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Capacetes brancos preparam novas provocações na Síria, diz enviado russo na ONU

Membros dos Capacetes Brancos estão preparando novas provocações com substâncias tóxicas na Síria, disse o vice-embaixador russo na ONU, Vladimir Safronkov, nesta quarta-feira (24) na reunião do Conselho de Segurança da ONU.
Sputnik

Safronkov observou que os Capacetes Brancos acusariam o governo sírio pelo uso de tais substâncias.

Mais cedo nesta quarta-feira (24), o Major General Viktor Kupchishin, chefe do Centro Russo para a Reconciliação Síria, argumentou que funcionários da mídia estrangeira na província síria de Hama conduziram uma filmagem falsa da "morte" de uma família supostamente devido ao uso de armas químicas pelas tropas sírias.

Em diversas ocasiões, Moscou e Damasco apontaram que os Capacetes Brancos estavam produzindo provocações envolvendo o uso de armas químicas com o objetivo de culpar o governo da Síria e dar aos países ocidentais justificativas para a intervenção no país.
A estratégia de encenar ataques para usá-los como falsa bandeira tem sido usada repetida…

Guerra da Síria irradia perigo para todo o Oriente Médio

Israel e Irã se enfrentam no palco de guerra sírio, e uma escalada ameaça a região. Ao mesmo tempo, a Rússia mantém distância cautelosa. Todos os envolvidos no conflito conhecem o perigo de uma confrontação direta.


Kersten Knipp | Deutsch Welle

Numa entrevista ao jornal grego Kathimerini, o presidente da Síria, Bashar al-Assad, mostrou-se preocupado: em seu país estaria ocorrendo uma "guerra mundial".


Mísseis sobre Damasco em 10/05/2018
Mísseis sobre Damasco em 10/05/2018

"Talvez não seja uma Terceira Guerra Mundial com toda força, mas é uma guerra mundial. Pode não ser uma guerra nuclear, mas certamente não é mais nenhuma Guerra Fria." Ele acrescentou estar torcendo para que as superpotências não iniciem um conflito bélico. E só um governo seria capaz de sustar esse desdobramento: "a cautelosa liderança da Rússia".

Em primeira linha, tais declarações têm a finalidade de legitimar, tanto do ponto de vista do direito internacional quanto da política, o engajamento militar da principal força protetora de Assad.

O Al-Quds al-Arabi, publicado em Londres, se concentra num outro aspecto das declarações de Assad: se ele "torce" para que o conflito não se alastre em guerra declarada, então é porque praticamente perdeu o controle sobre a política, diz o jornal.

O periódico interpreta assim as palavras de Assad: os acontecimentos na Síria há muito são determinados por outras forças. Confirmação disso seria a mais recente confrontação entre Israel e Irã, cuja "batalha" se trava "no território e espaço aéreo de um terceiro país" – a Síria.

Rússia se contém

Incerto está até que ponto a "cautelosa liderança" russa, louvada por Assad, estaria disposta e apta a dar fim a esse conflito. O Jerusalem Post não está inteiramente convencido nem da capacidade, nem da vontade do presidente russo, Vladimir Putin, de mediar o conflito.

Segundo o jornal israelense, a Rússia estaria interessada, acima de tudo, em duas coisas: evitar um ataque – acidental – a suas tropas, e manter o presidente sírio no poder, já que o país simplesmente investiu demais em Assad para poder agora deixá-lo cair. Tudo mais Moscou está pronto a aceitar sem problemas.

Pouco depois de o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, retornar de uma conversa com Putin em Moscou, o Jerusalem Post escreveu: "Assim como, de tempos em tempos, Netanyahu tenta convencer Putin a restringir o engajamento iraniano na Síria, por sua vez o presidente Hassan Rohani poderia apelar ao homólogo russo para que suste as atividades israelenses."

Duvidoso é se tais apelos fazem sentido. "Putin escuta a ambos e não investe contra nenhum dos dois lados: nem impõe limites a Israel, nem coloca algemas no Irã." Pois Moscou só está interessado em que Assad se mantenha no poder, e "enquanto esse interesse não for comprometido, a luta [entre Israel e Irã] não é a luta da Rússia".

Esperança de paz como verdadeiro perigo

Segundo uma análise do periódico libanês Al-Akhbar, ligado ao Hisbolá, porém, Putin faz sobretudo o jogo de Teerã. Pois o que se deve temer não é a guerra, que sempre houve na região, "o verdadeiro perigo é a ilusão de que se possa evitar a guerra e de que a atual seja a última; assim como a esperança de que o que ocorre a sua volta não diga respeito a você mesmo".

Ao se retirar do acordo nuclear com Teerã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acaba de destruir, diante dos olhos de todos, a esperança de uma paz duradoura – de qualquer modo ilusória –, prossegue o Al-Akhbar. Com isso, ele também minou todas as tentativas de criar uma ala liberal no Irã.

Mas justamente isso é louvável, por afastar o "verdadeiro perigo", conclui o Al-Akhbar: "Uma paz ruim sob a regência do Banco Mundial seria a raiz de toda corrupção, de todo consumo e da ascensão de classes parasitárias."

Segundo o também libanês Al Hayat, desde que conquistou a maioria dos votos nas eleições parlamentares no Líbano, o Hisbolá pode ostentar uma maior legitimidade política, e a descrença do partido diante da possibilidade de uma paz duradoura tem agora peso ainda maior no país.

Esse seria mais um motivo para os libaneses evitarem se deixar arrastar a uma guerra. Ao mesmo tempo, entretanto, o perigo bélico cresceu, "uma vez que o Hisbolá está principalmente preocupado em defender o Irã de um ataque, e não o Líbano".

Cautela no Irã e Israel

No momento, tanto Israel quanto o Irã aparentemente tentam evitar uma escalada, avalia o Al Araby al-Jadeed. Pois com ofensivas militares, os israelenses não conseguirão inibir basicamente a presença iraniana na Síria, e muito menos impedir o regime iraniano de empregar armas modernas.

Por outro lado, tampouco o Irã está em condições de travar uma guerra eficaz. O país está debilitado economicamente, e seus dois principais parceiros – o regime Assad e o Hisbolá –, militarmente consumidos, após anos de combate.

Além disso, Teerã precisa levar em consideração os interesses do Ocidente. Numa guerra, o país arrisca enfraquecer de forma duradoura o seu potencial militar, enquanto Israel corre perigo de se tornar alvo de centenas de mísseis de alta tecnologia. "E isso significa: a Síria continuará sendo uma arena para atores internacionais."

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