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Por que alguns países ocidentais não querem libertação de Idlib?

A libertação de Idlib marcará a vitória total das forças governamentais e o fracasso dos planos de países ocidentais de derrubar as autoridades legítimas sírias.
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No entanto, segundo Pierre Le Corf, ativista francês que vive em Aleppo, a tarefa não será fácil. 


"Será muito difícil libertar Idlib, porque todas as forças da coalizão lideradas pelos EUA e governos [ocidentais] envolvidos na guerra até o momento se opõem à libertação da província", disse Le Corf à Sputnik França.

Ele comentou que assim que a província síria de Idlib for libertada, terá que "libertar as zonas ocupadas ilegalmente pelos EUA, França e até pela Itália no norte do país". Por esse motivo, nenhum desses países quer a libertação da província.

Le Corf salientou que a intenção de manter o status atual poderia levar a "um massacre da população civil de Idlib", referindo-se às múltiplas advertências dos militares sírios e russos sobre a possível encenação de ataques químicos com o prop…

Aonde podem levar novos ataques dos EUA contra Síria?

Os norte-americanos estão fortalecendo o seu grupo naval ao largo da costa da Síria no mar Mediterrâneo, alegando a suposta ameaça do uso de armas químicas pelo Exército sírio na província de Idlib. O Pentágono está pronto para realizar um ataque com mísseis em grande escala contra instalações militares no país.


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O Ministério das Relações Exteriores e o Ministério da Defesa da Rússia tentam minimizar as tensões, insistindo que os relatos de um futuro ataque químico são mais uma provocação dos militantes, interessados em agravar uma situação já complicada.

O destróier de mísseis guiados USS Ross (DDG 71)
Destroier norte-americano USS Ross DDG-71 | CC BY 2.0 / CNE CNA C6F

Método já testado

O principal papel na operação dos norte-americanos, provavelmente, será desempenhado pelo destróier USS Ross, equipado com 28 mísseis Tomahawk e capaz de atacar qualquer região da Síria. O navio já se encontra na parte oriental do mar Mediterrâneo desde 27 de agosto. Além disso, o destroier USS Sullivans, com meia centena de mísseis de cruzeiro a bordo, chegou ao golfo Pérsico e um bombardeiro estratégico B-1B da Força Aérea dos EUA com 24 mísseis de cruzeiro foi transferido para a base aérea de Al-Udeid no Qatar.

O conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, classificou essas movimentações como uma "resposta decisiva" aos planos do regime sírio de retomar as operações militares na província de Idlib. Ele deixou claro que, se Bashar Assad usar armas químicas naquela região, ele se deparará com um ataque de mísseis muito mais poderoso do que o anterior, aparentemente se referindo ao ataque não completamente bem-sucedido de abril.

O Ministério da Defesa da Rússia reagiu imediatamente às deslocações de navios e aeronaves norte-americanos, apontando para as intenções de Washington de aproveitar o ataque químico encenado pelos militantes. Segundo o departamento militar, a provocação está sendo preparada com a participação ativa dos serviços secretos britânicos.

Em breve, ataques com munições de substâncias tóxicas serão realizados no assentamento sírio de Kafer-Zait, em Idlib, aonde especialistas estrangeiros já chegaram.

No Ministério das Relações Exteriores da Rússia, as declarações das autoridades dos EUA foram consideradas uma ameaça e um ultimato. O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, ressaltou que o Ocidente está mantendo seu foco na situação da Síria com o objetivo de mudar o regime de Damasco.

"Estamos prontos para esse desenvolvimento, desmascaramos esses planos, mas a história, incluindo a história recente, parece não ensinar nada aos norte-americanos, e agora vemos novamente uma séria escalação da situação", observou Ryabkov.

Argumentos de ferro

Não é a primeira vez que os norte-americanos usam provocações. Em 4 de abril de 2017, a oposição síria culpou as autoridades por um ataque químico em Khan Shaykhun, na província de Idlib, quando, segundo os militantes, 80 pessoas foram mortas e outras 200 ficaram feridas. Os norte-americanos, sem entrar em detalhes ou apresentar evidências da culpa do exército sírio, atacaram a base militar síria de Shayrat.

Exatamente um ano depois, em 14 de abril de 2018, uma operação militar conjunta dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e França aconteceu em um cenário semelhante: após informações da oposição sobre o uso de substâncias tóxicas, na falta de evidências confiáveis e de uma investigação por parte da Organização para a Proibição de Armas Químicas. Todas as conclusões foram baseadas em vídeos publicados por militares da oposição na Internet.

Segundo o especialista militar Yuri Lyamin, se os norte-americanos decidirem agora atacar, provavelmente dispararão mísseis contra grandes bases aéreas e instalações governamentais: o palácio presidencial e os ministérios, buscando destruir a estrutura de comando do Exército sírio. O aumento do número de potenciais alvos pode levar a consequências ainda mais desastrosas para a infraestrutura da Síria, já que, quantos mais mísseis forem disparados, mais difícil será interceptá-los.

Paus na engrenagem

A província de Idlib é uma das poucas na Síria que não estão sob o controle das autoridades. O governo sírio e os funcionários do Centro Russo para a Reconciliação na Síria estão negociando com os líderes dos grupos armados e os xeiques locais.

O ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu, disse que o objetivo das negociações é obter um acordo de paz, o exemplo do que aconteceu nas províncias de Deraa e Ghouta Oriental. Os militares russos conseguiram persuadir os terroristas a entregar milhares de tanques, sistemas de artilharia e vários sistemas de mísseis.

Diversos especialistas atribuem as ações dos EUA ao sucesso das forças governamentais.

"Idlib é o último reduto dos militantes mais implacáveis, onde muitos terroristas de todo o país que recusaram se entregar acabaram por se refugiar […] Se o Exército de Assad os dispersar, os militantes na Síria serão eliminados – eles simplesmente não terão território para acomodar as bases de treinamento nem plataforma de ataques", comentou Lyamin.

Segundo ele, os EUA perderão mais um argumento para permanecer na Síria.

"A derrota dos militantes em Idlib fortalecerá as posições do governo sírio e seus aliados. Os norte-americanos entendem que um ataque com mísseis pode postergar essa operação", opinou.

Como mostram os últimos eventos, a Casa Branca e os líderes dos países europeus estão novamente prontos para usar o método testado de escalação do conflito – provocações e notícias falsas. Provavelmente, os famosos Capacetes Brancos participarão da encenação do ataque químico e, tal como anteriormente, filmarão o sofrimento de civis e o pranto de crianças, postando os vídeos na Internet. Depois, os líderes ocidentais mostrarão as imagens para justificar os novos ataques com mísseis.

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