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EUA podem dobrar contingente militar na América do Sul, diz chefe da inteligência russa

Os EUA podem aumentar seu contingente militar na América Central e do Sul de 20 mil para 40 mil homens, disse o vice-almirante Igor Kostyukov, chefe do Departamento Central de Inteligência (GRU, sigla em russo), do Estado-Maior das Forças Armadas da Rússia.
Sputnik

"Embora na América Latina não haja ameaça militar direta para a segurança dos EUA, Washington tem uma presença militar significativa [na região]. O Comando Conjunto das Forças Armadas dos EUA implantou na América Central e do Sul um contingente de 20 mil militares. No período de ameaças este pode aumentar para 40 mil militares", explicou Kostyukov.


De acordo com ele, os EUA podem provocar uma "revolução colorida" na Nicarágua e Cuba.

"As tecnologias de 'revolução colorida' testadas na Venezuela podem vir a ser usadas em breve na Nicarágua e em Cuba", disse ele.

Segundo Kostyukov, os EUA estão tentando estabelecer o controle total sobre a América Latina.

"A Administração dos EUA considera…

Suécia prepara sua população para a guerra

Pela primeira vez desde 1961, o Governo envia a seus 4,8 milhões de lares instruções em caso de crise


Belén Domínguez Cebrián | El País

A Suécia está em alerta. No dia 28 de maio – e durante uma semana –, a população do país escandinavo receberá em suas casas instruções precisas no caso de situações de crise, que, levadas ao extremo, podem acabar “em guerra”, de acordo com o próprio Governo. O Executivo, liderado pelo socialdemocrata Stefan Löfven, decidiu enviar a todos os lares (4,8 milhões) um folheto apresentado na segunda-feira com o seguinte título “Em caso de crise e guerra”. No livreto, que já pode ser baixado na Internet (em sueco e inglês), são fornecidas indicações para que a população possa continuar abastecendo-se de água, calefação e manter-se em comunicação “no caso de a sociedade não funcionar normalmente”, informa a Agência de Contingência Sueca (MSB, na sigla em sueco) em seu site. A última vez que essa prática ocorreu no país escandinavo foi em 1961, em plena Guerra Fria, e a primeira, durante a Segunda Guerra Mundial.

Suecia
Embarcação sueca no Báltico, em 2014 | MARKO SAVALA (REUTERS)

Como à época, agora o Governo também não identifica nenhum perigo específico em seu comunicado. “Todos [os suecos] devem saber como as crises podem afetar a sociedade, que responsabilidade têm os indivíduos e como as pessoas podem se preparar para enfrentar situações difíceis”, diz Christina Andersson, chefa da campanha de sensibilização. O panfleto, de 20 páginas em tamanho A5 e que afirma que no caso de crise a população deve enfrentá-la como resistência, inclui informações e conselhos sobre como podem – e devem – se proteger, assim como indicações dos locais de bunkers e espaços de proteção como “túneis e porões”. Também dá indicações para enfrentar as notícias falsas em casos de crise e guerra.

A MSB descreve a situação de segurança geral como “instável” e “imprevisível”, de modo que o Governo quer informar a população em “situações de emergência, crises climáticas e no extremo de uma guerra”, diz Andersson por e-mail. Um dos pontos será dirigido diretamente ao combate da propaganda e das informações falsas em um contexto pré-eleitoral.

O país – que é um dos poucos da União Europeia com um Executivo de maioria esquerdista – realiza eleições gerais em setembro em um contexto de instabilidade social em que a direita radical cresce exponencialmente em parte como reação às políticas de portas abertas mantidas pelo Executivo sueco durante a crise de refugiados de 2015. A Suécia se transformou à época no segundo destino mais popular no qual chegaram por volta de 160.000 solicitantes de asilo, de acordo com o Eurostat. O primeiro foi a Alemanha.

Os desastres oriundos da mudança climática, as ameaças terroristas, os ataques informáticos e a deterioração da segurança são algumas das ameaças que o Governo quer que os habitantes do país saibam. Ainda que o folheto não descreva nenhuma ameaça específica de guerra proveniente da Rússia, é evidente que uma dessas possibilidades de invasão aponta o dedo indicador diretamente sobre Moscou.

Desde a anexação da península ucraniana da Crimeia pelo presidente russo, Vladimir Putin, em 2014, a Suécia – e em geral a região do Báltico e do leste da Europa – aumentaram paulatinamente suas forças militares. No ano passado, o país nórdico enviou tropas à ilha de Gotland (no meio do mar Báltico), e em 2016 restabeleceu o serviço militar obrigatório para homens e mulheres. No final do ano, a OTAN iniciará na Noruega exercícios militares com 35.000 soldados no Ártico.

Gasto militar

A Suécia, junto com a Finlândia, não faz parte da OTAN, e manter o equilíbrio com o gigante do Leste é um trabalho que requer uma sólida perícia diplomática. E apesar da relativa boa relação entre Moscou, Helsinque e Estocolmo, mais de 50% dos finlandeses não querem a entrada na OTAN, de acordo com as últimas pesquisas. No caso sueco, entretanto, a aceitação da Aliança Atlântica é maior: 47% da população vê com bons olhos a adesão à Aliança Atlântica e 39% a repudia, segundo uma pesquisa publicada pela The Economist em setembro de 2017.

De qualquer forma, a cooperação da Suécia com a Aliança Atlântica e com as repúblicas do Báltico (Estônia, Letônia e Lituânia) é cada vez mais forte. E ainda que tudo indique um aumento da tensão no ambiente, o certo é que o gasto militar sueco – 1% do PIB em 2017, de acordo com o SIPRI (Instituto Internacional de Estudos para a Paz) – nunca foi tão baixo.

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