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Por que alguns países ocidentais não querem libertação de Idlib?

A libertação de Idlib marcará a vitória total das forças governamentais e o fracasso dos planos de países ocidentais de derrubar as autoridades legítimas sírias.
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No entanto, segundo Pierre Le Corf, ativista francês que vive em Aleppo, a tarefa não será fácil. 


"Será muito difícil libertar Idlib, porque todas as forças da coalizão lideradas pelos EUA e governos [ocidentais] envolvidos na guerra até o momento se opõem à libertação da província", disse Le Corf à Sputnik França.

Ele comentou que assim que a província síria de Idlib for libertada, terá que "libertar as zonas ocupadas ilegalmente pelos EUA, França e até pela Itália no norte do país". Por esse motivo, nenhum desses países quer a libertação da província.

Le Corf salientou que a intenção de manter o status atual poderia levar a "um massacre da população civil de Idlib", referindo-se às múltiplas advertências dos militares sírios e russos sobre a possível encenação de ataques químicos com o prop…

Moscou pode instalar base militar na Venezuela para protegê-la do risco de intervenção?

A situação sufocante em que a Venezuela tem se encontrado, em grande parte devido às sanções econômicas, fez o país pensar inclusive em chamar um contingente estrangeiro para seu território. A Sputnik falou com especialistas e analisou as perspectivas de tal iniciativa.


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Hoje em dia, a Venezuela continua seu combate por nunca mais voltar a ser um "pátio traseiro" de potências maiores, como costumava ser no passado.

Bandeira da Venezuela
Bandeira da Venezuela © REUTERS / Juan Medina

Frequentemente, Caracas até vira alvo de ameaças de uma intervenção militar, somente por seu governo seguir um caminho que não agrada aos interesses estrangeiros.

Aliás, em meio a essa luta, a Venezuela se converteu inclusive em vítima de uma dura guerra econômica, com o risco de ser sujeita a cada vez mais sanções.

Neste contexto, o governo do país latino-americano, ao se refletir aos riscos que corre, considera diferentes opções para se proteger. No passado já se levantaram vozes a favor da instalação de uma base militar estrangeira em solo venezuelano na qualidade de medida dissuasiva. Em particular, se discutiu a possibilidade de colocar no país um contingente russo.

Além disso, em uma recente entrevista à Sputnik Mundo, o embaixador venezuelano na Rússia, Carlos Rafael Faría Tortosa, disse que a questão da instalação de uma base russa no país "até agora não se colocou".

Relação 'ganhar-ganhar'

"No século XXI, quando predomina a multipolaridade, qualquer ação dissuasiva que atrapalhe os esforços unilaterais por parte do governo dos EUA e promova o respeito pela autodeterminação e soberania das nações pode ser bem-vinda ou inclusive bem vista", disse à Sputnik o cientista político Walter Ortiz.

Aliás, Caracas tem rechaçado em muitas ocasiões a mera possibilidade de algum tipo de ação bélica contra a Venezuela, pelas consequências que esta poderia ter para o próprio país e seus vizinhos.

"Qualquer ação construtiva que garanta a soberania, a paz e a integridade da República Bolivariana da Venezuela poderia estar em cima da mesa", sublinhou Ortiz.

Não é nenhum segredo que a Venezuela tem uma relação estreita com a Federação da Rússia, inclusive no campo militar. Neste sentido, seria lógico que a possibilidade de abrir uma base militar russa na Venezuela fosse considerada pelo governo, continuou.

Na opinião dele, os dois países estão aprofundando a cooperação à medida que outros continuam pretendendo gerar um clima de desestabilização regional. Assim, a parceria entre Moscou e Caracas pode ser descrita como uma relação de ganhos mútuos, frisou.

