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Análise: Brasil poderia se tornar 'vigilante' dos EUA na América Latina

O presidente norte-americano, Donald Trump, referiu a possibilidade de entrada do Brasil na OTAN. O analista russo Pavel Feldman avaliou a possibilidade de entrada do Brasil na aliança, bem como que papel poderia desempenhar o Brasil no conflito na Venezuela.
Sputnik

Durante a visita oficial do presidente do Brasil Jair Bolsonaro aos EUA, foram discutidos os assuntos internacionais mais importantes, entre eles a cooperação bilateral entre os EUA e o Brasil e a situação na Venezuela.


Uma das declarações mais sensacionais foi a possibilidade de entrada do Brasil na OTAN, referida pelo presidente dos EUA Donald Trump.

O vice-diretor do Instituto de Estudos Estratégicos e Prognósticos da Universidade Russa da Amizade dos Povos, Pavel Feldman, revelou em entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik que os EUA são apenas um dos países da OTAN, há outros países cuja opinião deveria ser levada em conta nesse assunto.

Segundo ele, se o Brasil aderir à OTAN ele vai desempenhar o papel de vigilante d…

Saída dos EUA da Síria fragiliza milícias curdas

Aliadas dos EUA na luta contra o "Estado Islâmico", milícias curdas temem ofensiva militar da Turquia no norte da Síria se não houver mais presença americana na região e se sentem abandonadas.


Deutsch Welle

As milícias curdas na Síria, aliadas dos Estados Unidos, criticaram nesta quinta-feira (20/12) a decisão do presidente Donald Trump de retirar as tropas americanas do país árabe, um movimento que deixa os curdos expostos a ameaças militares turcas ou pode forçá-los a cooperar com o regime do presidente Bashar al-Assad.


Combatentes da milícia curda Unidades de Proteção Popular (YPG) em Raqqa, na Síria
Em busca de autonomia no norte da Síria, os curdos se aliaram à guerra ocidental contra o EI

Num anúncio inesperado na quarta-feira, Trump ordenou a retirada total de seus soldados do território sírio, que oficialmente são cerca de 2 mil, argumentando que o grupo jihadista "Estado Islâmico" (EI) foi derrotado no país.

O anúncio foi recebido como um abandono pelas milícias curdas e coincidiu com a notícia de que Washington aprovou uma venda de mísseis patriots no valor de 3,5 bilhões de dólares para a Turquia, aliada dos EUA na Otan que prepara uma ofensiva contra os turcos.

As Forças Democráticas da Síria (SDF), que são lideradas pela milícia curda Unidades de Proteção Popular (YPG), rejeitaram a declaração de Trump e alertaram que a saída das tropas americanas antes que se atinja o objetivo de derrotar o "Estado Islâmico" levaria a um ressurgimento do grupo extremista.

"A guerra contra o terrorismo não acabou, e [o EI] não foi derrotado", afirmaram os curdos, acrescentando que a batalha contra os jihadistas está num estágio decisivo que requer ainda mais apoio da coalizão liderada pelos Estados Unidos.

A SDF ainda advertiu para um efeito desestabilizador na região e no mundo. "[A retirada prematura] atingirá diretamente os esforços para derrotar completamente a organização terrorista 'Estado Islâmico' e terá consequências perigosas para a paz e a estabilidade globais."

As Forças Democráticas da Síria têm desempenhado um papel importante na luta contra o "Estado Islâmico" na Síria, tendo assumido o controle da maior parte dos redutos do grupo jihadista nas províncias de Raqqa e de Deir al-Zour.

A decisão americana de deixar a Síria deixa os curdos mais expostos e ameaçados, uma vez que ocorre num momento em que a Turquia se prepara para sua terceira ofensiva militar no norte do país árabe, contra os curdos.

A ofensiva militar tem como alvo as chamadas Unidades de Proteção Popular (YPG), milícia curda apoiada por Washington na luta contra o "Estado Islâmico". A Turquia considera as YPG uma ramificação terrorista do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que promove uma insurgência contra o Estado turco desde 1984.

"Nós temos [a cidade de] Manbij e o leste do rio Eufrates à nossa frente agora. Estamos trabalhando intensamente nisso", disse o ministro turco da Defesa, Hulusi Akar, referindo-se ao planejado ataque contra os curdos anunciado dias antes pelo presidente Recep Tayyip Erdogan.

"Se a decisão [americana] de retirada for realmente implementada, isso abrirá caminho para a Turquia lançar suas operações contra os curdos, e uma guerra sangrenta terá início", afirmou o analista Mutlu Civiroglu.

O especialista Joshua Landis, diretor do Centro de Estudos do Oriente Médio da Universidade de Oklahoma, concorda. "Claramente esta decisão é um golpe para as aspirações e esperanças curdas no norte da Síria."


Divisão da Síria - Mapa

Os curdos há muito tempo tentam conquistar sua autonomia no norte da Síria e assumiram um papel de liderança na luta contra os grupos jihadistas, na tentativa de obter em troca um apoio duradouro. Eles têm controle militar sobre um território que cobre quase 30% da Síria, incluindo algumas das regiões mais ricas em petróleo, e são os principais aliados em solo dos EUA na Síria.

Para Joost Hiltermann, do think tank International Crisis Group, a retirada americana deixaria os curdos mais expostos do que nunca. "A decisão deixaria as Forças Democráticas da Síria, aliadas dos Estados Unidos, a ver navios. Tanto a Turquia como a Síria querem eliminar as YPG como um ator militar."

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