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Empresa chinesa faz peças para F-35? Revelação surge em meio a polêmicas envolvendo Huawei

Em meio à briga contínua entre os EUA e a gigante tecnológica chinesa Huawei, classificada como ameaça à segurança por Washington, verificou-se que uma subsidiária com sede no Reino Unido de uma companhia chinesa fabrica peças para os jatos americanos F-35.
Sputnik

Trata-se da companhia chinesa Exception PCB, com sede no condado britânico de Gloucestershire, que fabrica placas de circuitos que controlam os motores, iluminação, combustível e sistemas de navegação dos caças F-35 – o sistema de armas mais caro já feito.

De acordo com a emissora britânica Sky, citando materiais divulgados pelo Ministério da Defesa do Reino Unido, a empresa que fabrica componentes para os caças da Lockheed Martin foi comprada em 2013 pela companhia chinesa Shenzhen Fastprint, que inclusive já participou da fabricação de caças Eurofighter Typhoon e de helicópteros de ataque Apache.

"A Exception PCB, com sede em Gloucestershire, fabrica placas de circuito impresso que controlam muitas das principais capacid…

'Não há monopólio': Taurus rebate filho de Bolsonaro e desafia gringas a entrarem no país

O presidente da Taurus Armas e vice-presidente Comercial e de Relações Institucionais da Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), Salesio Nuhs, rebateu críticas feitas à companhia por um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro e desafiou rivais estrangeiros a entrarem no mercado brasileiro, em uma entrevista exclusiva à Sputnik Brasil.


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O executivo recebeu a reportagem no estande da Taurus durante o segundo dia da 12ª LAAD Defence & Security, a mais importante feira de defesa e segurança da América Latina e que acontece até sexta-feira no Rio de Janeiro. Ao longo dos quase 30 minutos de entrevista, Nuhs não escondeu a simpatia pelo atual governo.

Lançamentos de pistolas foram uma tônica nos estandes das principais empresas de armas na LAAD 2019
Pistolas Taurus na LAAD 2019 © Sputnik / Thiago de Araújo

Entretanto, nem todos na família Bolsonaro apreciam a Taurus. Ao menos nos últimos dois anos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) usou as suas redes sociais em mais de uma oportunidade para criticar a companhia, fundada em 1939 e que detém uma enorme parcela do mercado nacional de armamentos e munições.

"Armas Taurus defeituosas tem matado policiais e cidadãos. Apoiar o monopólio da Taurus é manter o atraso do Brasil", escreveu em janeiro de 2017, em uma de suas várias visitas a feiras de armas nos Estados Unidos.

Armas taurus defeituosas tem matado policiais e cidadãos. Apoiar o monopólio da taurus é manter o atraso do Brasil #fimdomonopóliotaurus pic.twitter.com/fGUgbtHJUq— Eduardo Bolsonaro🇧🇷 (@BolsonaroSP) 22 de janeiro de 2017

Dez meses depois, o parlamentar utilizou outra rede social para mais uma enxurrada de críticas à empresa. "Teria orgulho da Taurus se ela produzisse material de qualidade, como por exemplo tenho dos aviões da Embraer - uma empresa que foi privatizada e segue sendo orgulho nacional. Não consigo apoiar uma empresa que faz produtos defeituosos, meu sentimento patriota não é cego", acusou.

À Sputnik Brasil, o presidente da Taurus negou que a empresa possua qualquer monopólio do mercado brasileiro, afirmando que "várias polícias do Brasil importam armas". De acordo com ele, a falta de maior diversidade de armamentos dentro do país está vinculada à legislação, que em algumas situações estaria até mesmo penalizando a própria companhia nacional.

"Por que que não existem mais fábricas no Brasil? Não é por conta da Taurus, é por conta da nossa legislação. Nós temos uma legislação tributária e regulatória que desencoraja as indústrias de investir no Brasil. Por que, assim, quando eu vendo uma arma para um cidadão ou para um policial comprar na pessoa física, ele paga 70% de imposto. Ou seja, 30% é o valor da arma e 70% é o valor do imposto. Quando você exporta uma arma para o Brasil não tem essa carga tributária", afirmou Nuhs.

"A questão regulatória é a seguinte: para eu homologar uma arma aqui no Brasil, para poder vender uma arma aqui no Brasil, se eu não tiver nenhum produto controlado – não a arma – na fila, vai demorar de 18 a 24 meses. Se tiver fila, e eu hoje, Taurus, tenho 183 modelos de armas para serem homologadas, se eu dividir o número de armas pela média anual de homologações, eu vou demorar 20 anos para homologar isso. Quando você exporta uma arma para o Brasil ou alguém importa, não tem essa homologação. Então é esse o quadro pelo qual não existem fábricas no Brasil, só nós temos coragem de fazer isso", acrescentou.

Sobre as críticas feitas pelo filho do presidente – o executivo da Taurus esteve presente à posse de Bolsonaro em Brasília –, Nuhs declarou não ter "conhecimento que o filho do presidente trabalhe ativamente contra a Taurus", rebatendo com o argumento de que "pelo histórico dos Bolsonaros, eles são nacionalistas".

"Não acredito que o filho do presidente tenha interesse em destruir a indústria nacional, pelo contrário [...]. Estamos completando 80 anos agora em 2019. Quantas empresas brasileiras sobreviveram tanto [tempo] assim? Somos a quarta marca mais vendida dos EUA, não sei se você já pensou o que é isso. É um mercado no qual a arma de fogo faz parte da cultura americana. Para nós é motivo de orgulho. Então tenho absoluta convicção que esse também é o pensamento da família Bolsonaro", prosseguiu o presidente da empresa brasileira.

