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Trump reconhece soberania de Israel sobre Colinas de Golã

Ao lado de Netanyahu, presidente dos EUA contradiz décadas de política externa e reconhece a soberania de Israel sobre o território, ocupado em 1967 e anexado em 1981. Síria vê ataque a sua integridade territorial.
Deutsch Welle

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceu formalmente nesta segunda-feira (25/03) a soberania de Israel sobre as Colinas de Golã, um território disputado com a Síria e que Israel anexou em 1981.

O governo do presidente sírio, Basahr al-Assad, respondeu de imediato e afirmou que a decisão é um ataque à soberania e à integridade territorial da Síria.

O decreto de reconhecimento foi assinado no início de um encontro com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em Washington. Trump justificou a medida com as "ações agressivas" do Irã e de grupos "terroristas" contra Israel.

Netanyahu disse que se trata de um dia histórico e que Trump é o melhor amigo que Israel já teve.

Em Israel, o reconhecimento pode significar um forte i…

Os altos riscos de uma intervenção militar na Venezuela

Opção é tida como improvável, apesar de não ser descartada por EUA e pela oposição venezuelana. Mas consequências de uma ação que não tem precedentes na América do Sul seriam enormes e imprevisíveis.


Michael Knigge | Deutsch Welle

A recusa das forças militares leais a Nicolás Maduro em permitir a entrada de ajuda externa na Venezuela neste fim de semana levou a uma escalada da tensão na região, com os Estados Unidos insistindo que todas as opções estão sobre a mesa. Isso incluiria se envolver militarmente no conflito entre chavistas e a oposição.


Venezuela Cucuta - Unruhen an der Grenze zwischen Kolumbien und Venezuela (Reuters/M. Bello)

Após os confrontos, o presidente da Assembleia Nacional Juan Guaidó, reconhecido pelos EUA e por grande parte da União Europeia e da América Latina como o presidente interino da Venezuela, pediu à comunidade global que considere "todas as medidas para libertar" o país.

Na segunda-feira, o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, que viajou à Colômbia para se encontrar com o presidente do país, Iván Duque, e Guaidó, anunciou novas sanções à Venezuela e prometeu que Washington permanecerá com Guaidó "até que a liberdade seja restabelecida" no país.

Enquanto isso, em Bruxelas, a União Europeia (UE) rejeitou nesta segunda-feira (25/02) uma intervenção armada no país. "Devemos evitar uma intervenção militar", disse a porta-voz da chefe da diplomacia da UE, Federica Mogherini.

Em Bogotá, o Grupo de Lima, que reúne vários países latino-americanos, incluindo o Brasil e a Colômbia, também descartou a intervenção militar e defendeu uma solução pacífica.

A rejeição aberta da UE e do Grupo de Lima à opção militar é oportuna, segundo analistas dos EUA, porque a probabilidade de uma intervenção americana aumentou desde o fim de semana.

"A opção militar é mais provável agora do que em qualquer outro momento desde o início da crise na Venezuela", avalia Michael Shifter, diretor do Inter-American Dialogue (IAD), um centro de estudos em Washington especializado no hemisfério ocidental.

"É mais provável agora do que era em 23 de fevereiro, porque o esforço para fazer entrar ajuda na Venezuela fracassou", concorda o cientista politico Gregory Weeks, da Universidade da Carolina do Norte.

Embora a probabilidade tenha aumentado para ambos os especialistas, que a coloca entre 30% e 40%, eles ainda avaliam uma intervenção dos EUA como improvável. Isso porque não há apoio na Europa e na América Latina.

"Sequer Bolsonaro, no Brasil, diz tal coisa", observa Weeks. Mas ele pondera que o atual clima político, que torna improvável uma intervenção, pode mudar rapidamente. "No momento, não temos uma faísca em especial", frisa o especialista. "Mas já vimos isso no passado. E isso é algo que eu acho que definitivamente aumentaria a chance e mudaria o cálculo da intervenção armada."

Tal "faísca" que poderia mudar o cálculo político pode ser o aumento da violência contra a oposição e de mortes em protestos, a prisão de Guaidó ou um ataque contra a equipe diplomática dos EUA na Venezuela.

Os efeitos seriam imprevisíveis. Embora Washington tenha um longo histórico de interferência na América Latina, nada seria comparável a uma intervenção armada na Venezuela para derrubar Maduro.

"Os EUA nunca enviaram tropas para derrubar um regime na América do Sul", diz Shifter, acrescentando que a intervenção armada de Washington no Panamá, há cerca de 30 anos, mencionada algumas vezes, não é uma comparação adequada.

"É um país muito menor e muito diferente, que teve laços muito mais estreitos com os EUA do que a Venezuela, o que tornou a intervenção de Washington, numa época muito diferente, comparativamente fácil", argumenta. "A Venezuela não é o Panamá", sublinha Shifter.

"Não acho que realmente tenhamos uma comparação à altura", diz Weeks, observando que os EUA tipicamente intervieram militarmente em países muito menores e muito mais dependentes, na América Central e no Caribe.

As repercussões negativas de uma intervenção militar dos EUA são tão grandes e imprevisíveis que ambos os estudiosos dizem ser contra essa opção.

"Atualmente, não há boas opções, porque até mesmo o aumento das sanções prejudicaria principalmente o cidadão venezuelano médio", avalia Weeks. "Ainda assim, eu acho que a opção militar seria a pior", opina, justificando que tal ação traria consigo mais violência e morte, sem garantia de sucesso.

Shifter avalia que os EUA seriam bem-sucedidos em derrubar militarmente o governo de Maduro, mas pondera que o maior problema viria depois. "Há diferentes tipos de milícias no país, o grupo guerrilheiro colombiano ELN opera na Venezuela e ainda há muitos chavistas que provavelmente estarão prontos a defender o que ainda veem como a revolução venezuelana", argumenta. Para ele, tudo isso representa uma mistura volátil e perigosa para uma força militar estrangeira.

"Algumas pessoas podem dizer que os EUA entrariam e se livrariam de Maduro, e todo mundo iria festejar e receber os EUA de braços abertos. E aí Guaidó presidiria um governo de transição, realizaria eleições e tudo seria muito simples e bom", diz Shifter. "Mas não tenho tanta certeza de que tudo sairia dessa maneira."

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