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Marinha da Argentina fala sobre localização do submarino ARA San Juan

Embarcação desaparecida há 1 ano foi localizada neste sábado a 907 metros de profundidade. Ainda não há previsão de início dos trabalhos de resgate. 'Não temos meios para resgatar o submarino', diz ministro.
Por G1

A Marinha da Argentina informou neste sábado (17) que o submarino ARA San Juan, que sumiu há 1 ano com 44 tripulantes, foi encontrado a 907 metros de profundidade em uma área de "visibilidade bastante reduzida", e que a embarcação sofreu uma "implosão" no fundo das águas do Oceano Atlântico.

Segundo Enrique Balbi, porta-voz da Marinha, a proa, a popa e a vela se desprenderam do submarino e estão localizadas em uma área de 80 a 100 metros. “Isso sugere que a implosão tenha ocorrido muito perto do fundo”, disse.

Segundo a Marinha, as imagens mostram que o casco do submarino permaneceu bastante intacto, apenas com algumas deformações, e que todas as outras partes se desprenderam. A implosão teria ocorrido em razão da pressão externa do mar ter superado …

Chile destitui coronel por saudação a genocida da ditadura Pinochet em ato

Coronel Germán Villarroel, diretor da Escola Militar, permitiu homenagem a brigadeiro da reserva Miguel Krassnoff, condenado por 71 crimes cometidos durante o regime militar


Rocio Montes | El País


Santiago - O Exército chileno passou compulsoriamente à reserva o coronel Germán Villarroel, que até esta segunda-feira dirigia a Escola Militar do país, por sua “responsabilidade de comando” na homenagem feita nas dependências da instituição ao genocida Miguel Krassnoff Martchenko, que cumpre pena por 71 crimes contra a humanidade cometidos durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). Em meio à premiação de uma competição esportiva na Escola Militar, onde são formados os oficiais do país, em 6 de outubro, o filho do genocida, coronel Miguel Krassnoff Bassa, tomou a palavra para agradecer publicamente “o carinho, a lealdade e a dignidade do diretor da Escola Militar, com o subdiretor e todo o seu pessoal, (…), de poder recordar o soldado, porque nem todos se lembram”. “Para nós, é super importante que nossos pais, que deram a cara e a vida pelo Chile e suas famílias, estejam sempre presentes no coração de todos vocês”, disse Krassnoff Bassa. “Coube a eles combater, e deram o ar que respiramos em nossa querida pátria”, acrescentou.

Coronel Germán Villarroel, ex-diretor da Escola Militar de Chile.
Coronel Germán Villarroel, ex-diretor da Escola Militar de Chile. EJÉRCITO DE CHILE

A decisão do Exército foi motivada pelo repúdio generalizado à homenagem, que se tornou pública em um vídeo divulgado neste domingo. O ministro da Defesa, Alberto Espina, do governo conservador de Sebastian Piñera, considerou o fato “inaceitável” e deu 24 horas para que uma investigação apontasse as responsabilidades. Enquanto isso, dirigentes da oposição de esquerda opositora e entidades de defesa dos direitos humanos pediam a demissão de Villarroel. A diretora do Instituto de Direitos Humanos, Consuelo Contreras, havia declarado que “atos como este, realizados nas dependências de uma instituição do Estado, constituem uma nova afronta à dignidade das vítimas, com ações de caráter negacionista contrárias ao direito internacional”.

Junto com a ordem de aposentadoria do diretor da Escola Militar, o Exército removeu o coronel Krassnoff Bassa, que era diretor da Escola de Idiomas. Como estava próximo de passar à reserva, como havia solicitado antes mesmo da homenagem, foi convidado “a entregar imediatamente” a direção da escola. Para o Exército, os dois militares provocaram “um gravíssimo dano” à instituição, como declarou o general Miguel Alfonso Bellet, comandante de Educação e Doutrina, que leu uma declaração pública na tarde desta segunda. “Nossa instituição é e sempre será respeitosa com as resoluções da Justiça”, disse o general.

Ferida aberta, Ustra e Mourão

O Golpe de Estado de 1973 é uma ferida aberta no Chile, e, a propósito de diversas efemérides, novamente se acendeu o debate sobre o passado recente do país. Em 11 de setembro completaram-se 45 anos da ruptura democrática, em 5 de outubro se festejaram os 30 anos do plebiscito de 1988 – em que triunfou o não a Pinochet –, e nesta terça-feira se comemoram as duas décadas da detenção do ditador em Londres, de 16 de outubro de 1998. Em agosto passado, as críticas ao Museu da Memória e Direitos Humanos de Santiago – que relata o golpe de Estado de 1973 e a ditadura através da experiência das vítimas –, custaram o cargo ao historiador Mauricio Rojas, que havia assumido o ministério da Cultura apenas quatro dias antes.

O brigadeiro reformado Miguel Krassnoff Martchenko, que cumpre penas de 668 anos de prisão na penitenciária de Punta Peuco, é filho e neto de cossacos que em 1947 foram fuzilados no pátio da prisão de Lefortovo após serem condenados pelo tribunal supremo da União Soviética por crimes de guerra, traição à pátria e colaboração com o inimigo. No golpe de Estado de 1973, o militar chileno dirigiu o ataque à casa do presidente Salvador Allende. Depois foi lotado na Direção Inteligência Nacional (DINA), o órgão repressivo da ditadura, onde se tornou um dos mais ferozes torturadores. Suas vítimas recordam que era um dos poucos que não se importavam em dizer seu nome real.

O panorama contrasta com o brasileiro. Além de não ter punido os criminosos do regime militar brasileiro (1964-1985), no Brasil não há resposta institucional a oficiais que enalteçam o período ditatorial e seus agentes apontados como violadores pelo relatório oficial da Comissão Nacional da Verdade (CNV). O general da reserva, Hamilton Mourão, agora candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro, se despediu do serviço militar em fevereiro em uma concorrida cerimônia no Salão de Honras do Comando Militar do Exército, em Brasília. No discurso, chamou de "herói" o coronel Carlos Brilhante Ustra (1932-2015), também evocado por Bolsonaro. Ustra foi chefe de um importante centro da repressão durante a ditadura militar e reconhecido como torturador pela Justiça brasileira, além do relatório CNV. Mourão foi elogiado no mesmo dia pelo comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, como "exemplo".

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