Pular para o conteúdo principal

Postagem em destaque

EUA criticam bombardeiros russos na Venezuela: "Nós mandamos navio-hospital"

O coronel Robert Manning, porta-voz do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, criticou com veemência nesta segunda-feira o envio de bombardeiros russos à Venezuela e citou o envio de navio-hospital à região como exemplo do compromisso de Washington com a região.
EFE

Washington - "O enfoque dos EUA sobre a região difere do enfoque da Rússia. No meio da tragédia, a Rússia envia bombardeiros à Venezuela e nós mandamos um navio-hospital", declarou Manning durante uma entrevista coletiva realizada hoje no Pentágono.


O militar se referia com estas palavras ao USNS Comfort, que partiu em meados de outubro rumo à América Central e à América do Sul para oferecer ajuda sanitária aos milhares de refugiados venezuelanos amparados por diversos países da região.

"Enquanto nós oferecemos ajuda humanitária, a Rússia envia bombardeiros", lamentou Manning em referência ao envio uma esquadrilha de aviões russos, incluindo dois bombardeiros estratégicos T-160, capazes de carregar bomb…

Por que há uma guerra no Iêmen e qual é o papel das potências internacionais

O Iêmen, um dos mais pobres entre os países árabes, está há três anos numa violenta guerra civil.


BBC News Mundo

Os combates deixaram o país à beira de uma crise de fome devastadora, que, segundo as Nações Unidas, pode estar afetando até 14 milhões de pessoas.


Homem leva menina ferida
A maior parte das vítimas civís foram alvejadas por ataques aéreos das forças da coalizão | Reuters

ONGs como a Save The Children acreditam que cerca de 85 mil crianças menores de cinco anos morreram nestes três anos de guerra por desnutrição.

A seguir, explicamos as causas desse conflito e quem são as partes envolvidas.

1. Como começou a guerra?

O conflito tem suas raízes na Primavera Árabe, de 2011, quando uma revolta popular forçou o presidente, Ali Abdullah Saleh, a deixar o poder nas mãos do vice, Abdrabbuh Mansour Hadi.

Supunha-se que a transição política levaria à estabilidade, mas o presidente Hadi enfrentou diferentes problemas, entre eles, ataques da Al-Qaeda e de um movimento separatista no sul, corrupção, insegurança alimentar e o fato de que muitos militares seguiam sendo leais a Saleh.

O movimento huti, que defende a minoria xiita zaidi do Iêmen e lutou em várias rebeliões contra Saleh na década passada, se aproveitou da debilidade do novo presidente para tomar controle da Província de Saada e de zonas próximas.

Desiludidos, muitos iemenitas, mesmo sunitas, apoiaram os hutis, e, ao final de 2014, os rebeldes tomaram Saná, a capital, forçando Hadi a se exilar.

2. Quem está se enfrentando no conflito?

O conflito escalou dramaticamente em março de 2015, quando a Arábia Saudita e outros oito países árabes, principalmente sunitas e apoiados pelos Estados Unidos, Reino Unido e França, fizeram ataques aéreos contra os hutis com o objetivo declarado de restaurar o governo de Hadi.

A coalizão temia que o sucesso dos hutis daria ao Irã, rival regional e país majoritariamente xiita, um ponto de apoio no Iêmen, vizinho da Arábia Saudita.

A Arábia Saudita disse que o Irã está apoiando os hutis com armas e suporte logístico, o que o Irã nega.

Os dois lados vêm sofrendo com as lutas internas. Os hutis romperam com Saleh e combatentes seus o mataram em dezembro de 2017.

3. O que aconteceu desde então?

Em 2015, as tropas da coalizão conseguiram se estabelecer na cidade de Áden e expulsaram os hutis e seus aliados de grande parte do sul do país.

Ainda que o governo de Hadi tenha se estabelecido temporariamente em Áden, o presidente continua no exílio.

Os hutis, no entanto, não foram expulsos de Saná e conseguiram se manter na cidade de Taiz, de onde disparam mísseis e artilharia em direção à Arábia Saudita.

Militantes deles e da Al-Qaeda na Península Arábica e seus rivais, grupos ligados ao Estado Islâmico, se aproveitaram do caos e tomaram territórios no sul do país, onde fizeram ataques letais, especialmente em Áden.

O lançamento de um míssil balístico em Riad, capital da Arábia Saudita, em novembro de 2017, fez a coalizão saudita reforçar seu bloqueio contra o Iêmen.

A coalizão afirmou que o objetivo era impedir o contrabando de armas do Irã para os rebeldes, o que Teerã nega.

Mas a ONU afirma que as restrições poderiam provocar "a maior crise de fome que o mundo viu nas últimas décadas".

Todos os esforços organizados pela ONU para negociar um acordo de paz fracassaram.

4. Qual tem sido o custo humano?

A situação no Iêmen é, segundo as Nações Unidas, um desastre humanitário.

Mais de 6.800 civis morreram e ao menos 10.700 ficaram feridos desde março de 2015, diz a ONU.

Mais da metade dos mortos e feridos foram vítimas de ataques aéreos da coalizão saudita.

Segundo o Conselho de Direitos Humanos da ONU, os civis têm sido vítimas de "implacáveis violações da lei humanitária internacional".

No ano passado, um surto de cólera afetou um milhão de pessoas, das quais 2 mil morreram - muitas delas, crianças.

Foi a maior e mais rápida epidemia já registrada, e ela se espalhou tão velozmente por causa da destruição dos sistemas de encanamento e saneamento.

Cerca de 75% da população (22,2 milhões de pessoas) precisam de assistência humanitária urgente, incluindo 11,3 milhões em situação grave que requerem ajuda imediata para sobreviver.

A piora da situação é tal que, segundo a ONU, há 14 milhões de pessoas que sofrem de insegurança alimentar, 8,5 milhões das quais se levantam sem saber se terão algo para comer ao longo do dia.

E a desnutrição aguda ameaça a vida de aproximadamente 400 mil crianças de menos de cinco anos.

Só metade das 3.500 instalações sanitárias do país funcionam completamente, o que significa que 16,4 milhões de pessoas carecem de assistência médica básica.

A guerra também forçou mais de três milhões de pessoas a fugirem de seus lares. Dois milhões seguem deslocados.

5. O que isso tem a ver com o resto do mundo?

Apesar da gravidade, o conflito no Iêmen tem sido descrito como "guerra esquecida" pela escassa atenção que tem recebido do resto do mundo.

O que acontece ali pode exacerbar as tensões na região. Os países ocidentais temem que haja mais ataques, à medida que a situação for ficando mais instável.

As agências de inteligência ocidentais consideram que a Al-Qaeda na Península Arábica é o braço mais perigoso do grupo por seu conhecimento técnico e alcance mundial. Além disso, há preocupação pelo surgimento de grupos associados ao Estado Islâmico no Iêmen.

Estrategicamente, o país é importante por sua localização no estreito de Bab al-Mandab, que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden, pelo qual passa grande parte dos navios petroleiros do mundo.

Postar um comentário

NOTÍCIAS MAIS LIDAS

Postagens mais visitadas