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EUA criticam bombardeiros russos na Venezuela: "Nós mandamos navio-hospital"

O coronel Robert Manning, porta-voz do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, criticou com veemência nesta segunda-feira o envio de bombardeiros russos à Venezuela e citou o envio de navio-hospital à região como exemplo do compromisso de Washington com a região.
EFE

Washington - "O enfoque dos EUA sobre a região difere do enfoque da Rússia. No meio da tragédia, a Rússia envia bombardeiros à Venezuela e nós mandamos um navio-hospital", declarou Manning durante uma entrevista coletiva realizada hoje no Pentágono.


O militar se referia com estas palavras ao USNS Comfort, que partiu em meados de outubro rumo à América Central e à América do Sul para oferecer ajuda sanitária aos milhares de refugiados venezuelanos amparados por diversos países da região.

"Enquanto nós oferecemos ajuda humanitária, a Rússia envia bombardeiros", lamentou Manning em referência ao envio uma esquadrilha de aviões russos, incluindo dois bombardeiros estratégicos T-160, capazes de carregar bomb…

O poderio militar do Irã

Mesmo em desvantagem perante principais inimigos, país é uma das maiores forças bélicas do Oriente Médio e compensa fraquezas com estratégias assimétricas e de baixo custo.


Chase Winter | Deutsch Welle

O Irã é uma grande potência militar no Oriente Médio, com estimados 534 mil militares ativos no Exército, Marinha, Aeronáutica e na Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC).

Soldados da Guarda Revolucionária Islâmica marcham durante parada militar em Teerã
Soldados da Guarda Revolucionária Islâmica marcham durante parada militar em Teerã

O Global Firepower Index, um site sobre ranking militar, classifica o Irã como número 13 do mundo, entre 136 países. A lista é baseada em mais de 50 fatores, incluindo potencial de guerra com forças convencionais (não nucleares), contingente de soldados, geografia e finanças. Para comparar com outras potências regionais: a Turquia ocupa a nona posição, o Egito está na 12ª, Israel, na 16ª, e a Arábia Saudita está na 26ª.

A população de 82 milhões de habitantes indica que o Irã pode dispor de muitos soldados. Esse é um fator importante na manutenção de guerras longas, como a guerra Irã-Iraque, entre 1980 e 1988.

No entanto, com um orçamento de 16 bilhões de dólares em 2017, o financiamento de defesa do Irã fica aquém dos rivais regionais e é bem menor do que a despesa de países com os quais Teerã mais provavelmente entraria em conflito, como Israel, com 18,5 bilhões de dólares (mais 3,5 bilhões de dólares em ajuda militar dos EUA); Arábia Saudita, com 76,7 bilhões de dólares; e EUA, com quase 600 bilhões de dólares.

O xiita Irã é, assim, superado financeiramente por aqueles que considera serem suas principais ameaças militares: Estados Unidos, Israel e os Estados árabes sunitas do Golfo. O país é também amplamente cercado por bases militares dos Estados Unidos e não dispõe das garantias de segurança que seus rivais árabes do Golfo e Israel recebem dos americanos.

Além disso, o Irã tem estado sob um embargo de armas de quatro décadas imposto pelos EUA e sob restrições de armamentos da ONU desde 2006. Isso forçou o Irã a depender amplamente da produção doméstica de armas. Já seus rivais regionais contam com sistemas militares ocidentais de ponta.

A fim de compensar sua relativa fraqueza, Teerã confia em capacidades assimétricas e medidas de baixo custo.

Defesa avançada

Uma das bases da estratégia de defesa do Irã é a "defesa avançada", liderada por uma força de operações especiais, a Força Quds, unidade especial da Guarda Revolucionária Islâmica. A estratégia envolve o uso de aliados regionais, conhecidos como "eixo de resistência", como alavanca para enfraquecer, retaliar ou deter os inimigos fora do território iraniano.

Tais grupos incluem as Unidades de Mobilização Popular no Iraque, combatendo o "Estado Islâmico"; as milícias xiitas estrangeiras, lutando em nome do aliado Síria; o grupo xiita libanês Hisbolá; os rebeldes houthi no Iêmen; e a palestina Jihad Islâmica. O Irã é, portanto, um dos vários países da região a exercer influência sobre o grupo palestino Hamas, na Faixa de Gaza.

Embora estejam alinhados com o Irã política e militarmente, esses grupos têm seu próprio gerenciamento e interesses políticos nos locais onde operam.

Mísseis balísticos

Uma segunda base da estratégia militar do Irã são mísseis balísticos de alcance curto, médio e intermediário, capazes de atingir Israel, Estados árabes do Golfo, bases militares dos EUA na região e em partes da Europa.

Como observa o International Crisis Group, o Irã vê esses mísseis balísticos como um agente dissuasivo perante Israel e, em caso de ataque, como um meio para atingir os inimigos em seu próprio solo ou bases militares dos EUA na região. Enquanto o Irã apresenta seus mísseis balísticos como armas de dissuasão, seus inimigos os consideram uma ameaça ofensiva.

A política de mísseis balísticos pode ser combinada com a política de defesa avançada, como demonstram os ataques dos houthi com mísseis balísticos contra a Arábia Saudita, em resposta à sua guerra no Iêmen e no apoio militar do Hisbolá a uma série de mísseis no Líbano. O Irã nega que forneça mísseis balísticos ou seus componentes aos houthis.

Transporte de petróleo

Um terceiro meio de dissuasão iraniano é a ameaça de sufocar a economia mundial por meio da interrupção do transporte de petróleo em caso de conflito. Cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo passa pelo estreito de Ormuz, entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã.

A estratégia do Irã é bloquear o estreito com minas e empregar táticas navais assimétricas e não convencionais contra navios de guerra inimigos, tais como atacar esses navios com embarcações pequenas e lanchas armadas com mísseis antinavio e torpedos.

O Irã pode estar desenvolvendo uma estratégia semelhante no Iêmen, calculando que, em caso de um conflito com um inimigo regional, a Força Quds e os houthis possam impedir a passagem de cargas no Mar Vermelho através do estreito de Bab-el-Mandeb, pelo qual passa 4% do petróleo comercializado no mundo.

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