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EUA e Rússia revivem a Guerra Fria no Oriente Médio com duas cúpulas

Reuniões paralelas, na Polônia e na Rússia, representaram a revitalização do rompimento entre as potências sobre o Irã, a guerra na Síria e o conflito entre Israel e a Palestina
Juan Carlos Sanz e María R. Sahuquillo | El País
Sochi / Jerusalém - Em 1991, a Conferência de Madri estabeleceu um modelo para o diálogo multilateral no Oriente Médio após o fim da Guerra Fria, que havia colocado Washington contra Moscou na disputa pela hegemonia em uma região estratégica. Transcorridos mais de 27 anos, dois conclaves paralelos representaram nesta quinta-feira em Varsóvia (Polônia) e Sochi (Rússia) a revitalização do rompimento entre as potências sobre o Irã, a guerra na Síria e o conflito israelo-palestino. Os Estados Unidos e a Rússia, copresidentes em Madri em 1991, já não atuam mais como mediadores para aliviar as tensões e, mais uma vez, assumem um lado entre as partes conflitantes.

No fórum da capital polonesa, a diplomacia dos EUA chegou a um impasse ao reunir mais de 60 países em uma reu…

‘Construção local’: Marinha Egípcia desiste de novas Gowind 2500 feitas em casa

As informações que se seguem devem ser lidas com atenção pelos chefes navais brasileiros que priorizam, acima de tudo, a “independência” obtida com a prática de construir navios de guerra em casa.


Por Roberto Lopes | Poder Naval
Construir em casa é, de verdade, mais prático? Mais barato também? Assegura qualidade? Garante a soberania?

El Fateh (971), Gowind 2500 do Egito
El Fateh (971), Gowind 2500 do Egito

No Egito, os almirantes, decepcionados com o programa de construção, em seu país, de três corvetas multifunção do projeto francês Gowind 2500, abriram entendimentos com o fabricante Naval Group (antiga DCNS) para adquirir mais dois navios dessa mesma classe – mas, dessa vez, recebendo-os diretamente da França.

O portal francês de notícias marítimas Mer et Marine, flagrou, a 10 de julho último, um mastro cônico de sensores sendo embarcado no porto de Lorient – 502 km a sudoeste de Paris, na costa da Bretanha – com destino ao Estaleiro de Alexandria, na face leste do delta do Rio Nilo, onde as Gowind estão sendo montadas.

O governo do Cairo fechou a compra dos quatro navios em 2014, por meio de um pacote que incluía a “qualificação técnica” (preparação) do estaleiro do delta do Nilo, manutenção dos navios por dez anos e um esquema de produção compartilhada: o primeiro navio sendo fornecido diretamente pela Naval Group (antiga DCNS) e os três seguintes fabricados em território egípcios sob “estrita supervisão” da companhia francesa.

Custo do “kit soberania”: pouco mais de 1 bilhão de Euros (o equivalente, hoje, a 4,5 bilhões de Reais).

Brasil 

O Gowind 2500 egípcio tem um comprimento total de 102 metros, boca máxima de 16 metros, deslocamento de 2600 toneladas e velocidade máxima de 25 nós. Seu alcance, a 15 nós de marcha, é de 3.700 milhas náuticas (6.852,4 km).

Mas agora se sabe: no caso do Egito, que dispõe de uma indústria naval considerada modesta, as “construções locais” dependem, essencialmente, do fornecimento, pela França, de importantes componentes dos navios, como o mastro de sensores.

Além disso, especialistas do Naval Group demonstram preocupação – traduzida em repetidas checagens – com a capacidade dos projetistas e engenheiros navais egípcios para determinar itens como o centro de gravidade e outros requisitos de estabilidade do navio.

Essa mesma Naval Group apresentou uma versão ligeiramente mais encorpada da Gowind 2500 para o Programa da Classe Tamandaré, lançado oficialmente, no fim do ano passado, pela Marinha do Brasil (MB).

O projeto oferecido aos chefes navais brasileiros seria o de um navio de 2.800 toneladas, com os dois sistemas de mísseis e demais armamentos requeridos pela MB.


Sensores 

A Gowind 2500 cabeça-de-série dos egípcios foi batizada de El Fateh.

A unidade teve sua primeira chapa cortada em abril de 2016, e chegou da França para os almirantes egípcios em outubro último. Atualmente se encontra em testes operacionais.

A segunda unidade – Port Said –, que também recebeu o seu mastro cônico de sensores diretamente do porto de Lorient, em março passado, está quase pronta para iniciar as suas provas de mar.

O mastro de sensores recentemente embarcado para o Egito se destina à 3ª corveta, que já tem a quilha e uma parte inferior do casco prontas.

De acordo com um porta-voz do Naval Group, a reportagem do Mer et Marine sobre o envio de um novo mastro de sensores para o Egito nada tem de grande novidade, já que essa entrega fora previamente acordada com o cliente, de forma a baratear os custos de produção dos navios.

Mas o comunicado não comenta se o fornecimento representa também uma garantia da qualidade do equipamento, em face da notória incipiência da construção naval militar dos egípcios.

O projeto Gowind selecionado pelo governo do Cairo é equipado com o sistema de gerenciamento de combate SETIS, desenvolvido pelo próprio Naval Group, além de um Módulo de Inteligência e Inteligência Panorâmica (Panoramic Sensors and Intelligence Module, ou PSIM).

O mastro cônico produzido na França integra não apenas o sistema SETIS, mas também a maior parte dos sensores da corveta, incluindo o radar SMART-S e o equipamento de guerra eletrônica.

Todos os PSIMs são produzidos e testados em Lorient, pelo Naval Group, antes de serem instalados nas corvetas. O da El Fateh foi montado e testado no navio no início de outubro, mesmo mês em que a embarcação foi declarada pronta para ser entregue ao cliente.

Os sensores da unidade egípcia incluem um sonar Kingklip e um sonar rebocado Captas 2.

Armamento 

A configuração de armamento dos navios egípcios foi definida com um canhão de proa OTO Melara, de 76 mm, dois canhões secundários Nexter Narwhal, de 20 mm, 16 mísseis mar-ar MICA, de lançamento vertical, oito mísseis anti-navio Exocet MM40 e dois reparos triplos de tubos lança-torpedos.

Cada embarcação é operada por uma tripulação de 65 militares, que já inclui o pessoal destinado a operar um helicóptero de médio porte.

As negociações do Egito com a França para a importação de mais duas corvetas Gowind se encontram, nesse momento, quase estagnadas, devido a preocupações com custos.

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