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Trump reconhece soberania de Israel sobre Colinas de Golã

Ao lado de Netanyahu, presidente dos EUA contradiz décadas de política externa e reconhece a soberania de Israel sobre o território, ocupado em 1967 e anexado em 1981. Síria vê ataque a sua integridade territorial.
Deutsch Welle

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceu formalmente nesta segunda-feira (25/03) a soberania de Israel sobre as Colinas de Golã, um território disputado com a Síria e que Israel anexou em 1981.

O governo do presidente sírio, Basahr al-Assad, respondeu de imediato e afirmou que a decisão é um ataque à soberania e à integridade territorial da Síria.

O decreto de reconhecimento foi assinado no início de um encontro com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em Washington. Trump justificou a medida com as "ações agressivas" do Irã e de grupos "terroristas" contra Israel.

Netanyahu disse que se trata de um dia histórico e que Trump é o melhor amigo que Israel já teve.

Em Israel, o reconhecimento pode significar um forte i…

Poder popular de Maduro impede ações de Brasil e Colômbia, diz analista

Entre os dias 10 e 15 de fevereiro, a Venezuela realiza os maiores e mais importantes exercícios militares de sua história, uma forma de demonstrar poder de reação contra possíveis invasores. Quem comenta o tema em entrevista à Sputnik Brasil é o professor de Relações Internacionais do Colégio Militar de Porto Alegre, Diego Pautasso.


Sputnik

Os Exercícios Cívico-Militares "Bicentenário de Angostura 2019" foram descritos oficialmente como uma demonstração de força e um recado às hostilidades estrangeiras contra o governo de Nicolás Maduro. Porém, alguns analistas apontam que o movimento militar tem também um foco interno para ampliar o apoio popular e entre os generais, que vêm sendo cortejados, segundo denúncias.


O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante exercícios militares em Turiano, na Venezuela, dia 3 de fevereiro de 2019.
Nicolás Maduro © REUTERS / Miraflores Palace/Handout

"Na verdade as duas dimensões se complementam. Primeiro, do ponto de vista externo, sinalizar que o país tem capacidade dissuasória, que a guerra teria um altíssimo custo e que o país goza de importantes aliados internacionais, sobretudo Rússia e China", explica Diego Pautasso em entrevista à Sputnik Brasil.

Pautasso acrescenta ainda que há interesse em demonstrar publicamente o suporte militar ao governo venezuelano para fortalecer o apoio popular.

"Segundo, demonstrar que as Forças Armadas continuam dando suporte para o governo Maduro e, ao mesmo tempo, fortalecer o sentimento patriótico da população diante dessa situação de guerra híbrida que o país está submetido, baseada em embargos, sanções, reconhecimento de governos paralelos etc", continua.

O início dos exercícios militares no domingo (10) foi realizado no Forte Militar de Guaicaipuro, em Charallave, na região central do país. Na data, Nicolás Maduro realizou um discurso enfático sob a aura das palavras históricas de Simón Bolívar, durante o Congresso de Angostura que há 200 anos abriu caminho para a independência da Venezuela e outros países da região.

"Aqui há Forças Armadas e aqui há um povo para defender a honra, a dignidade e o decoro de uma Pátria que tem mais de 200 anos lutando pelo seu futuro. Fora, Donald Trump, fora suas ameaças!", afirmou Maduro. Ele ainda disse que "os soldados de Bolívar fariam pagar caro o império estadunidense por qualquer ousadia de tocar o sagrado solo da Pátria venezuelana".

Diego Pautasso aponta que o apoio do setor militar e instituições é crucial para a manutenção de um governo. "O amparo e a força nas instituições é importante na sustentação de qualquer governo. Se não tiver apoio das Forças Armadas, do poder Legislativo, dificilmente o governo vai persistir por muito tempo", diz.

O povo venezuelano seria um 'elemento-chave' na manutenção do chavismo

O pesquisador ressalta que, no caso da Venezuela, o apoio ao chavismo tem sido de caráter popular, e exercícios como os de Angostura são uma forma de animar este apoio.

"Agora, sem amparo popular, se torna ainda mais difícil. E, no caso da Venezuela, o poder popular tem sido, e as eleições mostram isso, o padrão de votação, de suporte do chavismo mostra que o apoio está nos setores mais carentes da população", explica.

Para ele, a conexão na Venezuela entre as Forças Armadas, o poder do Estado, as milícias bolivarianas e o próprio povo tem sido "elemento-chave da persistência do chavismo no poder".