Medidas alternativas

Existe um grande número de ações preventivas que a Venezuela poderia tomar para impedir a agressão. De acordo com Ortiz, Caracas poderia também recorrer a medidas econômicas, como, por exemplo, se abrir a novos atores do mercado. Quanto à possível redução da beligerância entre a Venezuela e o mundo ocidental, por enquanto isso parece uma tarefa impossível, acredita o entrevistado.

"De qualquer maneira, a tarefa [principal] é manter a ordem interna e preservar a integridade do Estado nacional venezuelano", afirmou.

Além disso, opinou que desenvolver laços mais estreitos com a Rússia seria bom não apenas para a Venezuela, como também para todo o continente latino-americano.

Ao mesmo tempo, julgando pelas declarações feitas pela classe dirigente dos EUA, esta ideia não agrada nada a Washington. Na verdade, sua retórica faz lembrar cada vez mais a doutrina Monroe.

"Alguns vizinhos da Venezuela têm uma relação estratégica com os EUA. Sem dúvida alguma, estas relações têm um contrapeso no relacionamento que Caracas tem com outros atores", concluiu.

Efeitos colaterais

Contudo, a questão da possível instalação de uma base militar russa na Venezuela é um assunto bastante controverso, porque atualmente Moscou está tendo problemas pendentes para lidar no palco internacional: a crise ucraniana e a guerra civil na Síria, explicou em seu comentário para a Sputnik Mundo o vice-diretor do Instituto da América Latina da Academia de Ciências da Rússia, Boris Martynov.

"É pouco provável que os EUA lancem uma intervenção de grande envergadura contra a Venezuela. Entretanto, caso isto aconteça, poderia provocar um verdadeiro incêndio na América do Sul e seria muito difícil apagá-lo", explicou.

Particularmente, isso poderia provocar graves problemas nos países vizinhos, entre eles a Colômbia, que hoje em dia se encontra em um processo de pacificação depois de anos de sangrenta guerra interna. Assim, uma invasão poderia fazer que todo esse trabalho fosse em vão e significaria um erro enorme por parte de Washington.

Aliás, caso a Rússia e a Venezuela acordem a instalação de uma base militar no território do país caribenho, isto provocaria um forte repúdio por parte da Casa Branca, analisa Martynov.

"Washington acusaria Moscou de intervir nos assuntos alheios, mesmo que os próprios EUA intervenham constantemente nos assuntos de outros países", prognosticou.

Ao mesmo tempo, é difícil hoje em dia prever como se desenvolveria a situação nesse caso. Na opinião de Martynov, também é preciso entender que a instalação de uma base russa seria vantajosa sobretudo para a Venezuela e não para a Rússia.

O pior dos cenários

Se optarmos por não considerar a possibilidade de instalação de uma base militar russa, a Venezuela teria várias opções para oferecer resistência a uma possível invasão.

No pior dos cenários, prevê o especialista russo, Caracas recorreria à mobilização total da população e à guerra de guerrilhas. Também poderia apelar à ONU para chamar a atenção internacional.

A Rússia, por sua vez, poderia ajudar o governo de Maduro de modo político, por exemplo, colocar a questão no Conselho de Segurança da ONU ou vetar qualquer decisão que seja dirigida contra a soberania da Venezuela.

Mas, neste caso, é importante entender que os Estados Unidos podem contornar as decisões do Conselho, como o fizeram por várias vezes na história, argumentou Martynov.

"Ninguém estaria interessado em um conflito que tenha natureza prolongada, nem mesmo os EUA, que sempre apostam em uma guerra rápida. Mas uma invasão americana não seria uma caminhada simples, por isso é pouco provável que assumam o risco de iniciá-la", disse ele.

Por enquanto, a Rússia continua com o fornecimento de armas para a Venezuela, o que, claro, não pode ser comparado com a criação de uma base militar real.

Desta forma, a Rússia simplesmente continua cumprindo as obrigações que assumiu nos seus contratos. No entanto, isso pode de alguma forma contribuir para prevenir qualquer agressão contra a soberania venezuelana, observou o entrevistado.

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