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Militares juntam-se à polícia em protesto dos "coletes amarelos". Há 31 detidos

Os militares da operação antiterrorista "Sentinela" foram mobilizados para proteger as principais instituições francesas. Ao final da manhã, os coletes amarelos eram ainda em pequeno número na capital e quase invisíveis entre a população.
Diário de Notícias

As forças armadas francesas juntaram-se à polícia, este sábado, em Paris, para enfrentar o 19º fim de semana consecutivo de protestos dos coletes amarelos contra o governo do presidente Emmanuel Macron. Ao final da manhã, com os locais habituais de manifestação interditos e o reforço militar junto às principais instituições francesas, os "coletes amarelos" passavam quase despercebidos entre turistas e parisienses.

Segundo a Reuters, o governo francês decidiu mobilizar os militares da operação antiterrorista "Sentinela", depois de ter proibido os manifestantes de se reunirem nos Campos Elísios, onde no último fim de semana dezenas de lojas foram destruídas e algumas completamente pilhadas.

Além da presença …

'Brasil deve se preparar para baixas se enviar tropas para missão da ONU na África'

Depois de liderar por 13 anos a Minustah, a Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti, o Brasil surpreendeu a ONU em 2018 ao desistir de enviar homens para missão semelhante na República Centro-Africana, alegando custos e riscos. O Departamento de Operações de Paz das Nações Unidas, porém, parece não ter desistido da ajuda brasileira.


Sputnik

Em entrevista ao portal Uol, o general Elias Martins Filho, que comanda as forças das Nações Unidas na República Democrática do Congo disse que recebeu uma ligação do chefe do Departamento de Operações de Paz, Jean-Pierre Lacroix para falar sobre a questão. O oficial da ONU teria pedido que Martins Filho ajudasse a "trazer o Brasil de volta às missões de paz".

Augusto Heleno participa evento no Haiti, em 2005.
Augusto Heleno no Haiti © AP Photo / Ariana Cubillos

Favorável à posição de Michel Temer em negar o envio de tropas para a Minusca no ano passado por considerar que o Brasil não estaria preparado para a guerra na República Centro-Africana, o diretor-executivo da Tróia Intelligence, Ricardo Gennari disse em entrevista à Sputnik Brasil que as tropas brasileiras permanecem carentes do tipo de know-hownecessário para uma missão do tipo. Segundo Gennari, a decisão de França e Suécia em abandonar a Minusca foi motivada por custos e riscos que o Brasil não deveria assumir.

"Os próprios militares também não queriam ir para esse tipo de enfrentamento, porque o centro africano ali é uma região muito perigosa, tem a questão do ebola, guerrilhas, dos [grupos terroristas] Boko Haram, Al-Shabaab… Nós brasileiros nunca combatemos esse tipo de terrorista em uma guerra irregular", conta.

Gennari diz que, como "ninguém quer fazer o serviço, a ONU quer que o Brasil se habilite". Ao contrário do cenário em 2003, quando o então presidente Lula decidiu assumir os custos operacionais e políticos do envio de soldados ao Haiti projetando uma possível cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, o especialista acredita que as condições diplomáticas neste momento não permitiriam tal feito.

"Nós não temos armas nucleares, nossos recursos para as Forças Armadas ainda são muito baixos e não chega a 2% do PIB brasileiro enquanto que só os SEALS (soldados especiais da Marinha americana) têm um orçamento de US$ 1 bilhão. Tudo isso influencia na entrada no Conselho de Segurança da ONU. A gente também precisa ver como vai ser o pensamento do Brasil nessa geopolítica que se está desenhando, talvez uma nova Guerra Fria entre EUA e Rússia", analisa Gennari sobre quais fatores seriam mais pertinentes à entrada ou não do Brasil no Conselho.

O analista de segurança diz que o Brasil precisaria pesar os custos financeiros, midiáticos e de vidas ao decidir se alinhar às tropas na ONU no continente africano, acrescentando que "se houver combate, no enfrentamento teremos problemas e baixa dos dois lados". Ele porém pontua que a expertise advinda de uma missão contra o terrorismo nos moldes da Minusca pode ser positiva em termos de treinamento das tropas nacionais.

"Poderia enviar pequenos pelotões para observar. Agora estamos com uma GLO [Garantia da Lei e da Ordem] no Brasil e está na hora de começarmos a participar e ver como funciona uma guerra irregular. Seria uma possibilidade de combater a criminalidade do Brasil, que vai tomando características parecidas [às das milícias terroristas]. Nós também temos uma fronteira gigantesca e não sabemos como será o amanhã", conclui Gennari, mencionando a necessidade de se aprender a combater grupos como o Exército Nacional da Libertação colombiano, guerrilha que recentemente voltou a se engajar em ataques terroristas urbanos no país vizinho.

A República Centro-Africana vive uma situação de caos generalizado desde 2012, quando rebeldes da coalizão Séléka tomaram o poder e forçaram a fuga do então presidente François Bozizé. Embora um acordo de paz tenha sido assinado recentemente, as hostilidades no país ainda não acabaram e vários soldados da ONU já perderam a vida desde o início da missão em 2014. A Sputnik Brasil entrou em contato com o Ministério da Defesa e com o Ministério das Relações Exteriores para obter posicionamento oficial do governo quanto a questão, mas até o fechamento da reportagem, não obteve resposta.


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