No passado, o então candidato à Presidência da República chegou a tecer palavras encorajadoras sobre a Taurus em um evento fechado, destacando aquilo que prometeu ao longo de sua campanha: facilitar o acesso de armas aos cidadãos brasileiros.

Sobre o interesse de companhias estrangeiras em disputar o mercado brasileiro, o presidente da Taurus contemporizou e disse se sentir tranquilo quando à qualidade dos produtos que oferece aos consumidores e corporações brasileiras.

"Esse é um assunto muito tranquilo e, até para estender mais: se equacionar essa questão tributária, e se vierem empresas aqui para o Brasil, nós vamos concorrer com elas da mesma forma que fazemos em outras partes do mundo. Vão abrir o mercado para as empresas virem produzir no Brasil? Sejam bem-vindas", pontuou.

Três 'Ps': posse, porte e processos

Pôr panos quentes em polêmicas com a família Bolsonaro faz sentido para a Taurus. A empresa alterou o seu nome – de Forjas Taurus para Taurus Armas – às vésperas da assinatura por parte do presidente de um decreto que facilita a posse de armas no Brasil. Com a decisão, a Polícia Federal foi destituída da necessidade de autorizar, ou negar, a posse de armas para quem solicita.

Segundo o presidente da Taurus, o decreto surge para coroar um processo de esclarecimento da população brasileira que "começou a entender que, sim, ela tinha o direito à legítima defesa", algo que teria sido confundido com o referendo de 2005 acerca do Estatuto do Desarmamento. Nuhs avalizou que a campanha eleitoral de 2018 explorou muito o assunto e o decreto acaba estimulando a informação e o interesse por armas no país.

"Hoje o cidadão sabe que pode comprar, e as coisas acontecem mais rápido. Ainda assim, como o decreto é de fevereiro [na verdade é de janeiro], na ponta da linha a gente ainda não viu o impacto. A gente sabe que aumentou a procura, então uma arma você não tem o interesse de comprar hoje, vai na loja amanhã e leva para casa. Esse processo ainda leva, sei lá, 90 dias, 100 dias. E não é barato também. Ele vai na loja, ele tem que deixar os seus dados, tirar todas aquelas certidões, e isso demora um certo prazo. O que existe sim é um aquecimento do mercado, uma demanda, uma procura maior", resumiu.

Questionado sobre as indicações da Frente de Segurança Pública da Câmara dos Deputados – popularmente conhecida como Bancada da Bala – de que buscará agora a liberação do porte de armas no Brasil (o que facilitaria o trânsito do cidadão com armamentos pelas ruas), o executivo da Taurus se disse favorável, porém preferiu adotar a cautela.

"Eu acho que o porte é diferente da posse. Eu acho que a pessoa tem que estar bem mais preparada para o porte. Aliás, inclusive o porte pela legislação atual é uma concessão da autoridade e não um direito como a posse. Acho que tem que ser olhado mais com esse viés. Quer dizer, você ter uma arma na sua casa é uma coisa, se você sofrer uma ameaça você tem mais um direito de proteção a você, à sua família e ao seu patrimônio. Já para andar com uma arma de fogo na rua você tem de ter um critério um pouco mais rígido. Eu sou favorável, mas esse assunto precisa ser mais bem entendido", destacou.

Mais polêmico do que o debate sobre posse e porte de armas só mesmo as ações que correm na Justiça do Brasil e dos EUA contra a Taurus. Em comum, os processos apontam falhas em armamentos fabricados e fornecidos pela empresa brasileira. Segundo levantamento da BBC Brasil, secretarias de Segurança Pública de 19 dos dos 26 Estados do país e do Distrito Federal revelaram já ter tido problemas com armas da Taurus.

Nuhs reconheceu a existência de processos na entrevista à Sputnik Brasil, mas procurou enfatizar que, segundo ele, a Taurus não foi condenada em nenhum processo em que houve perícia técnica, garantindo que "nenhuma perícia identificou que a arma disparou sozinha por problemas da arma". O presidente da empresa culpou os problemas à gestão anterior, responsável pelas armas produzidas até 2013, exaltando os novos protocolos adotados.

Nos EUA, principal mercado de vendas da Taurus, a empresa fechou um acordo coletivo em uma ação movida por duas famílias, cujos valores poderiam chegar a US$ 7,9 milhões (quase R$ 30 milhões) entre custos processuais e indenizações. Nos dois casos, armas da empresa dispararam ao caírem no chão, causando ferimentos, mesmo estando com as travas de segurança acionadas.

Há quase três anos, a Taurus também aceitou recolher aproximadamente 1 milhão de armas vendidas nos EUA que também disparavam com a trava acionada, em um processo estimado em US$ 239 milhões (cerca de R$ 885 milhões). Apesar de tudo isso, a companhia brasileira é a quarta em número de vendas naquele país e planeja novos investimentos, incluindo uma nova fábrica.

Nuhs procurou minimizar os acordos fechados nos EUA, afirmando não achar "nem bom ou ruim".

"A maioria das empresas que têm problemas, e se o senhor olhar nos EUA vários concorrentes têm o mesmo problema, e são feitos o quê? Acordos coletivos. Fica que nós estamos assumindo que houve um problema, mas é muito melhor para a companhia financeiramente e mercadologicamente fazer um acordo com as pessoas, com a Corte, e cessar o problema. Tivemos dois casos apenas, foi feito um acordo e nós não reconhecemos culpa, pelo contrário, mas fizemos um acordo e ambos foram aprovados pela Corte", concluiu.

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