anterior dos EUA, a paz na região até hoje não foi atingida.

Atualmente, a maioria dos países mantém suas embaixadas em Tel Aviv, justamente pela falta de consenso na comunidade internacional sobre o status de Jerusalém. A posição da maior parte da comunidade internacional é a de que o status de Jerusalém deve ser decidido em negociações de paz.

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