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Su-57 russo supera caças de 5ª geração F-22 e F-35 dos EUA, diz piloto militar

O uso de caças F-22 pela Força Aérea dos EUA na Síria privou este modelo de suas vantagens sobre aeronaves russas, segundo a mídia norte-americana. Em entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik, um piloto militar russo comentou a situação.
Sputnik

A utilização de caças norte-americanos F-22 na Síria privou os EUA das vantagens destes caças em relação aos caças russos, escreveu o jornal Military Watch. Segundo Veralinn Jamieson, tenente-general da Força Aérea dos EUA, os céus do Iraque e da Síria se tornaram "armazém de informações" para russos sobre atuação de caças estadunidenses durante operações.

Segundo o autor do artigo, os russos tiveram bastante tempo para analisar e testar a tecnologia de furtividade dos F-22, além de terem coletado dados sobre o uso da aeronave e encontrado meios de combatê-la. Além disso, a Rússia poderá usar essas tecnologias na fabricação de suas aeronaves.

O artigo enfatiza que os radares dos sistemas de mísseis antiaéreos S-300 e S-400 da Rússia …

Merkel avisa que a Europa já não pode confiar nos Estados Unidos

Alemanha e França elevam o tom da escalada de declarações, depois da decisão de Trump de abandonar o pacto nuclear com o Irã


Claudi Pérez | El País

“Há conflitos às portas da Europa. E a época em que podíamos confiar nos Estados Unidos acabou.” A chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, se lançou nesta quinta-feira em Aachen com inusitada dureza contra o presidente norte-americano, Donald Trump, e sua decisão de retirar seu país do acordo nuclear com o Irã, que transforma o Oriente Médio em um vespeiro. O francês Emmanuel Macron endossou essa furiosa reação: “Algumas potências decidiram descumprir sua palavra: estamos diante de grandes ameaças e a Europa tem o dever de manter a paz e a estabilidade na região”.

O chanceler alemã, Angela Merkel, nesta quinta-feira em Aquisgrán.
A chanceler alemã, Angela Merkel, nesta quinta-feira em Aquisgrán | LUDOVIC MARIN (AFP)

Terceira lei de Newton: a toda ação corresponde sempre uma reação igual. A Europa reage à sua maneira à retirada dos EUA do acordo nuclear com o Irã, que deixou as empresas do continente expostas a sanções, provocou uma escalada dos preços do petróleo e, para piorar, atiça ainda mais o vespeiro do Oriente Médio. A União Europeia está há alguns dias com suas baterias diplomáticas voltadas para minimizar o impacto dessa afronta. Mas a Alemanha e a França elevaram nesta quinta-feira o tom da escalada de declarações: “A Europa já não pode confiar nos Estados Unidos e tem de tomar seu destino em suas próprias mãos”, disse a chanceler Merkel na entrega do prêmio Carlos Magno a Macron. “Não podemos deixar que outros [em referência a Washington] decidam por nós”, ressaltou o presidente francês.

A UE está à espera de que os EUA ofereçam alguma saída ao acordo com o Irã que evite males maiores, como fez em outra ocasião, depois de torpedear o pacto comercial com o Canadá e o México. Mas está claro que a lua de mel entre EUA e Europa, que durou 70 anos, chega a seu fim. Trump já tornou públicas suas intenções em campanha, mas os analistas esperavam que tudo ficasse em pregação populista contra a União Europeia para ganhar as eleições. Erro crasso: o crescendo desde sua chegada ao Salão Oval é espetacular. Trump dinamitou o acordo do clima de Paris, declarou a OTAN obsoleta, começou há algumas semanas com as ameaças protecionistas e arremata agora com o rompimento do acordo com o Irã, que representa uma bofetada para os interesses europeus e, sobretudo, um murro na geopolítica e na segurança global.

Apesar das sucessivas visitas de Merkel, Macron e outros líderes, Trump acabou cumprindo suas ameaças ao Irã, em uma decisão que lembra os capítulos prévios à Guerra do Iraque, já faz 15 anos. A diferença é que desta vez Washington não busca cumplicidades na Europa: tanto Merkel como Macron deixaram claro em Aachen que sua sintonia com Trump é nula nesse assunto, e que a Europa tem que escorar a toda pressa sua política externa diante da constatação de que os EUA deixaram de ser seu histórico aliado. Berlim e Paris pediram nesta quinta-feira contenção a Israel e Irã para evitar uma escalada na região. “Sabemos que é uma situação extremamente complicada”, disse Merkel. “Trata-se verdadeiramente de decidir entre a guerra e a paz”, acrescentou.

Macron fez um chamado pelo fortalecimento da política externa e de defesa comuns, apesar das históricas reticências de Berlim nesses assuntos. “Escolhemos construir a paz no Oriente Médio. Outras potências [em referência aos EUA] não mantiveram sua palavra”, afirmou, ciente de que a Europa desempenha um papel muito secundário na Síria.

O corolário está muito claro: a Europa não pode mais confiar em Trump. “Em seu lugar, a UE deve se apossar de seu próprio destino, essa é a tarefa para o futuro”, segundo a chanceler. A realidade e o desejo: Merkel afirma que a Alemanha tem de fazer mais, mas acaba de anunciar o congelamento de seu orçamento em defesa para os próximos cinco anos, muito longe das cifras que os Estados Unidos reclamam. Berlim afirmou nas últimas 48 horas que vai jogar um papel de protagonista para conseguir uma solução pacífica na Síria, mas isso é o contrário do que fez nos últimos cinco anos. Dizem os analistas que o Brexit serviu para unir a UE: pode ser que o desafio que Trump representa e o menosprezo que parece estar dando ao multilateralismo convençam a Alemanha de que a Europa, para além do euro e do mercado comum, necessita urgentemente de uma política externa digna desse nome.

Desde os acordos de Bretton Woods, em 1944, a Europa deixou em mãos de Washington a liderança econômica: a ruptura do acordo com o Irã e a imposição de sanções é a penúltima prova de que essa liderança pode se transformar em uma arma contra os interesses europeus enquanto um bilionário linguarudo e excêntrico com um estranho topete se sentar no Salão Oval.

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