O Brasil precisa se preocupar com os exercícios militares na Venezuela?

"Essas manobras têm espírito dissuasório e estão voltadas não exclusivamente aos Estados Unidos, que é, digamos, o mentor da desestabilização no país, mas estão voltadas contra os vizinhos, que, por vezes, sinalizam o apoio à agenda de Washington. Então, é claro que isso é uma demonstração de força também para com os vizinhos", diz o pesquisador de Relações Internacionais, Diego Pautasso.

Segundo ele, apesar de a movimentação de tropas dentro da Venezuela ter viés declarado aos países hostis, o Brasil não tem demonstrado intenções de se aventurar em uma invasão militar. Entre os motivos dessa postura está o reconhecimento das dificuldades de tal medida tendo em vista o caráter popular do chavismo.

"As declarações do grupo militar no poder no governo Bolsonaro têm sinalizado que não interessa, não é de seu interesse, uma intervenção direta, mantendo uma certa tradição do Brasil de não ingerência em assuntos domésticos. E porque sabem, inclusive na fala do vice-presidente brasileiro [general Hamilton Mourão] falando que 'as guerras a gente sabe quando começam, mas não sabe quando terminam'", analisa.

A invasão de um país com apoio popular seria de um caráter "bastante complicado", segundo o professor do Colégio Militar de Porto Alegre, o que ele acredita ser reconhecido por qualquer "analista minimamente consequente".

Pautasso lembra ainda as dificuldades enfrentadas pelo exército brasileiro durante o apoio à missão de paz no Haiti e aponta que a situação na Venezuela em caso de invasão seria muito mais complicada.

"Na operação de paz brasileira no Haiti — que é um país completamente desestruturado — com suporte das Nações Unidas, que foi aceita pelo país, já era uma dificuldade tremenda pacificar determinados bairros, imagine em um país com 30 milhões de habitantes, com morros e favelas por todos os lados e com um sólido apoio nessas regiões periféricas."

Nessas condições, aponta o professor, qualquer uma medida de agressão abriria as portas para uma catástrofe e para a inserção da região na tensão geopolítica mundial.

"Então seria um cenário catastrófico, né? Não me parece uma posição consequente do Brasil internalizar, sobretudo, a rivalidade entre Estados Unidos versus Rússia e China para a sua fronteira imediata", continua.

Inteligência brasileira reconheceria apoio popular de Maduro

"O discurso é sempre o da falta de legitimidade nas eleições da Venezuela, da censura […] essa é a retórica que a mídia dominante tem empregado, que o governo brasileiro — e o governo colombiano — por seu alinhamento com Washington acaba coadunando e convergindo com essas narrativas e perspectivas."

"Agora, certamente, o exército e o governo brasileiros têm inteligência — eu digo inteligência no sentido de serviços de informação — para saber que o governo venezuelano ganhou mais de duas dezenas de eleições, eleições que tiveram acompanhamento, quase todas, de organismos internacionais e que, portanto, o custo de uma intervenção seria gigantesco", aponta o pesquisador.

Pautasso desconfia que as Forças Armadas não estariam dispostas a um "sacrifício em favor de uma agenda que é prioritariamente externa aos interesses brasileiros". Ele ainda reafirma que o governo tem conhecimento do apoio popular a Maduro e a dificuldade gerada por essa situação não é de interesse do Brasil.​

"Não só reconhece o apoio popular como reconhece essas formas de organização, essas milícias, sabe dos apoios externos que a Venezuela tem, sabe da capacidade pública e militar dissuasória do país e calcula o tamanho da energia que teria que ser gasta em uma guerra externa que comprometeria o orçamento do país brasileiro, as energias e que poderia jogar areia na engrenagem do atual governo", pondera.

O professor do Colégio Militar de Porto Alegre conclui apontando que uma invasão dos Estados Unidos também teria dificuldades para conseguir apoio em Washington, uma vez que o presidente dos EUA, Donald Trump, não tem tido uma boa relação com o Congresso norte-americano.

"E as declarações dos Estados Unidos continuam hostis, o vice-presidente não aceitou o diálogo proposto por Maduro […] Só que os Estados Unidos também têm as suas dificuldades, embora a guerra tenha sido uma práxis da inserção internacional dos Estados Unidos, é bom lembrar que Trump estava com dificuldades junto ao Congresso e a guerra poderia sofrer algum tipo de veto de oposição dos democratas, criando uma dificuldade adicional à empreitada, digamos, assim, de levar a cabo um esforço militar na Venezuela", conclui.

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