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EUA e Rússia revivem a Guerra Fria no Oriente Médio com duas cúpulas

Reuniões paralelas, na Polônia e na Rússia, representaram a revitalização do rompimento entre as potências sobre o Irã, a guerra na Síria e o conflito entre Israel e a Palestina
Juan Carlos Sanz e María R. Sahuquillo | El País
Sochi / Jerusalém - Em 1991, a Conferência de Madri estabeleceu um modelo para o diálogo multilateral no Oriente Médio após o fim da Guerra Fria, que havia colocado Washington contra Moscou na disputa pela hegemonia em uma região estratégica. Transcorridos mais de 27 anos, dois conclaves paralelos representaram nesta quinta-feira em Varsóvia (Polônia) e Sochi (Rússia) a revitalização do rompimento entre as potências sobre o Irã, a guerra na Síria e o conflito israelo-palestino. Os Estados Unidos e a Rússia, copresidentes em Madri em 1991, já não atuam mais como mediadores para aliviar as tensões e, mais uma vez, assumem um lado entre as partes conflitantes.

No fórum da capital polonesa, a diplomacia dos EUA chegou a um impasse ao reunir mais de 60 países em uma reu…

EUA temem que Irã capture sua base na Síria?

Em 2016, os EUA iniciaram o treinamento de militantes do Exército Livre da Síria em sua base militar de Al-Tanf, a fim de combater os terroristas do Daesh (organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países) na região.


Sputnik

De acordo com a edição The Washington Post, Washington está preocupado com a possibilidade de as forças iranianas, que apoiam o governo sírio, poderem capturar a base norte-americana no país. Outros assessores de alto nível, citados pelo jornal, indicaram que os EUA podem expandir a campanha contra as forças iranianas na Síria, devastada pela guerra. 


Soldado norte-americano na Síria (foto de arquivo)
Tropa dos EUA na Síria © AP Photo / Hussein Malla

Essa mudança de rumo contradiria a promessa do presidente estadunidense, Donald Trump, de "deixar a Síria muito em breve", já que o país já "tinha cumprido sua missão".

De acordo com The Washington Post, o destino da base de At-Tanf demonstra toda a confusão que caracteriza a resposta do presidente Trump à crescente "influência política e militar" do Irã na região.

Inicialmente, a base foi instalada para combater os grupos armados radicais e retomar a passagem estratégica de Al-Bukamal.

Desde que Trump tomou posse como presidente dos EUA, ele prometeu agir decisivamente contra o Irã, que alegadamente se juntou às forças do governo sírio e frustrou os planos dos EUA de avançar a noroeste.

Como Trump acusou Teerã de desencadear a "violência" e de impulsionar o "derramamento de sangue e o caos" por todo o Oriente Médio, a missão anti-Daesh em al-Tanf se transformou suavemente em posto de contenção da suposta presença iraniana na área. Os principais assessores militares de Trump, no entanto, estão relutantes em iniciar uma campanha maior na Síria devido às preocupações com a segurança das tropas posicionadas na região.

As tensões entre os EUA e o Irã se agravaram recentemente quando o presidente Trump anunciou sua decisão de abandonar o acordo nuclear com o Irã e a reintrodução das sanções contra o país. A situação está sendo exacerbada devido aos ataques de Israel a supostas instalações iranianas na Síria.

Desde 2016, os EUA estão treinando militantes do Exército Livre da Síria em sua base militar de al-Tanf para combater o Daesh. As ações dos norte-americanos têm sido fortemente criticadas por parte de Damasco e Moscou. A Síria vem expressando preocupações de que Washington esteja "apoiando os grupos móveis do Daesh para estes empreenderem incursões e lançarem operações terroristas subversivas contra as tropas e civis sírios".

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