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Trump não precisa de autorização do Congresso para declarar guerra ao Irã, diz analista

Donald Trump pode não precisar do aval do Congresso para declarar guerra contra o Irã, algo que seus conselheiros "vêm construindo discretamente" um caso em meio a sanções crescentes, informa Jonathan Allen, da NBC News.
Sputnik

O articulista afirma que os principais elementos do plano incluem ligar a al-Qaeda ao Irã para retratar a República Islâmica como uma ameaça terrorista aos EUA, "o que é exatamente o que as autoridades do governo vêm fazendo nas últimas semanas".

"Isso poderia dar a Trump a justificativa que ele precisa para combater o Irã sob a resolução de uso de força de 2001, sem aprovação do Congresso", Allen argumenta, acrescentando que o Congresso dificilmente concederá ao presidente americano "nova autoridade para atacar o Irã nas circunstâncias atuais ”.

Os comentários do autor vêm depois que o New York Times citou vários altos funcionários norte-americanos não identificados dizendo que “[o presidente Donald] Trump foi firme em dizer que…

A China já tem um plano B na Venezuela

Pequim sempre apoiou Maduro e agora acompanha atentamente o que acontece no país sul-americano. Nos bastidores, chineses já se preparam para uma ascensão de Guaidó ao poder.


Oliver Pieper | Deutsch Welle

"Simon Bolívar foi o grande líder da Venezuela e da América Latina no século 19, Mao foi o pai da grande China no século 20. Eu acho que os dois se encontraram agora, no início do século 21" – o ex-presidente da Venezuela Hugo Chávez sempre teve uma propensão para decorar sua revolução bolivariana com grandes palavras.


Presidente chinês, Xi Jinping, com presidente venezuelano, Nicolás Maduro
Presidente chinês, Xi Jinping, com presidente venezuelano, Nicolás Maduro

E independentemente do quão errado historicamente possa ser essa comparação entre o combatente pela independência da América Latina e o revolucionário chinês, Chávez lançou há quase 20 anos, juntamente com o então presidente Hu Jintao, as bases para as relações entre Venezuela e China. O negócio era muito simples: aqueles recebem dinheiro, e estes obtêm petróleo e influência geopolítica na região. E ambos incomodam os EUA com essa parceria estratégica.

A China concedeu à Venezuela mais de 62 bilhões de dólares em empréstimos ao longo da última década – e se tornou um fator importante para a sobrevivência política de Chávez e de seu herdeiro e sucessor, Nicolás Maduro. Mas, sob o governo de Maduro, a contrapartida venezuelana não é sempre honrada devido a anos de má administração, e Caracas ainda deve mais de 20 bilhões de dólares.

Agora Pequim se pergunta: vamos receber esse dinheiro de volta? E será que não seria melhor já ter na manga um plano B, ou seja: considerar também uma mudança de poder para o auto-proclamado presidente interino Juan Guaidó?

"A China persegue, aparentemente, uma estratégia mais cautelosa do que a Rússia e considera que pode haver uma mudança de governo", avalia o especialista Thomas Eder, da Merics, um think tankespecializado em China e sediado em Berlim. Enquanto a Rússia alertou os EUA, de forma clara e ofensiva, para que não cogite uma invasão militar e ou uma interferência em assuntos internos da Venezuela, a China se limitou a divulgar apelos. Pequim continuou garantindo apoio a Maduro, mas nos bastidores, diplomatas chineses já teriam se encontrado com representantes de Guaidó. "A China pensa a longo prazo, ao contrário da Rússia", diz Eder.

Guaidó parece já ter entendido a estratégia chinesa e quer usá-la para seus próprios propósitos. "Numa entrevista exclusiva com o Hong Kong Morning Post, ele prometeu ser um parceiro melhor para a China, com um melhor desenvolvimento econômico, que pode ao mesmo tempo garantir o reembolso dos empréstimos", diz Eder. Já Maduro dá a impressão de não estar mais em condições de pagar a dívida e muito menos de entregar a cota de petróleo prometida.

Não só da Venezuela, mas também de Argentina, Chile, Brasil, Peru e Cuba, a China já é o parceiro comercial mais importante – tirando o lugar que tradicionalmente era dos Estados Unidos. À medida que Washington ia perdendo interesse pela América Latina, Pequim ia aproveitando o vácuo deixado. E oferecendo vantagens decisivas: há poucas pré-condições para a concessão de empréstimos, e essas quase não estão vinculadas a condições políticas, porque o princípio da política externa chinesa é o da não interferência. Para os países que cultivam o antiamericanismo, como a Venezuela, trata-se da alternativa ideal.

Mas agora essa aliança antiamericana de esquerda na América Latina está desmoronando, o que pode pelo menos dificultar os planos de Pequim de ampliar seus negócios na região. Argentina, Chile, Brasil e Peru estão nas mãos de governos de direita, que não têm grandes problemas em ter relações comerciais com os EUA. Só em Cuba o status da China como parceiro comercial mais importante não corre riscos.

E se a Venezuela também cair para a direita? "Seria um retrocesso para a China", diz Eder. "Mas a China sempre foi muito pragmática e flexível na construção de fortes relações econômicas com governos de variadas tendências no continente", destaca. "Quem quer que saia vencedor em Caracas – a China tem muitos pilares na região."

Assim, Pequim continuará a desempenhar o papel de um observador atento no pôquer de poder venezuelano, um observador que pode se arrumar com qualquer resultado que saia. Se Maduro se mantiver no poder, isso será uma vitória política para a China. Se Guaidó prevalecer, a vitória poderá ser econômica. E se uma invasão dos EUA realmente acontecer, a China pode "se apresentar como uma grande potência que, ao contrário dos EUA, respeita as regras do Direito internacional", afirma o especialista.

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