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Defesa do Brasil tem maior gasto com pessoal na década, e investimento militar cai

Despesas com ativos e inativos crescem R$ 7,1 bi em 2019, reflexo de aumento salarial
Por Igor Gielow e Gustavo Patu | Folha de S.Paulo

A previsão de gasto militar para o primeiro ano de governo do capitão reformado do Exército Jair Bolsonaro (PSL) traz o maior aumento de despesa com pessoal em dez anos e uma redução expressiva do investimento em programas de reequipamento das Forças Armadas.
Não fosse uma criatividade contábil dos militares, que conseguiram recursos com a capitalização de uma estatal para comprar novos navios, a despesa de investimento seria a menor desde 2009.

A Folha analisou a série histórica com a ferramenta de acompanhamento orçamentário Siga Brasil, do Senado. Para este ano, o Ministério da Defesa, ainda na gestão Michel Temer (MDB), planejou gastar R$ 104,2 bilhões, o quarto maior volume da Esplanada.

Desse montante, R$ 81,1 bilhões irão para pessoal, R$ 13,3 bilhões, para gastos correntes (custeio) e R$ 9,8 bilhões, para investimentos. Os valores não incluem o con…

Do S-400 russo ao sistema de médio alcance estadunidense: como Índia impulsiona sua defesa

Além da esperada aquisição do sistema de defesa antiaérea russo S-400, Nova Deli concluiu o acordo para adquirir aos EUA o National Advanced Surface-to-Air Missile System-II (NASAMS), um avançado sistema de defesa antiaérea norte-americano.


Sputnik

O Congresso norte-americano concedeu à Índia uma exclusão das sanções anti-Rússia, abrindo assim o caminho para Nova Deli adquirir o sistema russo de defesa antiaérea S-400. A Índia concluiu um acordo com o governo russo para adquirir os S-400 em 2016, seguindo a decisão da China, que adquiriu o sistema antiaéreo em 2015. Moscou entregou todos os componentes necessários para equipar o primeiro regimento chinês com sistemas S-400.


Sistema de mísseis russo S-400
S-400 Triumph © Sputnik / Valery Melnikov

Além disso, em 30 de julho, o vice-primeiro-ministro russo, Yury Borisov, disse aos repórteres que corvetas do projeto russo 22800 (codinome Karakurt), equipadas com mísseis de cruzeiro Kalibr, poderiam ser vendidas à Índia, China e Vietnã. A família do sistema de mísseis antinavio Kalibr tem um alcance operativo superior a 2.500 quilômetros (1.553 milhas).

Entretanto, em 31 de julho, a Defense News reportou, citando um responsável oficial do Ministério da Defesa indiano, que Nova Deli aprovou a aquisição do NASAMS-II, produzido pela empresa norueguesa Kongsberg Defense and Aerospace em conjunto com a norte-americana Raytheon National, através de um acordo intergovernamental com Washington.

Em entrevista à Sputnik Internacional, os analistas indianos compartilham seus pontos de vista sobre a cooperação entre a Rússia e a Índia e revelam que a índia está construindo seu próprio sistema de defesa contra mísseis balísticos.

O analista de assuntos exteriores Amrita Dhillon, da revista Kootneeti, de Nova Deli, afirmou que a Índia e a Rússia são aliados naturais e o têm sido por décadas. Mantendo o interesse nacional como prioridade, a Índia ficaria satisfeita em melhorar a versão atualmente operacional do 3M-54E Kalibr (Club), que tem um alcance de pouco menos de 300 km, para um alcance de 2.500 km.

Contudo, seria interessante observar como a Rússia conseguiria evitar violar o MTCR (Regime de Controle de Tecnologia de Mísseis). Além da Índia, o resto dos países mencionados pelo vice-primeiro-ministro, Borisov, não são membros do acordo MTCR.

O MTCR é uma parceria política informal entre os países que visam limitar a proliferação de mísseis e veículos aéreos não tripulados (VANT) capazes de portar mais de 500 kg de carga útil por mais de 300 km.

A Índia está rodeada por água de três lados e, por isso, tem um alto risco de terrorismo marítimo, pirataria e conflitos crescentes pelo poder no Oceano Índico devido ao projeto Um Cinturão, Uma Rota ou Nova Rota da Seda. Sem dúvida que a Índia irá impulsionar sua estratégia na região do Oceano Índico.

"A aquisição de armamentos e equipamentos pela Índia é independente das aquisições de outros países e é baseada de nas suas próprias necessidades. Deve ser observado que a Rússia não ofereceu este sistema para exportação por alguns anos desde que ele se tornou operacional em 2007", destacou o major-general aposentado Rajiv Narayanan.

Quando ele foi disponibilizado, em 2014-2015, tanto a Índia como a China estavam dispostos a adquirir este sistema de defesa antiaérea de última geração que tem uma capacidade de longo alcance para atingir uma grande variedade de alvos aéreos em um raio de alcance de 40 km a 400 km.

"Os processos de aquisição da Índia e China são drasticamente diferentes devido aos seus diferentes sistemas de governo. Consequentemente, a China pôde assinar o contrato em 2015 e recebê-los agora mesmo. Esperemos que a Índia assine o contrato em outubro, durante a cúpula anual entre a Índia e a Rússia", disse.

Narayanan afirmou ainda que o NASAMS-II é um sistema norueguês de defesa antiaérea de médio alcance (25 km-180 km) e que ele formaria parte da rede de equipamentos de defesa antiaérea. Qualquer Defesa Aérea Envolvente consiste de múltiplas camadas integradas de proteção de áreas e pontos vitais. Ela começa a partir do longo alcance (mais de 300 km) e termina a muito curta distância (2-5 km).

"O NASAMS-II e o S-400, ambos formariam parte desta rede de camadas, se complementando um ao outro. Nos nossos dias de guerra cibernética e eletrônica, faz sentido ter diferentes radares, com diferentes sistemas de criptografia, contra tais ameaças. Isso não é um sinal de qualquer comprometimento com os Estados Unidos", explicou o general.

A Índia está concorrendo simultaneamente com seu próprio sistema de defesa contra mísseis balísticos, o qual, quando estiver operacional, seria integrado na rede e complementaria os demais sistemas, resumiu.

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