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EUA e Rússia revivem a Guerra Fria no Oriente Médio com duas cúpulas

Reuniões paralelas, na Polônia e na Rússia, representaram a revitalização do rompimento entre as potências sobre o Irã, a guerra na Síria e o conflito entre Israel e a Palestina
Juan Carlos Sanz e María R. Sahuquillo | El País
Sochi / Jerusalém - Em 1991, a Conferência de Madri estabeleceu um modelo para o diálogo multilateral no Oriente Médio após o fim da Guerra Fria, que havia colocado Washington contra Moscou na disputa pela hegemonia em uma região estratégica. Transcorridos mais de 27 anos, dois conclaves paralelos representaram nesta quinta-feira em Varsóvia (Polônia) e Sochi (Rússia) a revitalização do rompimento entre as potências sobre o Irã, a guerra na Síria e o conflito israelo-palestino. Os Estados Unidos e a Rússia, copresidentes em Madri em 1991, já não atuam mais como mediadores para aliviar as tensões e, mais uma vez, assumem um lado entre as partes conflitantes.

No fórum da capital polonesa, a diplomacia dos EUA chegou a um impasse ao reunir mais de 60 países em uma reu…

Para que Rússia recupera sua força naval no Mediterrâneo?

A Marinha da Rússia está reforçando sua presença no Mediterrâneo mantendo vigilância permanente na região com navios armados com mísseis de cruzeiro Kalibr. O objetivo principal é neutralizar ameaças de grupos extremistas que operam nessa complicada área geopolítica.


Sputnik

Evidentemente, a esquadra executará outras tarefas estratégicas no decorrer do tempo.

Navio ligeiro de mísseis Grad Sviyazhinsk dispara míssil Kalibr
Navio ligeiro de mísseis Grad Sviyazhinsk disparando míssil Kalibr © Sputnik / Denis Abramov

Região 'explosiva'

Militares russos têm usado com sucesso mísseis de cruzeiro Kalibr na luta contra o terrorismo. Desde 2015, com esses mísseis foram destruídas dezenas de instalações do Daesh (grupo terrorista proibido na Rússia), centenas de veículos blindados e milhares de terroristas. Contudo, essa arma não foi fabricada para combater o terrorismo.

"Durante a Guerra Fria, a 5ª esquadra da Marinha da URSS operava no mar Mediterrâneo como uma frota para contenção de possíveis ataques de porta-aviões norte-americanos que poderiam atacar a União Soviética cruzando o território da Turquia. A nossa costa sul estava sob ameaça. A principal tarefa dos navios e submarinos da esquadra era impedir que o inimigo chegasse à distância de ataque e realizasse seus planos em caso de conflito armado", disse o especialista militar Konstantin Sivkov.

Ele acrescentou que, desde 2013, a esquadra atual da Marinha da Rússia no Mediterrâneo tem objetivos semelhantes e a presença de mísseis de cruzeiro Kalibr em seus navios aumenta suas capacidades de combate.

Atualmente a força-tarefa no Mediterrâneo usa a mesma tática de monitoramento para antecipar as ações do possível inimigo, tal como nos tempos soviéticos. No entanto, mesmo em tempos de paz, a esquadra operacional tem seus deveres. O Oriente Médio é uma região "explosiva". Os navios equipados com Kalibr podem desempenhar um papel pacificador eficaz contendo as agressões de determinados países e grupos e, ao mesmo tempo, apoiar os aliados da Rússia, garantir a segurança de cidadãos russos que vivem e trabalham nos países da região e assegurar a navegação segura de navios mercantes.

Raio de ação

Outro objetivo importante do fortalecimento da esquadra é a segurança da Frota do Mar Negro em caso de deterioração nas relações com a OTAN. Se um inimigo fechar o estreito de Bósforo, os navios da Frota não conseguirão sair do mar Negro. Nessa situação, a força-tarefa no Mediterrâneo poderá assumir as operações militares com uso dos mísseis Kalibr, que têm um raio de alcance bem maior do que a partir dos mares Negro ou Cáspio.

"O raio de alcance dos mísseis de cruzeiro é bastante amplo para cumprir múltiplas tarefas […] Se for necessário, os navios russos poderão ajudar a Índia, nossa aliada nos BRICS", informou o especialista militar Aleksey Leonkov.

Segundo ele, os mísseis de cruzeiro permitem que a esquadra mediterrânea resolva tarefas estratégicas e mantenha os inimigos longe.

É cedo para falar sobre a composição da força naval. Mas geralmente esses agrupamentos consistem de submarinos, um cruzador, um navio antissubmarino grande e uma fragata. A quantidade varia, dependendo da situação na região e das tarefas específicas. O reforço da esquadra com mísseis Kalibr sugere a inclusão de vários navios dos tipos navio-patrulha e corveta, os principais portadores dos novos mísseis de cruzeiro. Por sua vez, cada um deles terá uma tarefa determinada.

O comandante das Forças Navais dos EUA na Europa e África, almirante James Foggo, declarou que os navios norte-americanos estão prontos para se defenderem dos mísseis de cruzeiro russos, mas não procuram o conflito. Por trás dessa frase diplomática observa-se uma certa preocupação.

"Os norte-americanos não gostam que alguém no mundo tenha mísseis de cruzeiro de longo alcance não inferiores aos seus mísseis Tomahawk", observou Leonkov.

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